
"Eu queria estar na pele do Tcheco, que pode parar e falar que teve uma carreira brilhante. Sentimento era de parar de jogar." A frase forte do meia-atacante alviverde Rafinha ao final da partida tem duas origens: a revolta com a arbitragem decisiva para que o Palmeiras se tornasse campeão da Copa do Brasil e a dor de ver pelo segundo ano seguido a torcida deixar o Couto Pereira triste na decisão do mata-mata nacional.
A arbitragem foi o principal tema na saída de campo. O presidente coxa-branca Vilson Ribeiro de Andrade centralizou o discurso. "Foi desastrosa lá, não tem nem mais o que falar. Todo mundo viu. Hoje [ontem] inventou uma falta e na única jogada que eles têm chegaram ao gol. Por isso que são campeões e mais nada", bradou o dirigente, partindo depois para o discurso de que clube fora do eixo Rio-São Paulo em decisão não é bem visto. "Quando um time do Paraná chega é claro que não vão gostar."
Vilson também se mostrou decepcionado por novamente não dar o presente que a torcida esperava. "Temos de pedir desculpa, mas um dia vamos chegar. O nosso trabalho está caminhando para isso."
Lincoln foi outro na linha arbitragem e torcida. "Claro que o jogo lá já passou, mas o Brasil inteiro viu o que fizeram com a gente lá em São Paulo. O título eles ganharam lá. Agora é agradecer o apoio da torcida, fizeram uma festa maravilhosa, e ir forte no Brasileiro para dar muitas vitórias a ela", afirmou o meia que entrou no segundo tempo.
Rafinha ainda admitiu que o time poderia ter jogado mais na partida de ontem. "Fizemos um gol na base da raça, da vontade. Infelizmente mais uma vez não deu. A torcida foi maravilhosa. Até o fim do jogo não vimos ninguém xingando e agora estão aplaudindo os jogadores que estão saindo ali", disse ao deixar o campo, enquanto alguns aplausos vinham da arquibancada, perto do túnel de saída dos jogadores, enquanto os palmeirenses faziam do outro lado do campo a festa sonhada pelo Coxa.
Ex-Coritiba vira improvável heróido título
Fernando Rudnick
A torcida cantou e vibrou ontem como não fazia há 13 anos. E vibrou graças a um herói improvável. O atacante Betinho, que em 2010 foi contratado para ser o substituto do argentino Ariel Nahuelpan no Coritiba, fez o gol que garantiu o título do Palmeiras no Couto Pereira lotado. A conquista é a mais importante do clube desde a Copa Libertadores de 1999.
Aos 25 anos, o pernambucano Carlos Alberto Santos da Silva viveu a noite de sua vida. Emprestado ao Porco, o jogador via seus três meses de contrato de experiência perto do fim e não sabia responder se continuaria no clube após a Copa do Brasil.
De supetão, foi escalado para as duas partidas decisivas por causa da apendicite do titular Barcos. Em quatro jogos pelo time paulista, ainda não havia marcado. Na partida de ida, sofreu o pênalti que Valdívia converteu. Na de volta, fez "apenas" o gol que acabou com a reação coxa-branca, que minutos antes balançou a rede com Ayrton, de falta.
De cabeça um de seus poucos recursos após assistência de Marcos Assunção, Betinho marcou seu nome na história palmeirense.
"A nossa diferença foi a vontade. Sempre fomos muito criticados, mas o futebol é assim. O nível é muito igual e conseguimos nos sobressair", disse o personagem da final. "Vou ver a questão do contrato depois, vou comemorar agora", emendou.
O goleiro Bruno, que se destacou no segundo tempo com pelo menos duas defesas importantes, preferiu não chamar o autor do gol palmeirense de herói, mas destacou a estrela do centroavante.
"Não tem um herói, todos somos heróis hoje. O Betinho foi fundamental no momento que precisamos dele", elogiou. "A nossa conquista foi merecida. Viemos aqui sabendo de tudo que Coriba falou antes do jogo. Terminamos como campeões invictos, assim como o Corinthians", fechou o chileno Valdivía, provocando os maiores rivais.








