
Foram mais de cinco minutos seguidos de um show impressionante. Entre os primeiros passos dos jogadores do Coritiba na saída do túnel até a estrofe inicial do hino paranaense, o Couto Pereira virou uma panela de pressão repleta de papel laminado picado, muita fumaça e luzes de sinalizadores nas arquibancadas. Fogos de artifício e o barulho ensurdecedor de bastões infláveis distribuídos aos torcedores completavam o cenário da segunda decisão de Copa do Brasil no Alto da Glória.
Novamente, entretanto, a festa da torcida não foi suficiente para empurrar os comandados de Marcelo Oliveira à consagração. A alegria mesmo ficou com os visitantes palmeirenses, que não se incomodaram de curtir a conquista na casa do oponente. Vibraram muito. Não faltaram, inclusive, os gritos de olé quando o time tocava a bola, apenas esperando o relógio permitir soltar o brado de "campeão".
Antes da amarga derrota dos donos da casa, o clima era de absoluta confiança no estádio. A vantagem de dois gols do adversário foi ignorada pelos mais de 35 mil apaixonados. Nem mesmo o frio de 12ºC, o vento cortante e a chuva intermitente combinação que deixava a sensação térmica ainda menor amedrontava os fãs. Nada era mais importante do que estar ali.
E a celebração deveria ter sido ainda mais imponente. O tão aguardado "Green Hell Tecnológico" não funcionou como o previsto. Os blackouts que cobririam as torres de iluminação não foram acionados. Assim, as luzes das 120 placas de LED espalhadas no gramado da curva de entrada, ao invés de ressaltar, foram encobertas pela névoa branca que tomou conta do campo.
De certa forma, a ação, que mobilizou milhares de torcedores na internet e arrecadou mais de R$ 100 mil, resume a decepção por mais um vice e mais um sonho incompleto.
"O que representa o Coxa é a torcida. No fim do jogo, com vitória ou derrota, vou ter a certeza de que fizemos nossa parte. Vou ficar satisfeito em ver que nós fizemos nosso papel", resumiu o tradutor André Rieks Bruel, 29 anos, dono da inscrição que prega paixão sem limites pelo Alviverde.
Se não conseguiram amenizar a dor e as lágrimas, os aplausos daqueles que se mantiveram firmes no Alto da Glória até o apito final, pelo menos mostraram o reconhecimento a um time que lutou até o fim, como dizia a inscrição nos cachecóis da torcida.
O amor continuará sendo incondicional, como lembrava uma das dezenas de faixas espalhadas pelo Couto Pereira. Mas poucos suportaram ficar na arquibancada nos minutos finais, quando o título se aproximava dos visitantes.
Quando a taça foi erguida pelos paulistas, o estádio estava esvaziado.
Confusão
Quando o ônibus palmeirense chegou ao Couto Pereira, houve confusão com torcedores coxas-brancas que estavam na Rua Mauá. A Polícia Militar (PM) usou bombas de efeito moral e balas de borracha para dispersar o público duas pessoas ficaram feridas. Antes desse episódio, no fim da tarde, a Polícia Civil já havia prendido dois cambistas. Eles tentavam vender ingressos para a final por preços entre R$ 300 e R$ 600. Os dois suspeitos foram levados para a Delegacia de Crimes Contra a Economia e Proteção ao Consumidor.








