
A regra três do futebol aquela que prevê substituições de até três jogadores no decorrer de uma partida está na cartilha de Marcelo Oliveira como indispensável. Mas, ao mesmo tempo em que esbanja assiduidade nas alterações, o treinador do Coritiba tem se tornado previsível e pouco ousado quando mexe no time.
Das 44 trocas realizadas até a 15.ª rodada do Campeonato Brasileiro, 34% já se repetiram pelo menos duas vezes. O atacante Marcos Aurélio e o meia Tcheco são as opções primordiais para deixar o time, enquanto Anderson Aquino aparece como o 12.º jogador. Só no empate por 0 a 0 com o Bahia, Oliveira não fez as três trocas.
Ao todo, o comandante alviverde testou 13 atletas diferentes durante os jogos. A alteração mais comum é a saída do meio-campista Tcheco para a entrada de Gil que ocorreu quatro vezes. Depois, vem a troca de um lateral-esquerdo por outro: sai Eltinho e entra Triguinho três vezes.
O atacante Marcos Aurélio, entretanto, é quem deixou o time em mais partidas. Foram seis vezes caminhando de cabeça baixa até a linha lateral do gramado situação que rendeu primeiro reclamações e depois pedidos de desculpas públicas ao técnico. Tcheco, 35 anos, o mais experiente do elenco, vem na sequência, com cinco substituições. Já Anderson Aquino (7) e Geraldo (6) são os jogadores que mais entraram.
"As substituições são todas no sentido de melhorar, só que elas só são analisadas depois [das partidas]", explica Marcelo Oliveira, rechaçando o rótulo de pouco ousado.
"Nós tivemos um escanteio aos 43 minutos do segundo tempo [contra o Flamengo]. Se não tivéssemos intenção de ganhar, seguraríamos mais três minutos e acabaria o jogo. O Coritiba pensou o tempo todo em ganhar", emenda o mineiro de 56 anos e estilo conservador.
Na grande maioria das vezes em que decide trocar algum jogador, ele opta por fazer o simples. Só 27% das mudanças do treinador afetam a parte tática da equipe, já que normalmente a troca é de um jogador por outro da mesma posição ou por alguém que fará função semelhante. Das 44 alterações, 31 aconteceram após os 15 primeiros minutos do segundo tempo. Ou seja, o time escalado desde o início tem o tempo a seu favor.
"Acho que quando o treinador faz algo é por convicção, não para o pior do time. Não podemos ter uma caça às bruxas numa equipe que tem qualidade e pode crescer ainda no campeonato. Já estamos quase no meio, mas acho que agora essa cobrança tem de ser nos jogadores", banca o veterano Tcheco. Das cinco vezes que saiu, duas foram por cansaço, revelou o meio-campista.
"Nós temos um técnico, temos confiança na qualidade dele e no que já mostrou. O homem, o trabalhador, tem de ser respeitado. E ele é um profissional de alta qualidade", aponta Ernesto Pedroso, membro do conselho administrativo coxa-branca, fazendo questão de demonstrar a confiança total da diretoria no treinador.



