
O cabelo, a camisa 7 e a irreverência. Se há alguém, nas últimas três décadas, a se assemelhar a um dos maiores ídolos do Coritiba, é Negueba. Mais novo xodó da torcida alviverde, ele está sendo comparado a Lela, um dos atletas mais carismáticos da história do time do Alto da Glória.
ENQUETE: quem é o craque do Paranaense-2015?
O gol em cima do Londrina, que abriu o caminho para a vitória por 3 a 0 e a vaga na final do Campeonato Paranaense, reforçou o apelo do atleta com os coxas-brancas e as lembranças do atacante recordista de jogos e gols na década de 1980: 200 partidas e 55 gols. Resgate que começou com a chegada do ex-flamenguista ao Coxa em janeiro.
“O estilo de jogo é diferente daquela época. Mas ele tem um trejeito parecido. Um estilo que cativa, bem parecido com o de Lela. Se comenta isso por aqui”, admite Dirceu, Krüger, ex-jogador do Coxa e auxiliar técnico na campanha do título brasileiro de 1985, do qual Lela foi um dos destaques.
“O Lela era mais showman, mais irreverente. O Negueba não é tão extravagante. Mas o jeito que ele comemorou o gol contra o Londrina, fazendo a degola, mostrou atitude, contagia os companheiros e soma para o torcedor, empolga”, comentou o colunista da Gazeta do Povo, Carneiro Neto.
“Para ficarem mais parecidos, basta ele fazer a careta”, brinca Guilherme Costa Straube, do Helênicos, grupo que resgata a história do clube.
A primeira vez em que Lela adotou a comemoração que viraria sua marca registrada foi em Toledo. São duas versões. Uma é a de que o jogador fez o gesto em resposta às provocações da torcida adversária. O colunista da Gazeta Luiz Augusto Xavier conta outra. “Eu era editor da Tribuna do Paraná. Pedi para o fotógrafo Orlando Kissner trazer fotos diferentes. Ele conversou com os jogadores para que comemorassem perto dele se fizessem um gol. O Lela perguntou: ‘E eu faço o quê na hora?’ E o Orlandão respondeu: ‘Faz qualquer coisa, faz uma careta’”, relembrou Xavier.
Lela marcou, mostrou a língua com as mãos ao lado do rosto na cena inesquecível para os fãs coxas-brancas. “Se tem alguem nesses anos todos que pode ser comparado ao Lela é o Negueba”, acrescentou.
Apesar da cabeleira e de ambos serem negros, Carneiro Neto descarta outras comparações físicas. “Chamavam o Lela de maior anão do mundo. Com os braços e pernas curtos e o tronco longo. E mesmo assim era muito rápido”, lembrou. “O Negueba é, tecnicamente, mais refinado. Mas o Lela era mais decisivo, marcava mais gols. Uma semelhança é a responsabilidade de puxar o contra-ataque”, acrescentou.
Responsabilidade que aumenta agora na final, contra o Operário, na qual Negueba tem a chance de marcar com um título sua arrancada relâmpado rumo ao status de ídolo alviverde.



