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Corredores de rua precisam de treino psicológico, alerta treinador

Sim, você pode participar da maratona de Curitiba 2016, dia 20/11. Com percursos de 5 km, 10 km e revezamento (21 km), a prova deste ano é pra todo mundo. Inscrições estão abertas até esta sexta-feira (11)

 | Aniele Nascimento/Gazeta do Povo
(Foto: Aniele Nascimento/Gazeta do Povo)

Assessor de corrida, nutricionista, fisioterapeuta, preparador físico. O apoio desses profissionais para planejar uma maratona bem feita há muito deixou de ser considerado um luxo para atletas amadores e são considerados parceiros essenciais. Mas estão focados prioritariamente no desempenho físico do corpo de um maratonista.

As inscrições (faça aqui ) para a Maratona de Curitiba 2016, que será realizada no dia 20 de novembro, podem ser efetuadas até o dia 11.

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Para calibrar outro quesito fundamental para completar uma prova de 42 quilômetros de corrida de rua, uma outra seara de profissionais vem ganhando espaço entre os atletas: os que cuidam da saúde e do desempenho mental antes e durante as competições. Nessa levada é que o coaching – atividade em que um tutor (coach) ajuda seu cliente a evoluir em alguma área da sua vida – também tem sido requisitado para auxiliar quem quer vencer o desafio de completar uma corrida de longa distância.

O mental health coach Gerson Kowaski Junior orienta atletas em Curitiba há quatro anos e fala sobre como fazer o consciente sobressair às ciladas do inconsciente na preparação para uma maratona.

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Muitas vezes, o atleta se prepara meses para um objetivo, uma prova, mas, nesse caminho, é comum que se imponha barreiras mentais que o façam acreditar que não vai conseguir? Como contornar isso?

Fazendo a formatação de objetivos e cuidando da saúde mental. Atletas são muito disciplinados na questão física e nutricional, mas a grande maioria tem se esquecido do cuidado com o psicológico. Esses obstáculos que geram ansiedade e medo aparecem quando a gente deixou de preencher algumas lacunas da nossa mente. A primeira coisa que faz isso acontecer são as crenças. Há crenças facilitadoras das ações no dia a dia e outras, impeditivas. Muitas vezes, infelizmente são essas que colocamos com maior evidência. Então, um dos trabalhos feitos com o coaching é identificar em cada pessoa quais são essas crenças facilitadoras e limitadoras, tentando maximizar as que favorecem o desempenho e eliminar, ou pelo menos, minimizar, as limitadoras.

Esse trabalho é feito em longo prazo com o atleta, certo? E nesses últimos dias, véspera de executar o objetivo traçado? O que é feito no coaching?

Nessas últimas semanas, trabalhamos o planejamento pré-prova. Lá na véspera da Maratona de Curitiba, no dia 19 de novembro, o que tira o sono, atrapalha o pensamento é a sensação de ter feito alguma coisa além na preparação. Esse tipo de pensamento é um veneno! Então, é preciso olhar para dentro de nós, trabalhar com três grandes pilares: o autoconhecimento, a identificação das crenças facilitadoras e limitadoras e fazer o planejamento pré e pós prova.

Como é feito esse planejamento?

Uma técnica que foi muito usada pelos atletas olímpicos foi a aplicação de princípios da hipnose, como dissociação, e padrões de mudança de comportamento durante a prova. Depois de verificar o perfil comportamental do corredor, por meio de testes, conseguimos perceber as estratégias que ele usa para chegar a um objetivo e quais as sombras. Ao fazer com que ele tenha consciência disso, já se tem um ganho de 30% de avanço. Então, podemos iniciar um processo de indução e fazê-lo projetar, mentalmente, todo o percurso, visto de cima e também participando da prova, prevendo situações-problema que pode vir a enfrentar, como a falta de água em um ponto de hidratação. Então, faço com que associe a cena, para que possa sentir aquilo novamente, mas com suas “armas”, ou seja, todas as forças e qualidade que tem dentro dele para solucionar essa adversidade. Assim, tem uma programação mais confiante do que vai executar no dia da prova.

Você também incentiva o atleta a acionar gatilhos psicológicos ou criar âncoras como maneiras de incentivar o desempenho desejado, como, por exemplo, imaginar-se sendo recebido pela família na linha de chegada?

Os gatilhos mentais e as âncoras são muito importantes para alavancar o resultado. As âncoras são imagens e sensações que podem contribuir positivamente para o pensamento. Uma que enfatizo bastante é a importância da jornada: ela é mais importante que o destino. Na corrida, podem acontecer situações imprevistas e o atleta aprende a lidar com elas para chegar ao final. E, muitas vezes, o atleta esquece-se de perceber o que o corpo está sinalizando durante a prova, que precisa de água, de sais minerais. É preciso estar atento para o que é prioridade e lembrar que não deve renegociar com sensações como o cansaço. Tem de lembrar que a mente é mais poderosa que o físico.

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