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corrupção no futebol

J. Hawilla vive em liberdade nos EUA após acordo para pagamento de multa

Dono da empresa que negocia direitos de transmissão de tevê da Libertadores e que comercializou os da Copa 2014 está colaborando com a Justiça dos EUA

Sede da Traffic Sports em São Paulo: J. Hawilla, dono da empresa, admitiu o envolvimento em crimes e segue livre nos EUA. | Nacho Doce/Reuters
Sede da Traffic Sports em São Paulo: J. Hawilla, dono da empresa, admitiu o envolvimento em crimes e segue livre nos EUA. (Foto: Nacho Doce/Reuters)

O empresário J. Hawilla, 71, está em liberdade e continua vivendo nos EUA, informou quarta (27) o seu advogado, José Luiz de Oliveira Lima.

Hawilla, dono do Grupo Traffic, uma das maiores empresas de marketing esportivo do mundo e que negocia direitos de transmissões de tevê e publicidade de grandes eventos, como a Copa América e a Libertadores, fez acordo com a Justiça dos EUA e vai devolver US$ 151 milhões (pouco mais de R$ 475 milhões) ao confessar extorsão, fraude eletrônica, lavagem de dinheiro e obstrução da justiça.

Segundo Oliveira Lima, “o empresário apoia as investigações e prestou os esclarecimentos necessários à autoridades americanas. A Tusa [braço da Traffic nos EUA] fez um acordo e pagará multa às autoridades competentes”.

A empresa de J. Hawilla é a atual responsável pelos direitos de torneios como a Libertadores, passes de jogadores como o argentino Conca e o brasileiro Hernanes, dona de times como o Estoril Praia, de Portugal, e pelas vendas de camarotes do Allianz Parque, estádio do Palmeiras, em São Paulo.

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A Traffic teve exclusividade na comercialização de direitos internacionais de tevê da Copa do Mundo da Fifa no Brasil, em 2014. O empresário brasileiro também foi o responsável pelo contrato celebrado em 1996 entre a Nike e a seleção brasileira – alvo de uma CPI, encerrada em junho de 2001, sem desdobramentos práticos.

Em 2008, J. Hawilla foi eleito o 56º homem mais influente do futebol mundial pela revista britânica World Soccer.

Nesta quarta, o ex-presidente da CBF, José Maria Marín, 83 anos, e outros seis dirigentes da Fifa foram detidos pela polícia suíça em uma operação surpresa, realizada a pedido das autoridades dos Estados Unidos. Os cartolas são investigados pela Justiça americana em um suposto esquema de corrupção.

As acusações, segundo a polícia suíça, estão relacionadas a um vasto esquema de corrupção de mais de US$ 100 milhões dentro da Fifa nos últimos 20 anos, envolvendo fraude, extorsão e lavagem de dinheiro em negócios ligados a campeonatos na América Latina e acordos de marketing e transmissão televisiva.

Além do ex-presidente da CBF José Maria Marín e de J. Hawilla, outro brasileiro é citado pela Justiça americana no escândalo de corrupção entre a Fifa e empresas de marketing e transmissão esportiva. José Margulies, 75, que é proprietário das empresas Valente Corp. e Somerton Ltd., ambas ligadas a transmissões esportivas.

Segundo o departamento de Justiça, Margulies supostamente atuou como intermediário para facilitar pagamentos ilegais entre executivos de marketing esportivo e autoridades do futebol.

Negócios lucrativos

O Departamento de Justiça americano indiciou 14 pessoas por fraude, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha: nove dirigentes da Fifa e cinco executivos de empresas ligadas ao futebol.

Que fique claro: este não é o último capítulo na nossa investigação

Kelly T. Currie, procurador norte-americano

O grupo é acusado de armar um esquema de corrupção com propinas de pelo menos US$ 150 milhões, que existe há pelo menos 24 anos.

“O indiciamento sugere que a corrupção é desenfreada, sistêmica e tem raízes profundas tanto no exterior como aqui nos Estados Unidos”, disse a procuradora-geral Loretta Lynch. “Essa corrupção começou há pelo menos duas gerações de executivos do futebol que, supostamente, abusaram de suas posições de confiança para obter milhões de dólares em subornos e propina”.

A nota divulgada pela Justiça americana afirma ainda que investiga suposto pagamento e recebimento de suborno e propina em um acordo de patrocínio “da CBF com uma grande fabricante de roupas esportivas dos EUA”, na seleção do país anfitrião da Copa do Mundo de 2010 e nas eleições presidenciais da FIFA em 2011.

“Que fique claro: este não é o último capítulo na nossa investigação”, disse o procurador americano Kelly T. Currie, durante o anúncio dos envolvidos no esquema de corrupção.

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