
Jürgen Klinsmann era o convidado mais aguardado desta 8ª edição do Footecon, o maior fórum internacional de futebol do país. O alemão, campeão mundial como jogador em 1990 e técnico da seleção alemã na Copa de 2006, o atual treinador da seleção norte-americana comprovou as expectativas e os reais investidos por uma infinidade de ex-jogadores, técnicos, candidatos a técnicos e empresários que chegaram cedo ao Copacabana Palace, no Rio de Janeiro, para ouvir a palestra.
Sorridente, ele falou de Neymar, Barcelona, a nova safra do futebol alemão e, é claro, seleção brasileira. Deu sugestões a Mano Menezes, um dos tantos convidados de honra que asseguraram um lugar na primeira fila, sempre lembrando de sua experiência na Copa de 2006, na Alemanha, quando levou o time da casa a um honroso terceiro lugar. "Ganhamos o povo", disse.
Acompanhe os principais trechos da entrevista coletiva que sucedeu a principal palestra do Footecon:
É indiscutível a qualidade da nova safra de jogadores da Alemanha. Gente como Thomas Müller, Özil, Boateng e Mario Götze. O que esse time pode fazer na Copa de 2014, que será disputada no Brasil?Pena essa geração não disputar a Olimpíada [de Londres, em 2012], seria uma experiência incrível. Essa geração se desenvolveu nos últimos seis anos e agora chegou a hora de colher os frutos. Esse pessoal tem condição de desafiar as grandes equipes, como Brasil e Espanha. Antes, porém, tem o campeonato europeu [Eurocopa, também em 2012].
Nesta terça-feira (06), o técnico da seleção brasileira, Mano Menezes, reclamou da formação dos atletas no país, pedindo que os clubes criem uma filosofia de trabalho nos moldes do Barcelona. Que conselho você poderia dar a ele?Vocês são diferentes aqui no Brasil, por isso muito do que se aplica na Alemanha não serve.
E que dica daria então ao Mano em relação ao Mundial de 2014? A pressão por vencer em casa já é imensa.O Mano está diante de um grande desafio, precisa moldar uma equipe, o que não é fácil. Diria a ele para colocar muita fé nos novos, isso é muito bom.
Gente como Neymar? Já ouviu falar dele?Sim, sim. É um jogador impressionante. Gostaria muito de tê-lo na minha equipe.
Ele acabou de renovar com o Santos, recusando propostas de poderosos clubes europeus, como Real Madrid, Barcelona e Chelsea. Existe a possibilidade de que fique no país até 2014. Que avaliação você faz da decisão do atleta?É uma coisa muito pessoal. É ele quem tem de decidir. Mas acredito que tenha tomado a decisão certa. Eu só fui jogar na Itália [na Inter de Milão] com 24 anos, quando me julguei preparado.
Algum palpite para um possível encontro entre Santos e Barcelona na final do Mundial de Clubes, no Japão?Difícil, muito difícil [risos].
Como você descreveria o Klinsmann treinador?Procuro aprender muito com outros treinadores, em outros países. Sempre que ouço outros técnicos, anoto tudo e depois uso o que eles falam. Isso é muito importante.
A Alemanha em 2006 abraçou a seleção, que chegou ao terceiro lugar no Mundial. Aqui, em princípio, está sendo diferente, com denúncias de corrupção envolvendo dirigentes. Até que ponto isso pode atrapalhar?Só quem vive o país sabe ao certo dos problemas. Mesmo com um mundo globalizado, com comunicação rápida, aprendi que não podemos acreditar em tudo o que sai na imprensa. Agora é o Brasil que tem de saber qual imagem quer deixar. É preciso abraçar a causa.
* O jornalista viajou a convite da organização do Footecon.



