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Maria Teresa Fornea Caron, fundadora e CEO da Bcredi Crédito Descomplicado. Foto: Divulgação
Maria Teresa Fornea Caron, fundadora e CEO da Bcredi Crédito Descomplicado. Foto: Divulgação| Foto:

Se no curto prazo não é possível medir os impactos diretos da pandemia de coronavírus nas fintechs, os efeitos da crise em outros setores da economia abrem novas possibilidades para as startups de tecnologia do sistema financeiro. Para Gustavo Gierun, cofundador do Distrito, plataforma de inovação e investimentos para startups, de uma maneira geral, a pandemia acelerou o processo de digitalização da economia e mudou a maneira como as pessoas utilizam produtos e serviços baseados em tecnologia. “Com isso, é natural que as fintechs encontrem um ambiente mais favorável de desenvolvimento e crescimento”, diz.

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Além disso, as rápidas transformações dos serviços financeiros, impulsionadas pelo avanço tecnológico – fator determinante para o surgimento das fintechs –, também aceleram os caminhos para a inovação no setor. “Novas regulamentações como open banking, pagamentos instantâneos e cadastro positivo geram novas oportunidades e maneiras de atender os usuários em praticamente todos os segmentos dentro da indústria financeira”, afirma Gierun.

Tendência acelerada pela crise do coronavírus, a digitalização da economia também seria um dos impactos mais imediatos para o setor de fintechs na opinião do gerente do Scale-Up Endeavor, Marco Antonio Mazzonetto. “Ao mesmo tempo que a pandemia tem acelerado o setor de e-commerce, por exemplo, também acelera a penetração do uso de recursos digitais, como de aplicativos para gerir finanças e outros produtos digitais, aumentando demandas que podem ser exploradas pelas fintechs”, avalia.

A pandemia não criou novos problemas, mas agravou aqueles que já existiam, como educação e gestão financeira, acesso ao crédito e soluções digitais. Isso fez com que muitas empresas tivessem que adaptar suas soluções para atender essas demandas. “Vimos este processo acontecer com várias fintechs aceleradas pela Endeavor, o que levou a um aumento da procura pelos produtos e serviços ofertados por elas neste período”, diz Mazzonetto.

Adaptação é a palavra de ordem neste cenário. Para Gustavo Gierun, do Distrito, todos os segmentos podem encontrar oportunidades e dificuldades no atual contexto. “Quem tiver maior capacidade de se adaptar e entender as necessidades do usuário ou consumidor conseguirá se destacar no mercado. Enxergamos oportunidades claras em tecnologias aplicadas para o setor de pagamentos, investimentos, crédito e cyber security no médio e longo prazos”, aponta.

Gustavo Gierun, cofundador do Distrito, plataforma de inovação para startups, empresas e investidores. Foto: Divulgação.
Gustavo Gierun, cofundador do Distrito, plataforma de inovação para startups, empresas e investidores. Foto: Divulgação.

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Crédito imobiliário descomplicado

É justamente no segmento de crédito que a curitibana Bcredi vem se destacando no mercado nacional. Fundada em 2018, a fintech surgiu com o propósito de facilitar o acesso ao crédito imobiliário, de forma descomplicada e saudável para o usuário, em uma plataforma 100% online de originação, precificação, formalização e gestão de crédito imobiliário.

Ao longo dos últimos meses, a empresa viu sua demanda aumentar consideravelmente. Com taxas e parcelas menores, além de prazos de pagamento maiores que outras instituições financeiras, a Bcredi ainda permite uma análise de crédito conjunta de pessoa física e jurídica – para autônomos e pequenos empresários. Atualmente, a empresa tem registrado mais de 5 mil pedidos de empréstimos com garantia do imóvel por mês.

O crescimento da demanda de pedidos de crédito veio acompanhado por adaptações. “Tivemos aumento nas buscas de financiamentos na pandemia, muitas delas para a troca de dívidas mais caras por outras mais acessíveis. Muitas outras para reformas domésticas, tendo em vista a permanência maior das pessoas em suas casas. No entanto, também tivemos que adaptar a oferta de crédito. Como nossa intenção é dar acesso saudável ao empréstimo, de maneira a ajudar o mutuário e não prejudicá-lo, estamos mais diligentes na concessão. Ou seja, a oferta não é proporcional ao aumento dos pedidos de análise de crédito”, explica Maria Teresa Fornea Caron, fundadora e CEO da Bcredi Crédito Descomplicado.

A oferta de crédito saudável, calculando riscos e prevendo cenários futuros, permite que a empresa mantenha seus números sob controle. De acordo com Maria Teresa, no auge da crise, cerca de 30% dos clientes solicitaram a renegociação da dívida. Com isso, o número de parcelas atrasadas aumentou. No entanto, ao longo dos meses, muitos mutuários voltaram a pagar suas parcelas. “Dessa forma, conseguimos manter nosso nível de atraso acima de 90 dias sob controle, acumulando uma pequena elevação do início da pandemia até agora, de 3% em fevereiro para 6% em agosto”, conta.

Com mais de 12 anos de experiência no mercado financeiro, Maria Teresa se destaca no setor como uma das poucas mulheres à frente de uma fintech no Brasil. Além disso, ela soube identificar brechas no segmento de crédito para desenvolver um produto adequado para o mercado, utilizando a tecnologia como facilitadora da equação. Condições mais acessíveis para o financiamento e análise descomplicada do crédito são algumas das vantagens oferecidas pela empresa que, ainda, consegue eliminar grande parte da burocracia envolvida nessas transações, com a emissão de certidões em prazos muito menores que outras financeiras.

Plataforma facilita pagamento de dívidas

Saber onde e como pisar no vasto terreno da indústria de serviços financeiros não é só uma característica de muitas das fintechs em atuação no país, mas uma condição essencial para que possam se destacar no mercado. Além disso, identificar as reais necessidades de uma determinada categoria de serviços e criar ferramentas tecnológicas capazes de sanar as “dores” dos clientes é um fator determinante para o sucesso do negócio.

A QuiteJá é outro exemplo de fintech curitibana que reúne essas características. Plataforma digital de recuperação de crédito, a empresa fundada em 2016 pelos sócios Luiz Henrique Garcia e Rafael Abreu empregou a tecnologia para criar condições mais dinâmicas e amistosas para uma tarefa pouco agradável, cobrar dívidas de clientes.

Rafael Abreu e  Luiz Henrique Garcia, fundadores da QuiteJá, fintech curitibana com uma plataforma de recuperação de crédito inovadora. Foto: Divulgação.
Rafael Abreu e Luiz Henrique Garcia, fundadores da QuiteJá, fintech curitibana com uma plataforma de recuperação de crédito inovadora. Foto: Divulgação.

A ideia do negócio surgiu a partir de uma percepção de mercado. Como advogado, Luiz Henrique auxiliava credores a recuperar dívidas. “Mas os mecanismos de cobrança tradicionais sempre foram muito desgastantes, tanto para quem cobra, quanto para quem deve. As formas de abordagem, em geral, não são convidativas, além de despenderem muito tempo e dinheiro. Falta, ainda, informação e, o mais importante, soluções para facilitar o pagamento, como descontos, parcelamentos e outras alternativas”, explica Garcia.

Amigos de longa data, Luiz e Rafael se uniram para desenvolver a plataforma que facilita a comunicação entre credores e clientes, criando alternativas que levam em conta a capacidade real do endividado para quitar sua dívida. “Nosso sistema leva em consideração a realidade do consumidor, buscando informar e dar condições de pagamento mais atrativas por meios digitais, com uma abordagem mais convidativa que estimula o cliente a lidar com a dívida e não evitá-la”, comenta Abreu.

Em quatro anos, a QuiteJá, outra empresa paranaense que fez parte do programa de aceleração da Endeavor, acumula dez grandes clientes em todo o país, com mais de um milhão de consumidores que negociaram suas dívidas por meio da plataforma e um total de R$ 318 milhões recuperados para os credores, sendo R$ 93 milhões somente no primeiro semestre de 2020. “Em relação ao desconto acumulado, o valor total ultrapassa o R$ 2,4 bilhões. Tudo isso com uma estrutura enxuta, utilizando somente a tecnologia e os meios digitais para criar fluxos de negociação”, revela Garcia.

Com a pandemia, esse processo se intensificou. A empresa, que possuía 14 colaboradores em março, hoje conta com 31 pessoas envolvidas na operação. Segundo os sócios, de janeiro a julho deste ano, houve um aumento de 47% no número de acordos fechados. Se comparado ao mesmo período período de 2019, o aumento é de 115%. Para eles, este crescimento indica que não só as formas de negociação estão mais atrativas, mas que o consumidor está aproveitando este momento para manter as finanças em dia.

“De forma geral, os bancos e as redes varejistas estão com excelentes opções e ofertas de desconto, prazos maiores para pagamento e taxas de juros mais favoráveis. Portanto, se o cliente possui condição para negociar neste momento, ele corre para aproveitar, uma vez que as oportunidades são mais atrativas”, completa Garcia.

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