
O Atlético anuncia hoje, em São Paulo, a parceria que terá a missão de tornar o Complexo Arena mais do que um estádio de futebol. A AEG Entertainment Group, um dos principais grupos de entretenimento do mundo, será a responsável pela gestão da Baixada com o objetivo de transformá-la em sede constante de eventos não esportivos.
Também buscará receitas tipicamente boleiras para o clube, ligadas a patrocínio de camisa e fornecimento de material esportivo. Um acordo válido por dez anos, contando a partir da data de inauguração da praça esportiva, mas já com diversos itens em vigência.
A Gazeta do Povo teve acesso ao contrato, assinado entre as partes há quase dois meses. Enquanto as obras da Arena estiverem em andamento, o Atlético pagará US$ 40 mil mensais à AEG. A abertura oficial do estádio dispara o gatilho da parte principal do trato, com dez anos de duração e remuneração também a cada 30 dias de acordo com as receitas captadas pela empresa norte-americana: 12% da receita líquida do estádio e da areninha; 12% da receita de patrocínio do estádio e do clube; 9% das receitas com assentos premiums (salas de eventos, lounges, salões de festa, assentos vips e espaços de hospitalidade, entre outros).
As receitas do estádio serão compostas por venda dos direitos de comercialização de comidas e bebidas, naming rights, sinalização publicitária e patrocínios (inclusive de eventos) obtidos pela AEG.
As receitas do clube que entram na partilha são todas vendidas pela parceira referentes a patrocínio de uniforme, fornecimento de material esportivo, licenciamento de produtos usando a marca do clube e espaços de mídia controlados pelo Atlético (site oficial, TV CAP, internet, rádio WEB e rádio tradicional). O dinheiro de sócios, direitos de tevê e venda de jogadores segue integralmente com o Furacão.
Todo o dinheiro gerado pela parceria será depositado em uma conta conjunta de responsabilidade da AEG. Se faltar verba para as despesas dos serviços contratados, o Atlético deposita a diferença.
As atividades já vigentes são definidas no documento como "Serviços do Período Pré-Abertura" e, basicamente, se referem a estratégias de planejamento. A empresa também apresentou um orçamento das prováveis receitas e despesas deste período inicial.
Em seu depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre a Copa, semana passada, na Assembleia Legislativa, o presidente rubro-negro, Mario Celso Petraglia, chegou a dizer que a decisão de instalar um teto retrátil na Arena e comprar cadeiras mais confortáveis foi sugestão da AEG para a realização de eventos não esportivos. Na segunda-feira, o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, também elogiou a cobertura.
A inauguração do estádio dá início ao "Período Pós-Abertura". Nesta etapa, os serviços da empresa envolvem, entre outros, gerenciar e operar todos os aspectos do estádio, definir e ajustar preços, planos e taxas para usuários, vendas de patrocínio e assentos plenos, organização e agendamento de eventos.
A cada início de ano, a AEG apresenta ao Atlético um orçamento com previsão de receitas e despesas do estádio. O plano só é executado com o aval do clube.
A administração da Arena será conduzida por um gerente-geral contratado pela AEG, bem como os demais ocupantes de cargos de gestão. Haverá, ainda, uma equipe contratada pelo Atlético.



