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Copa do Brasil

Mancini trabalha para reverter vantagem do Flamengo na decisão

Com música, palestras de outros esportistas e muita conversa, técnico atleticano se tornou especialista em motivar jogadores para decisões

Vagner Mancini quer o Atlético vibrante no Maracanã contra o Flamengo | Felipe Rosa/Tribuna do Paraná
Vagner Mancini quer o Atlético vibrante no Maracanã contra o Flamengo (Foto: Felipe Rosa/Tribuna do Paraná)

Após a partida na Vila Ca­­pa­­nema, quarta-feira, Vag­ner Mancini detectou que o Atlético "sentiu o peso" de jogar a final da Copa do Bra­sil. Refugada que, para quem conhece de perto o treinador, não há chance de se repetir no confronto derradeiro com o Flamengo, amanhã, às 21h50, no Maracanã.

Em 15 anos à beira do gramado, o ex-jogador tornou-se especialista em motivar as equipes que comanda. Nem sempre é o suficiente para chegar às vitórias, é claro. Mas não faltará ao Furacão disposição para lutar pelo título inédito.

"Ele se preocupa muito com a parte emocional dos atletas. Tanto quanto as orientações técnicas e táticas. Está sempre conversando, às vezes ocasionalmente, sentindo o nível de concentração, de competitividade de todos", comenta Fábio Vidal, lateral-esquerdo do Paulista de Jundiaí, campeão da Copa do Brasil com Mancini em 2005.

A conquista dos paulistas, aliás, lembra muito a situação atleticana. Um clube sem o mesmo apelo do adversário (Fluminense), que empatou em casa o primeiro duelo (0 a 0) e mesmo assim ficou com a taça (ao vencer por 2 a 0, em São Januário).

"O Mancini explorou muito a nossa condição de zebra", complementa Vidal. A conquista do Paulista tinha até um "hino" nesse sentido. Sempre antes de pisar o gramado, os atletas entoavam o tema do He-Man: "Eu tenho a força/ Sou invencível/ Vamos amigos/ Unidos venceremos a semente do mal", diz a música do conjunto Trem da Alegria, de 1986, sobre o personagem de desenho animado.

A estratégia de "patinho feio" já funcionou no CT do Caju. Ao término da semifinal do torneio com o Grêmio, os jogadores do Atlético não cansaram de alardear que haviam sido "menosprezados" pelo adversário, considerado favorito para alcançar a final.

Outra artimanha emocional que tem surtido efeito é o apoio dos torcedores no Aeroporto Afonso Pena. No Rubro-Negro, Mancini trabalha ao lado do psicólogo Gilberto Gaertner, responsável pelo setor em todas as categorias do clube. Tem também o auxílio do diretor técnico An­tônio Lo­pes, sempre atento aos que os oponentes andam falando por aí.

Quem tam­bém já foi par­ceira no assunto foi a ex-jogadora de basquete Hor­tência. "Sou amiga do Man­cini e ele me convidou para fazer uma palestra com os atletas do Paulista, na decisão da Copa do Brasil. Ele sabe como é difícil motivar e manter focado um grupo grande de jogadores", relembra a rainha do esporte no Brasil.

Preocupação que é herança dos tempos de boleiro. "O Mancini é um líder nato. Sempre com uma opinião certeira, atento para a parte humana do esporte. Tenho certeza de que o Atlético vai entrar muito ligado", afirma Reginaldo Nascimento, ex-volante, hoje agente de atletas, companheiro do técnico no Coritiba em 1997.

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