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Futebol Internacional

"Treinador bonzinho não dá certo no futebol", diz Ilan

Paranaense do West Ham considera que o técnico do seu time, o italiano Gianfranco Zola, perdeu o comando do elenco por ser uma pessoa "muito boa"

O curitibano Ilan comemora o seu segundo gol pelo West Ham; França, Espanha ou Brasil disputam o atacante para a próxima temporada | Paul Ellis/ Reuters
O curitibano Ilan comemora o seu segundo gol pelo West Ham; França, Espanha ou Brasil disputam o atacante para a próxima temporada (Foto: Paul Ellis/ Reuters)
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Nove minutos depois de entrar em campo no último domingo (4), diante do Everton, pela Premier League, o atacante Ilan salvou o West Ham de sua 18ª derrota na temporada do Campeonato Inglês. O gol de cabeça do paranaense, que decretou o empate em 2 a 2, fora de casa, porém, ainda é pouco para o tradicional clube do leste de Londres. Com a Zona do Rebaixamento no encalço, a equipe comandada pelo italiano Gianfranco Zola precisará lutar muito para não ter de jogar o Championship (Segunda Divisão) em 2011.

Após cinco anos de futebol francês, onde defendeu o Sochaux e o St. Etienne, o ex-camisa 9 de Paraná e Atlético desembarcou na capital inglesa com a temporada já em curso – e a luz de alerta já no vermelho. Apesar de ter estreado com gol, nunca mais foi titular. Entrou em campo outras cinco vezes, mas os Hammers não saíram da situação crítica na competição. Por telefone, Ilan revelou à Gazeta do Povo que acredita que o time vai escapar do descenso, mas também não poupou críticas ao técnico.

"Não quero falar mal. Ele (Zola) é uma pessoa muito boa. Só que uma pessoa muito boa no meio do futebol, às vezes, não dá certo. Se você der muita liberdade para os jogadores, eles montam em cima. E foi isso que aconteceu com alguns atletas, especialmente alguns que falam italiano. Chegou um ponto que ele perdeu o comando e não tem mais como voltar atrás", afirmou. "Mas é um cara fantástico, que você pode ir conversar a hora que você quiser", completou.

Para o paranaense, o papo com o treinador pode ser a saída para resolver a principal queixa dele desde que chegou ao West Ham. Ao invés de ser escalado como centroavante, posição na qual prefere atuar, Zola tem optado por colocar Ilan como um ponta, ora pela esquerda, ora pela direita.

"Não é a minha. Ele me coloca pelos lados do campo ou como segundo atacante. Eles têm essa mania aqui, de querer mudar a característica do jogador. E isso vem desde a base. Cortam, limitam muito os atletas", contou. "Mesmo assim, vamos sair dessa situação, com duas vitórias e um empate em cinco jogos que restam. Cheguei em um momento de transição, o clube foi vendido há pouco tempo. Mas temos condição de permanecer".

O Hull City, que abre a ZR com 32 pontos, um a menos do que os Hammers, mas com um jogo a mais por fazer, é o principal concorrente na luta contra o rebaixamento. No próximo sábado (10), o time de Ilan enfrenta o Sunderland, em casa. Depois ainda pega Liverpool e Fulham fora e Wigan e Manchester City, no Upton Park.

Torcida

Sobre a torcida do West Ham – considerada a mais violenta da Inglaterrra ao lado dos fãs do maior rival, o Millwall – Ilan não titubeia ao responder que não viu nenhum tipo de problema dessa espécie. Segundo ele, todas as providências são tomadas para evitar os confrontos. "Jogamos muitas vezes às 15h, às 13h30, tudo para evitar que as pessoas bebam demais antes das partidas. Aqui é cultural beber cerveja. E não é pouco. Uma latinha tem no mínimo 500 ml. E quem quer briga normalmente já vem alterado para o campo, mas dificilmente vai começar a beber às 11h para ir ao jogo logo depois do meio-dia".

Futuro

Por considerar que não se encaixa no tipo de jogo inglês, o curitibano já decidiu que não permanece na terra da Rainha na próxima temporada. Ao invés de atuar em um futebol direto e de muita força, Ilan quer voltar aos gramados onde sua característica pode ser melhor aproveitada.

"A experiência aqui está sendo boa, o país é muito bom e o campeonato é o mais forte do mundo. Mas não vou usar minha opção de renovação por mais um ano. Tenho propostas da França e da Espanha e dois ou três bons contatos no Brasil. Quando entrar de férias que vou conversar", revelou.

"Se for uma proposta boa, de um time brasileiro que queira ganhar a Libertadores, não é só o dinheiro que vai importar. Estou com 29 anos e ainda vejo que tenho muita coisa para fazer no futebol", fechou o atacante, que garantiu que voltará aos gramados paranaenses antes de encerrar a carreira.

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