
Há dez anos, a casa do ex-presidente da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) e atual membro do conselho da Federação Internacional de Atletismo (IAAF) Roberto Gesta, 69 anos, em Manaus (AM), teve de ser aumentada e adaptada para condicionar um dos maiores acervos pessoais de Jogos Olímpicos do mundo. São 70 mil peças, sendo 400 medalhas, ao menos uma de cada edição de todas as 27 Olimpíadas.
Uma parte do acervo de Gesta cerca de 2 mil peças - está em Curitiba, na Exposição Esporte Movimento, a partir desta terça-feira (16), com entrada franca na Caixa Cultural, em Curitiba. Alguns objetos também serão expostos em agências da Caixa Econômica na cidade.
Confira algumas das atrações da exposição
São preciosidades que contam a história até dos Jogos que não aconteceram. Como o protótipo da medalha que seria entregue na Olimpíada de 1916, em Berlim, se os conflitos da I Guerra Mundial não tivessem impedido a disputa. "Há 40 anos busco peças em feiras, leilões e com as famílias de atletas que faleceram e os próprios atletas", conta Gesta.
O período em que dirigiu a CBAt, de 1987 a 2012, serviu para o colecionador formatar uma sólida rede de contatos no Brasil e em outros países. O que facilitou o acesso a diversas peças da coleção, como as medalhas de dois dos maiores feitos do esporte nacional: os ouros de Adhemar Ferreira da Silva, primeiro bicampeão olímpico brasileiro, nas provas de salto triplo em Helsinque-1952 e Melbourne-1956. Em 2003, dois anos após a morte do saltador, a filha de Adhemar procurou Gesta dizendo estar preocupada com a preservação das medalhas. "Ela me disse que o Adhemar tinha amigos no exterior que se ofereceram para ficar com as medalhas. Aí eu me ofereci para cuidar não só dos ouros olímpicos, mas de outras coisas dele", conta.
Assim, o ex-cartola da CBAt deixou a casa da filha do saltador não só com as medalhas, mas com uniformes e documentos Adhemar, que cursou quatro faculdades, chegou a ser adido cultural do Brasil na Nigéria. Toda a documentação foi recuperada e catalogada por um perito internacional contratado pelo colecionador.
Entre os documentos, estão o passaporte de Adhemar com o carimbo da primeira Olimpíada que disputou, Londres-1948, e a credencial dos Jogos de 1952 com o sobrenome errado: Pereira, ao invés de Ferreira.
Gesta diz que Adhemar era reconhecido onde ia pelo mundo e lembra de um caso nos Jogos de Seul, em 1988. "Eu e ele fomos assistir a um treino e um repórter da TV italiana perguntou se poderia entrevistá-lo. Quando o câmera chegou, o repórter disse esse é o senhor Adhemar Ferreira da Silva, grande atleta brasileiro, que talvez, pela idade, você não conheça. No que o câmera respondeu quem não conheço o grande senhor Ferreira da Silva?", recorda, emocionado, Gesta.
A sala onde estão as medalhas de Adhemar na exposição reserva outras pérolas. Estão lá o bronze de Nelson Prudêncio na Olimpíada de 1972, em Munique, e o ouro de João do Pulo no Pan-Americano de 1975, na Cidade do México, cuja marca de 17,89 metros registrou o novo recorde mundial da época - ambas também foram conquistadas no salto triplo.
Do outro lado da sala, o uniforme que Allan Fontelles vestiu ao surpreender o mundo na vitória sobre o favorito sul-africano Oscar Pistorius na prova de 200 metros da Paraolímpiada de Londres-2012.
A exposição conta ainda com cartazes, premiações, tochas, moedas, fotos, documentos. Literalmente, a história do esporte mundial.
Exposição Esporte Movimento























