
A estreia do novo carro da Stock Car, o JL G-09, no domingo, gerou mais apreensão do que comemoração por parte dos pilotos. Tudo por causa do curto prazo de testes do modelo. O que se viu no circuito de Interlagos foi um show inesperado: dos 31 carros que largaram, 10 tiveram seus capôs arrancados durante a prova.
O superaquecimento no interior do automóvel, especialmente no assoalho, foi outra reclamação dos pilotos após a corrida. Em resposta, a organização da categoria promete melhorias já para a próxima etapa, dia 12 de abril, em Curitiba.
O mais prejudicado foi o paranaense Ricardo Zonta, da RZ Racing, que cruzou a linha de chegada à frente de Paulo Salustiano, da Vogel Motorsport, mas não recebeu a bandeirada. Ele foi desclassificado por completar a prova sem o capô e ter desrespeitado a bandeira de advertência para que trocasse a peça nos boxes. Nem as vaias do público e o recurso da equipe do piloto, encaminhado à Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA), alteraram o resultado.
"Esses pontos vão fazer muita falta. Vou disputar provas fora do país e perder etapas da Stock", lamentou o paranaense.
Um dos poucos pilotos a elogiar o novo carro antes da prova, Zonta atribuiu as falhas na corrida à falta de tempo de testes. "Recebemos o carro na terça-feira antes da corrida. Ninguém deu mais de dez voltas seguidas. Na corrida, a turbulência de quem está na frente é muito forte, dá a impressão de que poderia quebrar o para-brisa", contou.
Para o piloto, a CBA deveria ser maleável com as punições nas primeiras etapas da competição. "Interlagos foi a primeira prova, todos a usaram para testar o carro. Tem várias coisas prejudicando o carro, que, para a próxima etapa, serão resolvidas", diz.
O presidente do conselho técnico desportivo nacional da CBA, Nestor Valduga, afirmou que tal maleabilidade não deve ser adotada para as próximas provas.
"Fizemos uma longa reunião com os fabricantes do automóvel após a prova para pedir mudanças necessárias. Vamos continuar trabalhando em cima do regulamento. (Em Interlagos) O segundo colocado (Salustiano) chegou com o capô. E seria o próximo prejudicado, se a gente tivesse tomado qualquer decisão para entender o problema do Zonta", falou.
Piloto da WA Matteis Competições, o paranaense Willian Starostik foi duplamente prejudicado pelas falhas do JL G-09: desclassificado pela perda do capô e desrespeito à advertência, sofreu queimaduras nos pés por causa do calor no assoalho. "Nos treinos já dava para saber que o carro ia esquentar, mas não dava para imaginar que seria tanto. Coloquei uma tela de amianto nos pés, mas não foi o suficiente", disse.
O piloto de teste do novo modelo, Felipe Giaffone, destacou que mudanças já estão em curso.
"Encaminhamos hoje (ontem) informações às equipes para uma nova fixação dos capôs. A temperatura deve ser resolvida com a mudança das saídas do escapamento interno", falou.







