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Carnaval

O malandro deu lugar ao bom moço

Garrincha na mesa de sinuca com Roberto Carlos: o anjo das pernas tornas era o símbolo do malandro dentro e fora de campo | Arquivo/Agência O Globo
Garrincha na mesa de sinuca com Roberto Carlos: o anjo das pernas tornas era o símbolo do malandro dentro e fora de campo (Foto: Arquivo/Agência O Globo)
Pelé na Copa de 1970: o símbolo máximo de um tempo em que o futebol brasileiro era sinônimo de Carnaval dentro de campo |

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Pelé na Copa de 1970: o símbolo máximo de um tempo em que o futebol brasileiro era sinônimo de Carnaval dentro de campo

Renato Gaúcho se garantia na bola e no samba |

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Renato Gaúcho se garantia na bola e no samba

A torcida do Atlético com bandeirões, em um desfile para celebrar vitória em um Atletiba |

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A torcida do Atlético com bandeirões, em um desfile para celebrar vitória em um Atletiba

Castor de Andrade e Ricardo Teixeira: ex-presidente do Bangu era o estereótipo do cartola |

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Castor de Andrade e Ricardo Teixeira: ex-presidente do Bangu era o estereótipo do cartola

O carnaval também se distanciou do futebol no comportamento dos atletas. Da avenida e do samba, os boleiros ainda gostam. A imagem de jogador "malandro", porém, pega mal em tempos de exploração da imagem e profissionalização total.

Veja algumas imagens que representam a parceria entre futebol e Carnaval

"Atualmente todos se parecem muito iguais, falta personalidade própria. Há uma cobrança muito maior, assessores em cima, gente que fica vigiando e tolhendo as vontades dos jogadores", afirma o ex-atacante e treinador Renato Gaúcho, assíduo frequentador do carnaval carioca.

"Eu aproveitava mesmo o carnaval, desfilava na avenida, mas me garantia. No dia seguinte, se fosse o caso, estava treinando e botando tudo para fora. Hoje o jogador não se garante e fica preocupado com o que vão dizer se o virem por aí", diz Renato.

Com a proliferação dos smartphones e as redes sociais, um descuido dos atletas pode ser fatal para a imagem perante o torcedor. No caso das estrelas, ainda pesam contratos de patrocinadores e a pressão dos empresários. Preocupação que resulta em atitudes robotizadas, como as do atacante Neymar, e faz outros assumirem a condição de jogador bonzinho, como o zagueiro David Luiz, fenômeno de popularidade na Copa-2014, o preferido das crianças.

Quem também critica a mudança de postura dos atletas é Barcímio Sicupira. O maior artilheiro da história do Atlético, com 157 gols, tinha apreço igual ao de Renato pela madrugada. De 1964 a 67 passou pelo Botafogo, época em que dividiu o vestiário com lendas como Gerson e Garrincha, e constatou a paixão dos atletas pela folia.

"O jogador de antigamente era um pouco mais livre. Quase todo mundo gostava de carnaval, a maioria desfilava. Infelizmente, passei só um no Rio. Fui pegar gosto pela festa depois, quando já havia parado de jogar", diz o comentarista da Rádio Banda B.

No início dos anos 80, Sicupira foi convidado por Charrão, ex-companheiro de Rubro-Negro, para integrar a escola de samba curitibana Mocidade Azul. Também foi jurado da "Bem Bolada" (concurso que elegia a melhor garota da noite da capital) e de concurso de fantasia.

Uma mudança geral no cenário também empurrou os boleiros para longe dos ritmos da principal festa brasileira. "O Brasil ficou mais pop, surgiu o funk, o sertanejo universitário e congêneres, houve uma diluição e os jogadores passaram a curtir todo tipo de música", aponta Beto Xavier, jornalista e autor do livro Futebol no país da música.

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