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Graças à ciência, Alex é o destaque entre os veteranos no Brasileirão

Aos 35 anos, meia do Coritiba tem a carreira moldada por preparadores físicos, fisiologistas, nutricionistas e fisioterapeutas

Alex elogia trabalho preventivo e equipe multidisciplinar | Jonathan Campos/ Gazeta do Povo
Alex elogia trabalho preventivo e equipe multidisciplinar (Foto: Jonathan Campos/ Gazeta do Povo)

Nem os dias mais frios de Curitiba em mais de uma década interromperam uma rotina de Alex. Após cada treinamento no CT da Graciosa, semana passada, o meia passou cerca de 20 minutos com parte do corpo submerso em uma banheira de gelo, a aproximadamente 0 ºC.

"Faço todo dia, independentemente do clima. Não é fácil ficar ali dentro. Fico mais uma hora com frio, falo contigo e estou tremendo, mas daqui a pouco passa. Ajuda na recuperação. É preciso ter disciplina", explica o jogador.

A imersão em gelo, ou crioterapia, é utilizada para acelerar a recuperação muscular através da quebra do ciclo dor-espasmo-dor, reação natural a qualquer atividade física. Faz parte, hoje, da rotina de qualquer grande clube do futebol brasileiro. Reflexo direto das comissões técnicas multidisciplinares formadas em torno dos treinadores.

Alex, de 35 anos, teve sua carreira inteira acompanhada por comissões desse porte, com preparadores físicos, fisiologistas, nutricionistas e fisioterapeutas. O mesmo vale para o gremista Zé Roberto, de 39 anos, o botafoguense Seedorf, de 37 anos, e o vascaíno Juninho Pernambucano, de 38 anos. Protagonistas do Campeonato Brasileiro em uma idade até pouco tempo atrás de jogador aposentado, eles se beneficiam diretamente da evolução da ciência atrelada ao futebol.

"A evolução da medicina e da psicologia do esporte, da fisiologia, nutrição, fisioterapia e preparação física explica, em grande parte, o sucesso desses atletas", confirma o professor José Alberto Aguilar Cortez, do Departamento de Esporte da Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo.

Cortez identifica a Copa de 1970 como marco divisório entre o empirismo e a ciência na preparação física do futebol. A partir dali, outros profissionais e técnicas foram sendo incorporados, processo que se intensificou nos últimos anos. Hoje, ao menos no Brasil, ele vê o aparato científico à frente do conhecimento para aplicá-lo no dia a dia.

"Anamneses [entrevista com o médico], planilhas de treino e marcadores mais simples como peso, fre­­quência cardíaca e pressão arterial são índices mais acessíveis a todos os clubes, mas sem profissionais especializados que saibam como interpretar anormalidades nas coletas, não adianta", afirma.

Alex observou isso de perto na Turquia. Ao longo de quase noves anos no Fenerbahçe, trabalhou com comissões técnicas de quatro nacionalidades diferentes. Cada uma fazia um uso diferente da estrutura do clube. "Tinha uma máquina em que a gente corria sem gravidade. Era uma esteira em que a gente ficava com uma espécie de saia presa até a cintura. Da cintura para cima era aberto e você fazia o movimento da corrida. O preparador punha no computador o quanto você deveria correr e a sensação era realmente de não tocar o chão", conta.

O equipamento evitava o atrito com o solo na corrida e, assim, reduzia o impacto nas articulações, causa comum de lesões. Chamada AlterG Anti-Gravity Treadmill M310 e fabricada nos Estados Unidos, a máquina custa mais de US$ 150 mil. É mais ou menos o mesmo valor de uma câmera hiperbárica, outra aliada de Alex na Turquia. Ao entrar na cápsula, o jogador fica exposto ao volume de oxigênio adequado para o seu condicionamento.

"Agrega muito ter essa equipe multidisciplinar e fazer trabalho preventivo. O Seedorf eu não conheço, mas convivi com o Juninho e o Zé Roberto na seleção e sei que fazem trabalhos parecidos", comenta Alex, que, franzino, fazia muita atividade de prevenção desde a promoção ao time principal do Coritiba, em 1995. Durante a carreira, fez RPG para corrigir a postura e pilates.

"Se for analisar o histórico atlético do Alex, sempre demonstrou qualidades físicas. Lógico que você não vai exigir dele um condicionamento de 10, 15 anos atrás, mas se apresentou em condições muito satisfatórias", atesta o preparador físico alviverde, Glydston Ananias. "A genética e o estilo de vida fora dos gramados também fazem diferença. Não me lembro de ter conhecimento da participação destes jogadores em noitadas com consumo de bebidas, cigarros ou coisas piores", diz Cortez, acrescentando um fator acima de qualquer estrutura que um clube possa comprar.

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