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Paranaense

“Vim motivado e abracei a causa do Paraná”

Entrevista: Wágner Velloso, técnico do Paraná

Velloso deixou a mulher e os filhos em Araras (SP) e, por enquanto, conhece pouco além da Vila Capanema em Curitiba | Daniel Castellano/ Gazeta do Povo
Velloso deixou a mulher e os filhos em Araras (SP) e, por enquanto, conhece pouco além da Vila Capanema em Curitiba (Foto: Daniel Castellano/ Gazeta do Povo)

O técnico Wágner Velloso foi contratado pelo Paraná em uma noite de segunda-feira (9/3), apresentado na tarde do dia seguinte e, menos de 48 horas depois, já estava no banco de reservas comandando o time no clássico com o Coritiba (vencido por 2 a 1). Transcorrido quase um mês, tudo permanece igual. O ex-goleiro ainda não tem tempo para nada.

"Estou vivendo tão intensamente o clube que ainda nem tive tempo de conhecer a cidade. Por enquanto, o meu lugar preferido é a Vila Capanema", revela Velloso, 40 anos. Pelo menos, já deu para respirar aliviado dentro de campo. De ameaçado ao rebaixamento na primeira fase, o treinador vê o Paraná na briga pelo título estadual. "Há uma igualdade com Atlético e Coritiba", diz.

Em entrevista exclusiva à Gazeta do Povo, o ex-ídolo de Palmeiras e Atlético-MG falou de sua chegada tumultuada para substituir Paulo Comelli, de como pôs o Tricolor nos trilhos, dos planos para a Série B e, pelo menos um pouquinho, sobre a vida em Curitiba.

Qual o cenário que enfrentou quando chegou ao Paraná e como está o time agora?

A chegada foi um tanto conturbada. Existiam muitas dúvidas sobre a minha contratação. Era um grupo completamente novo para mim, conhecia apenas o Lenílson e o Hernani. Tinha a informação de que o grupo estava muito abatido. Mas cheguei entusiasmado, com vontade de trabalhar. Trouxe uma motivação nova, um otimismo. E a resposta foi muito positiva, pois vencemos o clássico. Depois veio um resultado negativo (derrota para o Rio Branco, por 1 a 0), mas já senti um novo astral, um sentimento geral de que poderíamos classificar.

Além da decisão de ir para o banco, o que mais contribuiu para essa mudança de astral?

Basicamente, muita conversa. O Rodrigo (Rezende), preparador físico, também faz um trabalho motivacional muito bom, nas vésperas das partidas. E, principalmente, dar confiança e mostrar o que os jogadores têm de fazer nos jogos. Cada um com a sua função bem determinada.

Alguma deficiência específica da equipe te ocupou mais?

Procurei dar mais consistência ao setor defensivo, senti que a equipe estava muito vulnerável, tomando muitos gols. Time que toma gol todo jogo fica intranquilo, inseguro.

E na questão individual, foi preciso algum trabalho?

Foi mais no geral, embora eu sempre converse individualmente com os atletas quando sinto alguma dificuldade. Foi o caso do Peterson (atacante) depois do jogo com o Cianorte (ele foi muito criticado pela torcida). Falei com ele no treino e até na frente dos colegas. Temos que sentir quem precisa de apoio.

Para o octogonal decisivo teve alguma coisa diferente?

Passei aquela campanha de 1997, que o time estava em uma situação parecida, saiu atrás com os concorrentes da capital com pontos extras. Passei alguns momentos, com depoimentos, a comemoração dos torcedores. Busquei no youtube, tem lá uma matéria que o Paraná ganhou por 3 a 0 do Coritiba.

O que o fez aceitar pegar o Paraná naquele momento tão difícil?

Era uma boa oportunidade para mim. Uma equipe grande e com boas condições de trabalho, independentemente da situação em que estava. Sabia que era um time que estava com dificuldades. Mas como já disse, estava motivado e abracei a causa. Estou vivendo tão intensamente o clube que nem tive tempo de conhecer a cidade. Tantas coisas que ainda estamos fazendo, acompanhando, vendo videos. Sei que é importante relaxar, mas temos que fazer uma boa campanha nessa fase final.

O Ageu foi uma peça importante para a adaptação?

Fui muito bem recebido por todos da comissão e o Ageu foi fundamental, ainda é. Uma pessoa de confiança, que vai ver os jogos, traz informações, conversamos diariamente. E é um ex-ídolo do Paraná. Na chegada ele me passou as características dos jogadores. Eu tinha uma ideia de equipe, mas não sabia quem poderia executar os meus planos.

Você vê o Paraná com as mesmas condições de conquistar o título que Atlético e Coritiba?

Vejo uma igualdade. É claro que eles têm mais jogos em casa, tiveram os pontos extras. Mas o Paraná vem em ascensão e não pode ser descartado.

A organização do campeonato te decepcionou?

Essa fórmula ficou absurda. Prejudicou muito o Paranavaí e o Cianorte. Ficou ruim para o futebol paranaense em relação ao resto do país, em que as federações têm se esforçado para fazer campeonatos atrativos para a televisão e os torcedores.

Como conciliar a disputa pelo título com a formação de um time forte para a Série B?

No primeiro momento, estou observando bem os nossos atletas. Acredito muito na continuidade no futebol, formar uma base. O Campeonato Brasileiro será uma competição mais longa e mais difícil. É natural que a gente se reforce, que tenhamos quantidade e, claro, qualidade. Subir para a Série A será com certeza o grande objetivo. Acho que cerca de 80% do grupo atual estará presente no Brasileiro.

Você está sozinho em Curitiba ou trouxe a família?

Estou sozinho. Sou casado e tenho três filhos, Natália (15 anos), Rafael (12) e Rodrigo (8), que estão estudando e moram em Araras-SP. Estou me mudando agora, estava em um hotel e vou para um flat, para ficar mais à vontade. Meus filhos querem vir para cá, ver um clássico, eles gostam muito. Logo isso deve acontecer.

Do pouco que viu, o que achou da cidade?

Não tenho nada a reclamar. Fui jantar em duas oportunidades pela cidade, fui no Shopping Curitiba e no Estação. Acho Curitiba muito bonita, arborizada, com parques. Mas estou conhecendo ainda. Por enquanto o meu lugar preferido é a Vila Capanema, local de trabalho.

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