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Para que o aluno seja protagonista do processo de aprendizagem, a startup Edukamaker desenvolver cursos em que eles aprender colocando a mão na massa.
Para que o aluno seja protagonista do processo de aprendizagem, a startup Edukamaker desenvolver cursos em que eles aprender colocando a mão na massa.| Foto: Divulgação

Quando crianças e adolescentes participam de cursos da startup de robótica educacional Edukamaker, um dos objetivos é que elas aprendam conceitos de física, matemática e outras ciências colocando a mão na massa e criando seus próprios robôs e protótipos. “Assim, o aluno é o protagonista do conhecimento. E com isso ele consegue criar e potencializar mais habilidades”, diz o CTO da startup, Henrique Alves Camargo.

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A ideia de dar o protagonismo do processo de aprendizagem aos alunos, colocada em prática pela Edukamaker desde sua criação, em 2016, já tem adeptos em escolas e instituições de ensino tradicionais, mas deve, nos próximos anos, passar a nortear o processo educativo.

“O objetivo é sair do modelo de aula expositiva, em que o professor é o único que tem a possibilidade de despejar o conteúdo para que o aluno o assimile, colocando o estudante para pesquisar, trazer propostas de resolução de problemas e materiais para a sala de aula”, explica a professora do programa de pós-graduação em educação da Universidade Estadual de Maringá Maria Luisa Furlan Costa.

Com isso, o aluno desenvolve autonomia e se engaja mais em sua própria formação, além de desenvolver uma série de habilidades socioemocionais necessárias às vidas pessoal e profissional. Nesse processo, o professor assume o papel de direcionar o olhar do aluno, incentivá-lo a ser e se manter participativo e orientá-lo para o uso adequado das ferramentas educacionais. “O professor vai despertar no aluno o interesse para que ele busque e fale sobre o assunto”, resume a diretora pedagógica do Colégio Amplação, Gisele Mantovani Pinheiro.

Chegar a isso depende da adoção de novas metodologias de ensino, da criação de ambientes escolares favoráveis ao protagonismo dos alunos e do uso de ferramentas tecnológicas. No Colégio Sesi, por exemplo, que aposta em um modelo de ensino que tem o aluno como centro desde sua abertura, em 2005, os estudantes trabalham em equipes em projetos trimestrais.

“Mais do que dizer que o aluno tem que praticar o protagonismo, temos que criar o ambiente para que ele seja movido a fazer isso. Eles têm que aprender a tomar decisões e a ouvir o outro, então eles sentam em equipe, na nossa sala de aula não existem carteiras. Eles trabalham por pesquisa, então não existe material didático, existem materiais de apoio e nós permitimos o uso de tablets e celulares com a supervisão do professor”, diz a gerente executiva de educação do Sistema Fiep, Giovana Punhagui.

No Colégio Sesi, para que o aluno assuma o protagonismo de sua educação, uma metodologia diferente é associada a novas formas de organizar as salas de aula e ao uso de dispositivos tecnológicos.
No Colégio Sesi, para que o aluno assuma o protagonismo de sua educação, uma metodologia diferente é associada a novas formas de organizar as salas de aula e ao uso de dispositivos tecnológicos. | Gelson Bampi/Divulgação

Metodologias ativas e ensino híbrido

As propostas de fazer o aluno arregaçar as mangas e criar algo, como a da Edukamaker, e de trabalhar com projetos em equipe, como a do Colégio Sesi, são apenas algumas das metodologias que podem ser aplicadas na educação do futuro. Há ainda aquelas baseadas em solução de problemas, as que envolvem dinâmicas de jogos (gamificação) e as chamadas salas de aula invertidas.

“Quando falamos em sala invertida, o professor diz: ‘olha, vou dar a próxima aula sobre espécies marinhas, então pesquisem e tragam o que encontrarem para a sala de aula’. E isso é difícil, porque se o aluno tiver uma mãe ou o pai que é doutor em vida marinha, ele pode trazer algo que o professor não sabe. Isso causa resistência”, diz Maria Luisa. Essa resistência deve ser vencida, conforme os representantes do setor, por meio de uma formação dos professores que se volte para as novas possibilidades que eles têm em sala de aula.

As metodologias não dependem necessariamente da tecnologia, mas podem ser favorecidas a partir do uso delas, principalmente pois elas integram o dia a dia dos estudantes. Quando isso acontece, caracteriza-se o ensino híbrido, ou seja, aquele que se utiliza de ferramentas tecnológicas e da internet para que as atividades aconteçam on e offline, de forma presencial ou remota.

Para muitas escolas, o primeiro contato com o híbrido se deu no contexto da pandemia, o que pode limitar a compreensão dele à combinação do presencial ao remoto. Porém, ele acontece a partir de toda integração de tecnologia à educação, inclusive do uso de computadores, tablets, celulares e realidade virtual ou aumentada em sala de aula.

“Tinha escolas que já utilizavam e nem sabiam, pois já lançavam desafios para o aluno pesquisar em casa e trazer o que encontrou para a sala de aula. É uma ferramenta antiga que alguns já utilizavam, mas não valorizavam”, diz Gisele. Enquanto as atividades presenciais em escolas forem restritas devido à Covid-19, o ensino híbrido vai permitir que os alunos tenham acesso à educação mesmo sem estarem dentro da escola. Depois, deve permitir que o tempo que professores e alunos passam juntos seja melhor aproveitado, com o aprofundamento dos conteúdos e esclarecimento de dúvidas.

No ensino superior, segmento em que se espera um crescimento da educação à distância, a expectativa é que isso signifique colocar o conhecimento adquirido em prática. “Os momentos de presencialidade vão ser muito necessários ainda, mas não serão para passar conteúdo, pois isso pode ser feito por um vídeo gravado ou aula remota. O momento de sala de aula terá que ser mais significativo no sentido de colocar a mão na massa e trazer elementos que deem significado e propósito para o aprendizado”, afirma o diretor geral da Hotmilk, a aceleradora da PUCPR, Fernando Bittencourt Luciano.

Para que isso seja possível, no entanto, as instituições de ensino e os professores vão precisar dominar as ferramentas digitais e as melhores formas de integrá-las ao processo educativo. Conforme os especialistas, uma forma de fazer isso é por meio de formação continuada que foque não apenas na instrumentalização de professores e alunos para o uso de ferramentas digitais, mas também na discussão sobre como as tecnologias podem facilitar o aprendizado.

Outra é pela colaboração com startups como a Edukamaker, que leva seus cursos para dentro de escolas interessadas. De acordo com o Mapeamento Edtech - Investigação sobre as startups de tecnologia educacional, feito pela Associação Brasileira de Startups (Abstartups) em parceria com o Centro de Inovação para a Educação Brasileira (CIEB), que captou dados no segundo semestre de 2019, no Brasil hoje há cerca de 450 destas pequenas empresas - 10% das quais estão no Paraná. Além de oferecer cursos e conteúdos, como a Edukamaker, elas trabalham com plataformas de ensino, ferramentas para professores e alunos, e serviços de tecnologia educacional.

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