
A indefinição sobre onde o Atlético vai mandar os jogos no Campeonato Estadual virou uma guerra de bastidores envolvendo o rival Coritiba e a Federação Paranaense de Futebol (FPF). O clima esquentou quando o Alviverde rejeitou o pedido do Furacão de empréstimo do Couto Pereira. A alegação foi de que o gramado não suportaria o excesso de jogos com dois mandantes ao mesmo tempo.
A entidade que rege o futebol no estado, então, se envolveu no caso, ameaçando ir à Justiça para obrigar o Coxa a ceder sua praça esportiva caso não haja um motivo plausível contrário ao empréstimo. O clube do Alto da Glória reagiu de maneira dura.
"Se ele [Hélio Cury, presidente da FPF] quiser comprar a briga, quiser fazer uma guerra em Curitiba, ele que faça", atacou o presidente do Coritiba, Vilson Ribeiro de Andrade. Para ele, o assunto já está esgotado e não há nenhuma possibilidade de mudança de postura. "A decisão já está tomada", disse.
De acordo com Cury, o estatuto da Federação (no artigo 46) dá a prerrogativa para que o Furacão, com a intervenção da entidade, atue no campo do arquirrival.
Diz a norma: "São obrigações das entidades de prática desportiva: ceder gratuitamente à Federação e às entidades superiores, quando regularmente requisitados ou convocados, seus atletas e suas praças de desporto." A interpretação, no entanto, deixa dúvida sobre a cessão do local para terceiros no caso, o Atlético.
"Baseado nisso, a Federação já convocou o departamento jurídico para termos uma definição sobre as medidas que serão tomadas. A Federação vai cumprir o seu papel", alegou. A intenção é resolver o impasse até terça-feira, antevéspera da homologação da rodada.
Outro documento também daria brecha para a intervenção da FPF em prol do Atlético: o Regulamento Geral de Competições. Através deste, o órgão tem amplos poderes em casos omissos.
Em nota oficial, o Alviverde manteve o tom político, informando apenas que vai aguardar o andamento do caso "para tomar todas as providências com o objetivo de defender esta decisão e os interesses da nação coxa-branca".
A justificativa do Coritiba para não disponibilizar o Couto é de que as recentes melhorias feitas no sistema de irrigação do gramado impediriam que fosse realizada mais de uma partida por semana. Segundo a diretoria coxa, existem laudos da empresa responsável pela intervenção para embasar a negativa.
Esses documentos já foram pedidos pela FPF e a entidade espera que sejam entregues até hoje para que o departamento jurídico possa fazer a análise. "Se for plausível, temos de acatar", resignou-se Cury, que pediu bom senso para todos os envolvidos.
"A Federação pode requisitar [o estádio], mas precisamos de bom senso. O estatuto diz que [a cessão] é gratuita, mas não tem nem lógica nem bom senso. Tem de haver um preço razoável. Que permaneça o bom senso dos dois lados", discursou o dirigente.
Maior interessado no desenrolar da história, o Atlético lava as mãos para encontrar um lar provisório enquanto a Arena estiver em obras para a Copa. O Rubro-Negro anunciou que vai deixar a cargo da FPF a condução do assunto.
"O Clube Atlético Paranaense aguarda a definição da Federação Paranaense de Futebol de acordo com os estatutos da FPF e o regulamento da competição", pronunciou-se, em nota oficial.
Na tentativa de convencer o Coritiba, o Furacão cogitou uma contrapartida futura ao rival. "O CAP aproveita a oportunidade para deixar consignada a utilização da Arena da Baixada pelo Coritiba caso este necessite efetuar reformas em seu estádio e/ou construir um novo no mesmo local", seguiu a nota.
Caso acate a decisão do Alviverde, a FPF tem até 72 horas antes do jogo de estreia do Rubro-Negro para indicar um estádio.
No caso do Campeonato Brasileiro, a situação do Coritiba é ainda mais desconcertante. Segundo o Regulamento Geral da CBF (artigo 6.º), de forma bastante direta, o clube tem a obrigação de ceder sua casa quando requisitado pela entidade.



