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Natação

Michael Phelps faz a quebra de recordes parecer fácil

Perante a mãe e o presidente George W. Bush, fenômeno norte-americano abre sua jornada por oitos ouros

Michael Phelps comemora o primeiro ouro em Pequim no pódio... | David Gray/ Reuters
Michael Phelps comemora o primeiro ouro em Pequim no pódio... (Foto: David Gray/ Reuters)
Antes de entregar as flores recebidas pelos medalhistas à primeira-dama Laura Bush. |

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Antes de entregar as flores recebidas pelos medalhistas à primeira-dama Laura Bush.

A corrida pelo ouro de Phelps |

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A corrida pelo ouro de Phelps

A mãe na arquibancada, claramente emocionada. Na tribuna de honra, a família Bush aplaudindo o herói nacional. E no pódio, um sorridente Michael Phelps, ouro no peito e recorde mundial no currículo. Não poderia ter começado melhor a jornada do maior fenômeno da natação rumo ao recorde de medalhas douradas em uma única Olimpíada.

Eram pouco menos de 10 horas da manhã em Pequim (23 horas de sábado) quando Phelps deixou o vestiário do Cubo D’Água para a disputa dos 400 m medley. Fone no ouvido, não apresentava mais o bigode e o cavanhaque ostentados nos últimos dias, que motivaram uma dispensável – para ele – associação ao visual em Munique-1972 de Mark Spitz, dono do recorde de sete medalhas em uma edição dos Jogos, que Phelps está próximo de quebrar.

Exatamente às 10 horas ele caiu na água. Quatro minutos, três segundos e 84 centésimos depois ele bateu na borda da piscina. Sorriu imediatamente. O ouro e o recorde mundial da distância eram seus, em uma rotina que deve se repetir muitas vezes em Pequim.

"Estou muito feliz. Esta é uma prova especial para mim. Sabia que iria ser muito difícil", disse, desmentindo o que o mundo todo acabava de ver. Na segunda metade da prova, o norte-americano nadou praticamente sozinho.

Já segurando a medalha na mão direita, enquanto passa pela zona de entrevistas, mostra para quem tenta falar com ele em um inglês macarrônico que irá parar mais na frente, nos compatriotas. Sorri sempre, confiante. Conta que a primeira coisa que viu depois de tocar a parede e confirmar o feito foi a mãe e a irmã, ao olhar para as arquibancadas. Logo depois o presidente norte-amricano, que teria lhe feito um aceno com a cabeça. Ele gostou da intimidade.

"Ele me olhou e me saudou", diz, rápido, e vai.

Não há muito tempo a perder. Já se foram duas provas e o nadador ainda deverá ter outras 18 até o dia 17. Normalmente, três por dia, como foi ontem. Enquanto você lê esse texto, Phelps já caiu na água mais vez, para a final do revezamento 4 x 100 m livre.

"Estou apenas indo e fazendo o melhor que posso", responde, já na entrevista coletiva, devidamente abrigado no ar-condicionado – ela teve de ser atrasada em uma hora para que Phelps recebesse, antes, o aperto de mão de Bush.

Entre outras respostas, afirmou ter gostado do apoio da torcida quando estava na frente – o Cubo parecia ir abaixo, principalmente após a confirmação da marca, sua oitava quebra na prova em seis anos. Demonstra interesse na pergunta de um jornalista chinês, mesmo sabendo que é só para ver se ele enaltece os Jogos. E continua com bom humor perante o bombardeio de perguntas só travado pela organização. Para finalizar, diz que foi a última vez que disputou o 400 m medley, pois é muito desgastante.

"Me disseram que na despedida seria legal bater o recorde, e foi o que fiz."

Parece simples.

Enquanto isso, George Bush e comitiva saíam de fininho, paralisando por uns 10 minutos o trânsito de carros e pessoas na frente do Cubo. Não ficaram para ver as outras duas provas eliminatórias que o atleta participou. Se quiserem voltar, o lugar na frente do prédio já está garantido: um espaço para 12 caminhonetes mais duas limusines. Tudo preto e com o distinivo "President of the United States".

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