
Duas datas recentes agora são indissociáveis para o meia Geraldo, 18 anos, jogador do Coritiba. Os dias 18 de abril e 5 de maio de 2010 deram liga. Não há mais como lembrar do gol do título do Campeonato Paranaense, o primeiro do angolano com a camisa alviverde, sem recordar da homenagem que recebeu de seus irmãos de pátria três semanas depois. Nos dois casos, não tem mais jeito, a emoção tomou conta.
"É um sentimento e tanto, estou falando de coração. É algo bom compartilhar essa felicidade que senti no dia gol com essas pessoas maravilhosas, que tem um talento enorme e um dia vão estar brilhando também. E vou aplaudir, bater muita palma", disse Geraldo, visivelmente emocionado pela segunda vez no gramado do Couto Pereira.
Assim como a jovem revelação do Alto da Glória, Wilson Madeira, Prudêncio Tumbika, Maurício Tchop, Emília Cussama e Francisco Kata também vieram de longe. Atravessaram o oceano há dez anos para buscar um futuro no Brasil. Enfrentando um obstáculo a mais todos são deficientes visuais que vivem no Instituto Paranaense de Cegos, em Curitiba encontraram na música uma maneira de expressar a alegria pelo sucesso do compatriota.
"O meu sucesso é o dele, o sucesso dele é o nosso também" resume Wilson, 22 anos, o mais velho do grupo e responsável por comandar o violão. "É uma questão de irmandade. Nós, angolanos, somos muito patriotas. Todo mundo cuida de todo mundo", continua ele, citando os outros seis conterrâneos também que vieram para Curitiba em busca de estudo.
Com uma letra simples e direta e uma melodia contagiante, a música expressa toda dificuldade e superação do povo africano, em meio às guerras e ao sofrimento que existe por lá. No entanto, na mensagem mais forte é a da esperança e da alegria de uma população que não desiste de lutar para mudar sua realidade.
"Do mesmo jeito que foi difícil para nós, sabemos que foi difícil para ele lutar pelo seu sonho. Tanto nós quanto ele temos uma missão aqui no Brasil, que é fazer história, mostrar nossa cultura, e, quando voltarmos para o nosso país, levarmos essa experiência", afirma Wilson, antes de fazer um pedido.
"Agora antes de entrar nos jogos você vai escutar essa música e fazer bastante gol", brinca. A resposta: "vou comemorar dançando kuduro" (ritmo musical e de dança genuínamente angolano), promete Geraldo, no dia em que voltou para sua terra natal sem sair do Couto Pereira.
Confira o vídeo de como foi a homenagem que os fãs angolanos, compatriotas de Geraldo, fizeram ao atacante.



