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Organizador da Copa de 2010, Danny Jordaan | Gallo Images/Getty Images
Organizador da Copa de 2010, Danny Jordaan| Foto: Gallo Images/Getty Images

O governo sul-africano sabia dos pagamentos considerados pelo FBI como propinas para garantir a Copa do Mundo de 2010 no país de Nelson Mandela. Uma carta publicada pelo jornal Mail & Guardian da África do Sul revela como pelo menos dois ministros do governo de Thabo Mkebi foram consultados sobre os pagamentos. Pretória nega qualquer envolvimento.

A carta era de Danny Jordaan, o organizador do Mundial, ao secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke. Nela, ele aponta que debateu a transferência de US$ 10 milhões com Nkosazana Dlamini-Zuma, na época ministra de Relações Exteriores e hoje presidente da União Africana, e Jabu Moleketi, então vice-ministro de Finanças.

A carta é de dezembro de 2007 e Jordaan indica a Valcke opções de caminho para que o dinheiro seja pago para cartolas do Caribe. Oficialmente, os sul-africanos insistem que o dinheiro era parte de um programa social para atender a “diáspora” no Caribe. Mas, para o FBI, o dinheiro era um suborno em troca do voto de Jack Warner, o poderoso vice-presidente da Fifa naquele momento.

Valcke já negou qualquer envolvimento e disse que não renuncia. Segundo ele, quem aprovou o envio de dinheiro foi outro dirigente, Julio Grondona, morto no ano passado.

Mas, na carta, Jordaan pede a Valcke que organize a transferência e indica o conhecimento do caso pelas autoridades. “O governo sul-africano assumiu o pagamento equivalente a US$ 10 milhões para o programa de legado para a diáspora”, escreveu.

Segundo o cartola, o vice-ministro Moleketi “recomendou que o dinheiro passe pela Fifa”. Moleketi insistiu que a carta era uma ‘fabricação’ e que jamais falou disso com Jordaan.

A carta ainda revela que o cartola ‘discutiu’ com a ministra Nkosazana Dlamini-Zuma, que defendeu que o dinheiro passasse pelo Comitê Organizador Local. “Diante disso, eu sugiro que a Fifa deduza do orçamento futuro do COL e que lide diretamente com o pagamento”, escreveu Jordaan.

Na prática, a triangulação afastaria o governo de qualquer envolvimento numa transferência de dinheiro. Três meses depois, outra carta instruiria Valcke a fazer o pagamento e pediria que Warner fosse o destinatário.

Numa outra revelação, um cheque enviado ao delator do escândalo, Chuck Blazer, seria um dos indícios de que os sul-africanos repassaram dinheiro. Blazer, aliado de Warner, recebeu US$ 750 mil e o cheque seria a primeira parcela de três pagamentos de US$ 250 mil.

O cheque, porém, foi de um banco de Trinidad e Tobago, país de Warner, e dado ao cartola no aeroporto de Nova Iorque.

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