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Despedida

A primeira morte

Maior artilheiro da história das Copas do Mundo, atacante decide encerrar a carreira devido ao hipotireoidismo e o excesso de contusões

Ronaldo chora na despedida... |
Ronaldo chora na despedida...
 
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A primeira morte

As mãos de Ronaldo mexiam em papéis com anotações, em canetas, em um laptop ou nos filhos. Seu rosto tinha os olhos baixos e cada fala sua era pontuada por pausas e profundos suspiros.

Ele sofreu durante a maior parte da entrevista em que anunciou o final de sua carreira, aos 34 anos. Era o epílogo do maior artilheiro em copas, eleito três vezes melhor do planeta, bicampeão pelo Brasil no Mundial e autor de 414 gols.

“Na quinta-feira, quando eu finalmente decidi [parar], parece que estava na UTI. Foi minha primeira morte”, contou o atacante.

Sua decisão foi tomada após mais uma lesão, sofrida naquela mesma semana. Foi uma resolução solitária, a família estava em viagem, o médico e o fisioterapeuta que o acompanham também.

Conversas com as pessoas mais próximas ocorreram por telefone para explicar sua posição. Porém, de resto, Ronaldo se isolou por três dias em sua casa.

Ressurgiu para se despedir dos jogadores corintianos na manhã de ontem, antes de encarar cerca de 200 jornalistas para falar sobre o fim.

Foi ali que explicou como as seguidas contusões e as dores físicas o fizeram parar.

“Perdi para o meu corpo”, reconheceu. “Talvez, se minha história ocorresse 15 ou 20 anos para a frente, meus problemas, que foram gravíssimos, seriam sanados mais facilmente”, disse.

O sofrimento de Ronaldo começou em 1998, na crise nervosa que teve às vésperas da final da Copa, e se agravou quando ele rompeu duas vezes os ligamentos do joelho direito, em 1999 e 2000.

“Me deixaram três anos sem jogar, fora as sequelas que ficam”, explicou.

Essas contusões – e outra lesão no joelho esquerdo em 2008 – o obrigavam a ser mais dedicado do que os outros jogadores. “Ele tinha que fazer muito mais exercícios de alongamento e fortalecimento que os demais”, contou o médico Joa­­quim Grava. E doía. “Não consigo nem subir a escada de casa”, falou Ronaldo na coletiva.

Outro obstáculo era o hipotireoidismo, diagnosticado no Milan há quatro anos. A doença provoca aumento de peso e dificulta o emagrecimento da pessoa, fato sabido pelo Corinthians.

“Muitos devem estar arrependidos de fazer chacota do meu peso. Não guardo mágoa”, analisou o ex-atleta.

A única cicatriz, de fato, que ele diz levar da carreira foi não ter conquistado a Taça Libertadores pelo Corinthians. “Peço desculpas por ter fracassado”, disse.

Em meio a uma série de torneios internacionais que disputou por Barcelona, Internazionale, Real Madrid e Milan, ele aponta a competição sul-americana. O que se explica quando passa a falar da relação com o último clube: para, respira fundo e chora.

“Nunca vi torcida tão importante, tão apaixonada, tão entregue a um time. É certo que a cobrança pelos resultados faz essa torcida um pouco agressiva, um pouco fora de controle”, descreveu, negando que agressões de organizadas tenham influenciado na decisão de parar.

Não foi a única pressão de uma carreira que está sob os holofotes desde os 16 anos.

Sua face midiática se expressou ontem quando ele iniciou a despedida agradecendo a patrocinadores. Era uma camisa da Nike que Ronaldo vestia em sua despedida, não a do Corinthians.

Mas o tom emocional predominou na entrevista concedida ao lado dos filhos Ronald e Alex, ambos com a camisa do time. Foi a eles que se voltou após chorar. Então começou a relaxar: limpou o suor, fez piada com a concentração.

A um sinal do assessor, deu as mãos aos filhos, levantou-se e saiu andando. Para longe das câmeras.

Ronaldo afirmou que deseja fa­­­zer um jogo de despedida em “junho ou julho”. “Vamos reunir quem jogou comigo para fazer uma festa.” A CBF, por meio de sua assessoria, informou que pretende “conversar com o Ronaldo para saber o que ele pretende”.

Confira abaixo o slideshow com momentos marcantes da carreira de Ronaldo:

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