
Aos 23 anos, Marcelo Cirino chegou à Gávea no início do ano com status de principal reforço do Flamengo para a temporada e maior investimento da atual diretoria rubro-negra, que contou com o aporte de R$ 16,5 milhões de um grupo financeiro para tirar o atacante do Atlético. Tamanha responsabilidade, no entanto, não parece pesar nos ombros do jogador: a julgar pelo bom início, Cirino não deverá ter dificuldade para mostrar que a aposta valeu a pena.
Conhecido pelas arrancadas e o chute potente de longa distância, o camisa 7 encontrou no clube carioca uma nova posição em campo, o comando do ataque, mudança proposta pelo técnico Vanderlei Luxemburgo já na pré-temporada. O resultado se vê na tabela de artilharia do Carioca: nove gols, e a chance de ser goleador logo na primeira competição pelo Flamengo. O atacante paranaense de jeito calado se revela surpreso com a nova condição de artilheiro: “Não imaginava [estar brigando pela artilharia], mas fico muito feliz por isso. O meu forte sempre foi a assistência, não era minha especialidade estar próximo do gol, dentro da área. Fazia alguns gols, mas sempre fui de jogar pelas beiradas e procurar o centroavante que estava mais próximo do gol”, afirma Cirino, de 1,82m.
Devido aos seguidos desfalques no ataque, ele voltou a jogar, nas últimas partidas, pelos lados do campo, como nos tempos do Atlético-PR. E a torcida do Flamengo viu o lado “garçom” do camisa 7. Na vitória por 2 a 1 sobre o Bangu, Cirino deu um passe milimétrico para Alecsandro abrir o placar. Sem disfarçar um certo orgulho, ele não esconde que a qualidade no passe é um dos destaques do seu repertório. “Algumas coisas para mim são novidade, mas essa parte de assistências não, já estava acostumado”, garante o jogador.
Embora os desfalques continuem atrapalhando o time no clássico deste sábado (4), Cirino se diz tranquilo para o Fla-Flu: “Quando você não consegue repetir a equipe, dificulta o entrosamento, mas o professor [Luxemburgo] procura trabalhar todos os jogadores nos treinamentos, para todos estarem com o mesmo ritmo, sabendo o que tem de ser feito. Podemos não ter todos os jogadores, mas quem entrar vai dar conta do recado”.
Lembranças do Fla-Flu
Do outro lado, estará um dos rivais de Cirino na luta pela artilharia: o atacante tricolor Fred, que tem os mesmos nove gols do rubro-negro e do surpreendente Rodrigo Pinho, do Madureira. Agora que conheceu seu lado goleador, o atacante espera levar vantagem sobre o concorrente direto no Fla-Flu. “É um duelo de artilheiros. Espero fazer mais gols e ficar na frente dele”, diz Cirino, lembrando que, artilharia à parte, o objetivo principal são os três pontos: “Estou concentrado em fazer uma boa partida. O mais importante é vencer, independentemente de fazer gol ou dar assistências. Ninguém é campeão sozinho, o Vanderlei pede que estejamos sempre concentrados e que nos ajudemos. Este é o espírito”.
Em seu primeiro Fla-Flu, Cirino se recorda de quando acompanhava, em Maringá, as transmissões do famoso clássico carioca. “É um sonho poder disputar um Fla-Flu. Só me acostumei a ver e ouvir. Poder entrar em campo será especial. Independentemente de ser um momento decisivo ou não, é um clássico de renome, que mexe com torcedores e jogadores. Contamos com nossa torcida para proporcionarmos uma grande partida. E que tudo seja em clima de paz, dentro e fora do estádio”, pede o atacante.



