O Women Talks fomenta a liderança feminina nas empresas  e é promovido pela Women Lidership (WL).
O Women Talks fomenta a liderança feminina nas empresas e é promovido pela Women Lidership (WL).| Foto: Unsplash.

Não saber como fomentar a liderança feminina é um dos maiores problemas percebidos atualmente dentro das empresas. É o que pensa Isabella Quartarolli, CEO da Women Lidership (WL). Essa percepção foi levantada pela CEO no bate-papo Women Talks, que aconteceu na última terça-feira (2).

Acompanhada de Michelle de Cerjat, coordenadora de comunidade, e João Batista, analista de marketing e diversidade, ambos do Ebanx, Isabella se propôs a apontar alternativas sustentáveis e eficazes para solucionar esse problema.

O primeiro passo, como explica Michelle, é reconhecer a existência de um déficit e refletir sobre como é possível endereçar ele dentro da empresa. “Uma coisa que as empresas podem fazer para acelerar o processo e trazer mais mulheres para os cargos de liderança é assumir metas mensuráveis com relação a ocupação desses cargos. De nada adianta debater a questão na teoria e não ser capaz de calculá-la dentro da instituição”, sugere.

Além disso, João Batista reforça a necessidade de enxergar a interseccionalidade dentro da categoria mulher, isto é, compreender que mulheres podem ser mulheres negras, trans, com deficiência, dentre outras, e que fomentar a liderança feminina implica reconhecer cada uma dessas individualidades para pensar também como é possível desenvolvê-las no cerne da empresa.

“Abarcar todas as categorias de mulheres num plano inicial de inclusão pode ser difícil e, por isso, não é um problema começar de uma forma mais ampla, desde que a estratégia de fomento esteja de mãos dadas com um planejamento de diversidade que venha a acontecer posteriormente”, pontuou Batista.

Perspectiva 360

Outro importante ponto levantado no bate-papo foi a necessidade de olhar para todos os níveis dentro da instituição. Apesar do debate ser, principalmente, sobre como impulsionar a presença de mulheres em cargos de liderança, de nada adianta fazê-lo para cumprir uma meta e ignorar que outros cargos da empresa também deveriam ser ocupados por elas.

João Batista traz o exemplo do próprio Ebanx que, por ser uma empresa de tecnologia – ambiente majoritariamente ocupado por homens – tem promovido ações específicas para garantir a ocupação de mulheres em outros setores também.

“O olhar em rede, 360, é essencial para manter mulheres na liderança. Se uma mulher lidera apenas para homens, muito provavelmente o cargo que ela ocupa reflete uma cota a ser cumprida e não a ideologia do negócio”.

A importância dos processos de recrutamento

A fim de garantir a consolidação de uma ideologia inclusiva dentro da empresa, é essencial certificar-se de que todos os funcionários estão alinhados com o modo de pensar. Nesse sentido, processos de recrutamento são muito importantes pois, através de metodologias específicas, como a criação de vagas direcionadas ou promoção de debates sobre diversidade nas dinâmicas, reforçam o perfil dos concorrentes.

Com relação a isso, os participantes do bate-papo sugerem a criação de uma banca avaliadora e atenta para a questão da diversidade. “Pessoas que não correspondem ao perfil, que não respeitam valores de equidade, por exemplo, serão identificadas com mais facilidade e não avançarão no processo de recrutamento. Se, em raros casos, isso não for percebido de início e a pessoa for contratada, porque há a política de prestar atenção nisso dentro da empresa, essa pessoa não vai se manter no cargo por muito tempo”, diz Michelle.

Equidade de gênero também deve ser papo de homem

“Chamar para perto” é a expressão chave ao falar de equidade de gênero. Nem todas as pessoas, como explica a CEO da Women Lidership, vão ter o repertório para debater esse assunto, mas isso não significa que elas não devam ser incluídas no diálogo. Inclusive, é essencial que, para que ele se concretize, quem não conhece passe a fazer parte da discussão. “Nesse caso, chamar os homens para perto é que o que vai democratizar mais a ideia de equidade de gênero”.

“Dentro das empresas, a grande maioria dos cargos de liderança ainda é ocupada por homens e por isso a importância de trazê-los para esse diálogo. Se homens não entenderem a relevância de ampliar a presença feminina nas instituições, nunca vamos alcançar a equidade”, diz Michelle. “Lógico, é essencial que esses homens compreendam seus papéis dessa trajetória, seus lugares de fala, mas sem o apoio deles, o fomento de lideranças femininas no ambiente corporativo será incompleto”, finaliza.

Women Talks

São bate-papos online e gratuitos que acontecem mensalmente com mulheres líderes de grandes empresas e startups, empreendedoras e fundadoras. Os temas são sobre carreira, liderança, empreendedorismo e tudo que engloba o universo feminino.O Gazz Conecta é parceiro da iniciativa.

Conteúdo editado por:Camila Machado
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