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Londres-2012

Pai da primeira atleta olímpica saudita denunciará insultos contra sua filha

A judoca Wojdan Shaherkani lutou na sexta-feira (3) e recebeu críticas em seu país pela participação nos Jogos

A Judoca saudita Wodjan Shahrkhani não poderá usar véu islâmico na Olimpíada e tem ameaçada sua participação nos Jogos | AFP
A Judoca saudita Wodjan Shahrkhani não poderá usar véu islâmico na Olimpíada e tem ameaçada sua participação nos Jogos (Foto: AFP)

O pai da única mulher saudita que participou dos Jogos Olímpicos de Londres decidiu denunciar os insultos e as críticas contra sua filha por supostamente ter violado as rígidas tradições do reino wahhabista, informou neste domingo (5) a imprensa local.

O jornal saudita "Al Sharq" assinalou que Ali Shaherkani, pai da judoca Wojdan Shaherkani, afirmou que enviou ao ministro do Interior saudita, Ahmed bin Abdelaziz, uma cópia dos insultos proferidos contra ele e sua filha em várias redes sociais.

Alguns destes insultos aludiam às raízes asiáticas da jovem e colocaram em dúvida sua nacionalidade saudita, detalhou Ali Shaherkani.

O pai da atleta insistiu que utilizará todos os meios legais, inclusive denúncias nos tribunais com ajuda de advogados, para defender a honra de sua filha.

Na sexta-feira (3), a judoca saudita se tornou a primeira mulher de seu país a participar dos Jogos Olímpicos ao lutar contra a porto-riquenha Melissa Mojica.

Wojdan, que junto com a atleta Sarah Attar (800 metros) são as primeiras mulheres convocadas para a delegação olímpica da Arábia Saudita, esteve a ponto de não participar dos Jogos por causa da proibição da Federação Internacional de Judô (IJF) de competir com 'hiyab', o véu islâmico.

No entanto, após as negociações entre o Comitê Olímpico Internacional (COI), a IJF e a delegação saudita, a jovem judoca de 16 anos, que recebeu um convite especial para participar dos Jogos, pôde lutar com um véu adaptado que respeita a "sensibilidade cultural muçulmana" ao cobrir seu cabelo.

A Arábia Saudita segue uma versão estrita do islã sunita que obriga a separação entre os dois sexos e impede a mulher de dirigir, além de outras restrições.

Junto com Catar e Brunei eram os três únicos países que nunca tinham incluído mulheres em suas equipes olímpicas até este ano, e por isso os Jogos de Londres são os primeiros da história nos quais todos os países participantes têm representação feminina.

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