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‘Mães olímpicas’: a doce rotina de ser fã, técnica e psicóloga

Mães de atletas contam dificuldades dos filhos no esporte, o que aprenderam com elas e as alegrias que vivem juntos

Nas fotos, Ágatha e Henrique Rodrigues com suas mães Maria e Sônia. | Arquivo Pessoal e FIVB/
Nas fotos, Ágatha e Henrique Rodrigues com suas mães Maria e Sônia. (Foto: Arquivo Pessoal e FIVB/)

Eles têm troféus, medalhas, quebram recordes... Mas foram elas, as mães, as responsáveis pelo início de suas carreiras.

Viram os primeiros progressos e os primeiros erros, cuidavam das lesões, do cansaço dos treinos, consolaram os filhos quando as dificuldades apareceram. Por vezes, mudaram de vida só para ver o filho se sobressair na difícil aposta profissional.

A mãe do nadador curitibano Henrique Rodrigues, Sônia Maria Cavalcanti Rodrigues, 55 anos, é um exemplo. Quando o filho único saiu de casa aos 15 anos para treinar em Belo Horizonte, não vacilou: fez as malas e foi junto.

Em 2012, Henrique disputou os Jogos Olímpicos de Londres. Lá, Sonia viu o filhote fazer a semifinal nos 200 metros medley; agora se prepara para assistir Henrique disputar a Olimpíada do Rio.

“Ainda não conseguimos ingressos para a final. Sabemos que tudo é possível, é uma prova tão rápida. Fico triste junto como ele, quando não atinge o que se esforçou tanto. Então faço o tudo para ele a estar preparado”, conta, orgulhosa.

Suportar a distância física das filhas foi o primeiro teste que o esporte impôs a Maria Nice Santos Pereira, 53 anos, e Maria José Vagnoni Moscardi Bednarczuk, 54 anos, mães da tenista Teliana Pereira e da jogadora de vôlei de praia Ágatha, respectivamente.

As duas atletas começaram cedo a competir por todo o país e internacionalmente. O segundo teste foi ver as garotas enfrentarem obstáculos como a falta de dinheiro. E ainda tem as decepções.

Em 2014, quando já era campeã brasileira no vôlei de praia, a curitibana Ágatha ficou de fora de uma convocação para a seleção nacional. “Sofremos muito, ela não entendia os motivos. Achei que ela ia parar. Mas não desistiu e no ano seguinte foi campeã mundial, sendo a melhor jogadora”, diz Maria José.

Maria Nice também destaca o orgulho que sente da persistência da filha Teliana, que ano passado quebrou um jejum de 20 anos sem brasileiras entre as 100 melhores tenistas do mundo.

O feito veio depois de uma difícil recuperação de sucessivas cirurgias no joelho. “Nunca interferi muito, eu mesma nunca pratiquei esporte. E foi muito emocionante ver tudo o que ela conquistou”, lembra.

Mãe do ex-jogador de vôlei de praia Emanuel, um ícone do esporte paranaense, Maria Scheffer Rego, 70 anos, tem a experiência por completa, pois o filho campeão olímpico está aposentado . E sintetiza a emoção. “Mãe de atleta tem de torcer, rezar. Comemorar se der certo, dar carinho se não der. Ver o filho ser vitorioso no que ele almeja é a melhor coisa do mundo.”

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