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Paranaense

Pelo Atlético, FPF esboça conflito com o Coritiba

Entidade que rege o futebol no estado promete ir à Justiça para forçar o Coritiba a emprestar o Couto Pereira para o Furacão

Couto Pereira trancado: alegando falta de condições de abrigar maratona de jogos de Coritiba e Atlético, Alviverde se recusa a emprestar a casa para o rival e acaba pressionado pela Federação Paranaense | Marcelo Elias/ Gazeta do Povo
Couto Pereira trancado: alegando falta de condições de abrigar maratona de jogos de Coritiba e Atlético, Alviverde se recusa a emprestar a casa para o rival e acaba pressionado pela Federação Paranaense (Foto: Marcelo Elias/ Gazeta do Povo)

A indefinição sobre onde o Atlé­­tico vai mandar os jogos no Cam­­peonato Estadual virou uma guerra de bastidores envolvendo o rival Coritiba e a Federação Pa­­ra­­naense de Futebol (FPF). O clima es­­quen­tou quando o Alviverde rejeitou o pedido do Furacão de empréstimo do Couto Pereira. A alegação foi de que o gramado não suportaria o ex­­cesso de jogos com dois mandantes ao mesmo tempo.

A entidade que rege o futebol no estado, então, se envolveu no caso, ameaçando ir à Justiça para obrigar o Coxa a ceder sua praça esportiva caso não haja um motivo plausível contrário ao empréstimo. O clube do Alto da Glória reagiu de maneira dura.

"Se ele [Hélio Cury, presidente da FPF] quiser comprar a briga, quiser fazer uma guerra em Curitiba, ele que faça", atacou o presidente do Coritiba, Vilson Ribeiro de An­­drade. Para ele, o assunto já está esgotado e não há nenhuma possibilidade de mudança de postura. "A decisão já está tomada", disse.

De acordo com Cury, o estatuto da Federação (no artigo 46) dá a prerrogativa para que o Furacão, com a intervenção da entidade, atue no campo do arquirrival.

Diz a norma: "São obrigações das entidades de prática desportiva: ceder gratuitamente à Fe­­de­­ra­­ção e às entidades superiores, quando regularmente requisitados ou convocados, seus atletas e suas praças de desporto." A interpretação, no entanto, deixa dúvida sobre a cessão do local para terceiros – no caso, o Atlético.

"Baseado nisso, a Federação já convocou o departamento jurídico para termos uma definição so­­bre as medidas que serão tomadas. A Federação vai cumprir o seu pa­­pel", alegou. A intenção é resolver o impasse até terça-feira, antevéspera da homologação da rodada.

Outro documento também da­­ria brecha para a intervenção da FPF em prol do Atlético: o Regu­la­men­to Geral de Compe­tições. Atra­­­vés deste, o órgão tem amplos poderes em casos omissos.

Em nota oficial, o Alviverde man­­teve o tom político, informando apenas que vai aguardar o andamento do caso "para tomar todas as providências com o objetivo de defender esta decisão e os interesses da nação coxa-branca".

A justificativa do Coritiba para não disponibilizar o Couto é de que as recentes melhorias feitas no sistema de irrigação do gramado impediriam que fosse realizada mais de uma partida por semana. Segundo a diretoria coxa, existem laudos da empresa responsável pela intervenção para embasar a negativa.

Esses documentos já foram pedidos pela FPF e a entidade espera que sejam entregues até hoje para que o departamento jurídico possa fazer a análise. "Se for plausível, temos de acatar", resignou-se Cury, que pediu bom senso para todos os envolvidos.

"A Federação pode requisitar [o estádio], mas precisamos de bom senso. O estatuto diz que [a cessão] é gratuita, mas não tem nem lógica nem bom senso. Tem de haver um preço razoável. Que permaneça o bom senso dos dois lados", discursou o dirigente.

Maior interessado no desenrolar da história, o Atlético lava as mãos para encontrar um lar provisório enquanto a Arena estiver em obras para a Copa. O Rubro-Negro anunciou que vai deixar a cargo da FPF a condução do assunto.

"O Clube Atlético Paranaense aguarda a definição da Federação Para­­naense de Futebol de acordo com os estatutos da FPF e o regulamento da competição", pronunciou-se, em nota oficial.

Na tentativa de convencer o Coritiba, o Furacão cogitou uma contrapartida futura ao rival. "O CAP aproveita a oportunidade para deixar consignada a utilização da Arena da Baixada pelo Coritiba caso este necessite efetuar reformas em seu estádio e/ou construir um novo no mesmo local", seguiu a nota.

Caso acate a decisão do Alvi­­ver­de, a FPF tem até 72 horas an­­tes do jogo de estreia do Rubro-Negro para indicar um estádio.

No caso do Campeonato Bra­­si­­leiro, a situação do Coritiba é ainda mais desconcertante. Segundo o Regulamento Geral da CBF (artigo 6.º), de forma bastante direta, o clube tem a obrigação de ceder sua ca­­sa quando requisitado pela entidade.

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