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rio-2016

Curitibanos criam hino e bandeira da equipe olímpica de refugiados

Publicitários Artur Lipori e Caro Rebello estão à frente do projeto The Refugee Nation, responsável pela criação dos símbolos de identidade da primeira delegação de refugiados dos Jogos Olímpicos

Judoca congolesa Yolanda Bukasa, que mora no Rio desde 2013, com a bandeira da equipe olímpica de refugiados da Rio-2016. | The Refugee Nation/
Judoca congolesa Yolanda Bukasa, que mora no Rio desde 2013, com a bandeira da equipe olímpica de refugiados da Rio-2016. (Foto: The Refugee Nation/)

Dois publicitários curitibanos estão à frente da criação da bandeira e do hino da primeira equipe de atletas refugiados dos Jogos Olímpicos. Artur Lipori, 32 anos, e Caro Rebello, 30, ambos residentes em Nova York, se juntaram em maio a outros oito profissionais de publicidade para criar os símbolos.

Rio-2016 é o recomeço para atletas da equipe olímpica de refugiados

O objetivo é não só dar identidade para o time de dez atletas na Rio-2016 - cinco corredores sul-sudaneses, dois nadadores sírios, dois judocas congolenses e um corredor etíope -, mas também chamar a atenção para a causa humanitária de 65 milhões de refugiados.

“A gente não quer que nossa ação termine na Olimpíada. Queremos que a partir da visibilidade dos Jogos as pessoas se engajem e ajudem os refugiados, seja com doações ou serviços voluntários”, explica Lipori.

O projeto, chamado de The Refugee Nation (Nação de Refugiados), tem o apoio da Anistia Internacional. Segundo Lipori, a ideia também foi bem aceita pelo Comitê Olímpico Internacional (COI). Mesmo assim, a entidade optou por não quebrar o protocolo na cerimônia de abertura da Rio-2016, quando a delegação de refugiados desfilou com a bandeira olímpica.

Criação

Para criar os símbolos, o grupo foi atrás dos próprios refugiados. Os escolhidos foram o músico Moutaz Arian, para o hino, e a artista plástica Yara Said, para a bandeira. Os dois tiveram de fugir da guerra civil da Síria.

Por causa do conflito em seu país, Moutaz não conseguiu concluir o curso de Música na Universidade de Damasco e hoje vive como músico de rua em Instambul, Turquia. “Ele foi escolhido porque disse que não queria fazer música apenas para árabes e curdos, mas para o mundo”, explica Lipori.

Arian optou por não incluir letra no hino. “Como a crise dos refugiados é global, ele preferiu mandar a mensagem pela própria canção”, aponta o publicitário.

A música começa de forma mais densa, numa referência ao sofrimento dos refugiados, e, no fim, ganha um tom mais vibrante, com a mensagem de esperança a quem é expulso de seu país.

Já a bandeira criada por Yara, que trabalha em uma ONG de refugiados em Amsterdam, Holanda, tem as mesmas cores dos coletes salva-vidas usados pelos refugiados para cruzar o Mar Mediterrâneo em direção à Europa. A bandeira é laranja com uma faixa preta horizontal. “A faixa é uma metáfora, já que quando as pessoas ficam envoltas pela bandeira parece o feixe do colete salva-vidas”, ressalta Lipori.

O projeto já produziu 2 mil bandeiras que estão sendo distribuídas na Rio-2016 e a quem as solicita nos canais do The Refugee Nation, que está à procura de parceiros para aumentar a produção. “A maioria dos pedidos são de refugiados. Mas é muito legal quando uma pessoa pede a bandeira para torcer pelos refugiados na Olimpíada”, destaca Lipori.

Equipe de refugiados na cerimônia de abertura da Rio-2016. | FRANCK FIFE/AFP

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Equipe de refugiados na cerimônia de abertura da Rio-2016.

Bandeira criada por dupla de publicitários curitibanos para a equipe de refugiados da Rio-2016. | The Refugee Nation

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Bandeira criada por dupla de publicitários curitibanos para a equipe de refugiados da Rio-2016.

Nadadora síria Yasra Mardini, da equipe de refugiados da Rio-2016. | CHRISTOPHE SIMON/AFP

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Nadadora síria Yasra Mardini, da equipe de refugiados da Rio-2016.

Corredores sul-sudaneses da equipe de refugiados da Rio-2016 treina no Quênia, onde vivem os em um campo de refugiados. | TONY KARUMBA/AFP

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Corredores sul-sudaneses da equipe de refugiados da Rio-2016 treina no Quênia, onde vivem os em um campo de refugiados.

Judoca Popole Misenga, do Congo e que mora no Rio, com a bandeira da equipe olímpica de refugiados. | The Refugee Nation

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Judoca Popole Misenga, do Congo e que mora no Rio, com a bandeira da equipe olímpica de refugiados.

Corredores sul-sudaneses da equipe de refugiados da Rio-2016. | Albari Rosa/Gazeta do Povo

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Corredores sul-sudaneses da equipe de refugiados da Rio-2016.

Presidente do COI, Thomas Bach, recebe os atletas da equipe de refugiados na Rio-2016. | ED JONES/AFP

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Presidente do COI, Thomas Bach, recebe os atletas da equipe de refugiados na Rio-2016.

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