
O técnico Ricardinho aceitou o convite da Gazeta do Povo em responder perguntas dos torcedores do Paraná. Entre terça e quarta-feira, 85 e-mails foram enviados ao jornal. As 20 melhores sugestões de perguntas foram selecionadas para um bate-papo.
A principal pergunta era sobre a possibilidade de o ídolo voltar a jogar pelo Tricolor. O que o treinador não cogita nem em jogo de despedida. "Como jogador, seria só mais um dentro de uma hierarquia. Não poderia fazer a organização e colocar a filosofia que estamos implantando", enfatiza, referindo-se às alterações que já vem adotando no departamento de futebol, como a transferência dos treinos da Vila Capanema para a Vila Olímpica do Boqueirão.
Sobre o time, Ricardinho diz que inicialmente terá um grupo jovem. Mas espera que jogadores experientes cheguem, bem como aguarda o retorno de atletas emprestados. "Não teremos um time só de jovens, mas sim um time competitivo", garante.
Por que tantos jogadores da base foram reprovados para a pré-temporada? (Dionizio Ribeiro Ambrózio)
Observei todos os jogadores, da base e profissionais. Selecionei dentro do meu critério. Fiquei com sete juniores, um número elevado. Queremos fazer uma ponte com a base, com os jovens participando do dia a dia do profissional. Vai depender só do desempenho e da qualidade deles.
Como você pretende lidar com as dificuldades financeiras do clube? (Paulo Jamur)
É uma questão da diretoria. E tenho certeza de que será solucionada. Deixei claro à diretoria que seria importante essa questão ser equacionada. Estou bem tranquilo. Acredito no que o presidente me passou. Tenho certeza de que isso [salários atrasados] passará despercebido e não irá atrapalhar.
Alguma possibilidade de você fazer um jogo de despedida? (Hendryo André)
Nunca disse que encerraria a carreira aqui. Até tinha isso na cabeça, mas nunca coloquei para ninguém. Só que a situação apareceu de outra forma. Minha participação no Paraná é mais importante como treinador do que como jogador. Como jogador eu seria apenas mais um dentro de uma hierarquia, não poderia fazer a organização e colocar a filosofia que estamos implantando. Estaria honrado de receber uma homenagem, mas não é o momento. É uma situação que pode acontecer, mas não agora. O foco é a volta à primeira divisão e a reestruturação do futebol.
Jogadores emprestados voltarão para a Série B do Brasileiro? (Rodrigo Machado dos Santos)
Estamos monitorando esses jogadores. Não temos e nunca teremos um grupo fechado. Tanto que com os que emprestamos, quanto com os possíveis reforços, faremos contato no fim dos estaduais.
Como você pretende trabalhar o emocional do grupo na Série B do Estadual, tendo em vista a possibilidade de não ter estádio cheio, além de baixa premiação? (Renato da Costa dos Santos)
Não é demérito jogar a segunda divisão do Estadual. Os jogadores têm de entender que para ocupar espaço no futebol têm de buscar todos os dias, independente da competição. E é isso que eles vão querer construir. O que não quer dizer que não teremos jogadores com mais experiência. Não teremos um time só de jovens, mas sim um time competitivo.
Você não tem medo de manchar sua condição de ídolo paranista com um time que nos últimos anos vem se mostrado fraco? (Marcelo Eduardo Rocha)
Quando tomei a decisão de ser técnico do Paraná projetei todas as situações, o que poderia acontecer de bom e de ruim. E tudo está muito tranquilo. Nunca tive medo de desafio.
Na carência de um meia, seria possível seu retorno aos gramados? (André Andrigueto)
Sei que a maioria dos torcedores queria que eu atuasse no campo, mas, infelizmente, não vai acontecer. Não há a mínima possibilidade. Optei por ser treinador.
Se os resultados não vierem, você aguentará a pressão? (Fábio Danilo)
Vou ficar até o fim do contrato. Espero no final do ano colher frutos. Com relação a resultados ruins, fazem parte no futebol. Cabe a nós estarmos preparados para reagir e para sabermos administrar os bons resultados, porque para a torcida, para a diretoria, as vitórias são ótimas, mas podem mascarar situações que também temos de estar ligados. A pior cobrança é minha. Sempre tive auto-crítica como atleta e segue como treinador.
O que o levou a optar por treinar na vila Olímpica do Boqueirão? (Hiuri Dvorak)
A estrutura lá há muito tempo não era utilizada e é ótima. Temos de ter um estádio com bom gramado para poder exigir dos atletas uma boa finalização, um bom toque de bola. Não acho correto treinarmos e jogarmos no mesmo lugar se temos um bom espaço que está ocioso. A ideia é após o carnaval mudarmos para lá [Vila Olímpica, para treinar] e iniciar a recuperação do gramado da Vila [Capanema]. Arrumaremos o gramado para usá-lo a nosso favor.
Alguma possibilidade de você atuar como manager, tendo em vista que sua participação para trazer reforços do Corinthians foi fundamental? (Maicon Gustavo Ganske)
O responsável pelo futebol é o Alex Brasil [gerente de futebol]. Trabalhamos juntos. Eu, na parte técnica, ele, na funcional. É lógico que há situações, pelo tempo que a gente está no futebol, pelas amizades, pelas facilidades, pelos contatos, em que é possível trazer frutos. Mas somente um contato inicial. Depois o Alex assume e finaliza contrato e tudo o mais.
A vinda de reforços com menos de 20 anos do Corinthians seria uma demonstração de fraqueza da base paranista? (Felipe Kanitz Braga)
Não posso responder porque não estava aqui nos anos anteriores. Mas esse sinal de juventude é pelas condições do clube em contratar. Esses reforços estão sendo trazidos com precisão cirúrgica. Não podemos errar. Não traremos 20 jogadores para, depois, na Série B [do Brasileiro], mudarmos o grupo.
Como você separa o Ricardinho treinador do torcedor? (Fabiano Weber)
O torcedor está guardado, não escondido, mas descansando. Joguei contra o Paraná, fiz gol [contra o Tricolor], porque sempre fui profissional. E será assim agora.
Você planeja ser presidente do Paraná? (Cesar de Lara Natal)
Nunca afirmei isso. Nunca foi e nunca será minha pretensão. Quero agregar e ajudar dentro do que sei, no campo.







