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Finanças

Coritiba admite ‘risco calculado’ ao limitar recursos do futebol para quitar dívidas

Disposto a melhorar a saúde financeira do clube, Alviverde consegue diminuir débitos, mas é envolvido em círculo vicioso: resultados ruins em campo e debandada de sócios

A média salarial do elenco comandado por Pachequinho é de R$ 45 mil. | Henry Milleo/Gazeta do Povo
A média salarial do elenco comandado por Pachequinho é de R$ 45 mil. (Foto: Henry Milleo/Gazeta do Povo)

Desde janeiro de 2015, quando Rogério Bacellar chegou à presidência, o Coritiba assumiu um ‘risco calculado’. Por um lado, tenta sanear a dívida milionária do clube. Por outro, sacrifica os investimentos no futebol. Estratégia que tem resultado na redução do passivo, mas também no acúmulo de insucessos dentro de campo e no afastamento da torcida.

Pela primeira vez nos últimos cinco anos, a dívida total do Coxa registra queda. Depois de marcar o auge de endividamento em 2015 (R$ 223,9 milhões), o clube terminou o primeiro trimestre de 2016 com um débito de R$ 196,2 milhões, ou seja, decréscimo de 13% em relação ao ano anterior. Parte deste resultado está atrelada à adesão ao programa de refinanciamento das dívidas fiscais do governo federal, o Profut. Os números foram apresentados pelo Conselho Fiscal em reunião recente do Deliberativo.

NÚMEROS: Confira a evolução da dívida do Coritiba nos últimos anos

A evolução financeira, porém, contrasta com os resultados insuficientes colecionados em campo na ‘era Bacellar’. Neste ano, após perder o Estadual e ser eliminado precocemente na Primeira Liga e Copa do Brasil, a diretoria admitiu que o objetivo no Brasileiro é lutar contra o rebaixamento, assim como ocorreu em 2015.

Ou seja, o mesmo dinheiro utilizado para quitar as dívidas é o que falta na hora de investir em um time qualificado — a média salarial do atual elenco gira em torno de R$ 45 mil, enquanto o maior salário está estipulado em R$ 120 mil. Sem treinador depois de demitir Gilson Kleina, o clube também já admitiu que não investirá em um nome de peso para a função.

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O baixo investimento na bola é traduzido em números. Nos primeiros três meses de 2016, o Coxa direcionou somente 54% do total de suas receitas para o futebol. Em 2015, este número foi de 65%. Já dos cerca de R$ 40 milhões recebidos como bônus pelo acerto com o Esporte Interativo, por volta de R$ 18 milhões serviram para pagar débitos. Os fracassos na bola e o foco no setor administrativo têm afastado os torcedores.

O atual quadro de associados adimplentes é o menor dos últimos cinco anos. São somente 16 mil coxas-brancas em dia com as mensalidades, contra 20 mil em 2015; 19 mil em 2014; 24 mil em 2013; e 23 mil em 2012. Para fechar o ano no azul, a diretoria esperava contar com pelo menos 21 mil sócios.

Internamente, entretanto, há a esperança de que a estratégia de “sacrificar a bola” resulte em uma vida financeira mais saudável para o clube nos próximos anos.

Procurado pela reportagem, o presidente Bacellar não atendeu às ligações.

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