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Paralimpíada

A segunda vida, dentro do esporte

Brasileiros, vítimas de doenças congênitas ou de acidentes, ganham a chance de recomeçar, transformando o país em potência paralímpica

Seleção brasileira de vôlei sentado comemora mais uma vitória: time formado por jogadores vítimas de violência, especialmente do trânsito | Divulgação/ Comitê Palímpico Brasileiro
Seleção brasileira de vôlei sentado comemora mais uma vitória: time formado por jogadores vítimas de violência, especialmente do trânsito (Foto: Divulgação/ Comitê Palímpico Brasileiro)

A versão paralímpica do esporte coletivo mais bem-sucedido do Brasil nos Jogos de 2012, encerrados no último domingo, foi moldada pelo drama. Enquanto a seleção feminina alcançou o ouro e os comandados de Ber­­nardinho ficaram com a prata na Olimpíada, mais da metade da delegação do vôlei sentado, primeiro encontrou no esporte a reabilitação para só depois almejar o sucesso a partir do dia 29, com o início da Paralimpíada.

Dos 22 convocados que embarcaram na semana passada para a Grã-Bretanha, 12 são vítimas de graves acidentes de trânsito – 10 deles tiveram uma ou as duas pernas amputadas – e descobriram uma oportunidade nas quadras.

O vôlei brasileiro na Pa­­ra­­limpíada é o esporte que concentra mais vítimas de violência entre as 18 modalidades que terão participação verde e amarela daqui a dez dias, com a estreia dos Jogos.

Além dos que amargaram sequelas por causa de acidentes – atropelamento, colisão de carro e, especialmente, de moto (oito casos, refletindo o crescimento de 846,5% em acidentes envolvendo motociclistas entre 1996 e 2010) –, a seleção também conta com o integrante de outra dura estatística.

O curitibano Daniel Jorge da Silva é um dos quatro atletas brasileiros em Londres vítima de arma de fogo. Aos 19 anos, ele levou um tiro e teve de amputar a perna direita. Cinco anos após o incidente, começou a praticar arremesso de dardo, como parte da recuperação e, em 2005, passou a competir no vôlei sentado. O atacante agora vai disputar a sua segunda Paralimpíada.

O esporte, que abriu portas para Daniel, ajudou na rea­bilitação e virou profissão de muitos atletas que transformaram o Brasil em uma potência paralímpica. No Pararan de Guadalajara-2011, por exemplo, o país liderou o quadro de medalhas, 197 a 132 sobre os Estados Unidos, segundos colocados. Na Paralimpíada de Pequim-2008, o nono lugar na classificação, com 47 pódios, representou o melhor desempenho brasileiro nos Jo­­gos Paralímpicos.

Dos 182 integrantes da delegação, ao menos 35 encontraram no esporte uma forma de lidar com as adversidades que comprometeram o intelecto, a visão, a força, a mobilidade e ou até a socialização. Outros 16 começaram uma atividade física por indi­cação médica como forma da tratar das suas limitações e agora representam o Brasil na principal competição esportiva para deficientes.

É o caso de Vanderson Al­­ves da Silva, de Barra Mansa (RJ). Ele teve a perna amputada ao ser atropelado por um trem, aos 15 anos. Começou a nadar como forma de reabilitação e introduziu o esporte na sua rotina. Passou para o atletismo e estreia na Paralimpíada com o status de recordista brasileiro e sul-americano no lançamento de disco.

A maioria dos atletas enfrentou doenças congênitas (62 casos) ou desenvolvidas com o tempo (53) e teve as quadras, pistas, tatames e piscinas como suporte comum.

Um bom exemplo é o paulista Dirceu José Pinto, ouro na bocha em Pequim, no individual e em duplas. Ele começou a jogar em 2002, ao ser diagnosticado com uma doença degenerativa muscular. Aos 22 anos, iniciou o processo de transição da vida de andante para a de cadeirante e teve no esporte o apoio físico e psicológico para encarar as mudanças. Uma entre tantas na sua vida.

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