Aplicativos de videoconferência também são alvos dos criminosos. Somente neste ano foram identificados 44 mil downloads dessas ferramentas falsas.
Aplicativos de videoconferência também são alvos dos criminosos. Somente neste ano foram identificados 44 mil downloads dessas ferramentas falsas.| Foto: Bigstock

A rotina de se trabalhar do conforto de casa passou a fazer parte do dia a dia de milhões de pessoas, não apenas no Brasil como em todo o mundo. A pandemia forçou um movimento para o qual muita gente não estava preparada e as adaptações a esses processos foram ocorrendo de maneira gradual e automática. Em meio a essas mudanças, a segurança digital de dispositivos e dados corporativos, que antes era incumbida aos setores responsáveis dentro das empresas, passou também a ser incorporada pelos demais colaboradores.

O simples ato de acessar um e-mail corporativo no dispositivo pessoal, entrar na conta bancária da empresa, conectar o notebook no Wi-Fi de casa ou acessar seu computador do escritório de forma remota requer cuidados que na maioria das vezes passam despercebidos e podem colocar em risco dados corporativos e confidenciais. O uso de um dispositivo próprio para o trabalho sem uma solução de segurança adequada potencializa ainda mais esse perigo.

Aproveitando-se dessa vulnerabilidade, cibercriminosos têm se dedicado cada vez mais em golpes corporativos em razão alta lucratividade que o vazamento de dados empresariais pode representar para essas quadrilhas virtuais. Um levantamento da dfndr lab, laboratório especializado em segurança digital da PSafe, apontou que esse tipo de ameaça tem crescido consideravelmente no período da pandemia.

Emilio Simoni, diretor do dfndr lab, explica que os criminosos têm criados golpes com foco em funcionários em home office após o período de pandemia. “Eles sabem que uma vulnerabilidade das empresas durante a pandemia tem sido justamente a quantidade de funcionários que utilizam dispositivos pessoais para acessar informações corporativas, sem nenhuma solução de segurança instalada”, alerta.

Levantamento da PSafe aponta os tipos de golpes com os quais os trabalhadores que estão em regime home office devem ficar atentos:

Phishing bancário

Os criminosos criam páginas falsas de bancos e outras instituições com o objetivo de conseguir os dados bancários dos usuários. São criadas cópias quase perfeitas dos sites originais para induzir a vítima a acreditar que de fato está acessando sua conta virtual. Muitas dessas réplicas são distribuídas por meio de links maliciosos enviados nos e-mails. Nesses casos, a instalação de um antivírus adequado pode ajudar a identificar possíveis tentativas de golpe.

Malware

Hackers usam softwares maliciosos para infectar o computador e roubar dados confidenciais. Muitos deles são enviados por meio de e-mails se passando por bancos, corporações ou até mesmo mensagens pessoais de amigos, que tenham por ventura tenham também tenham sido vítimas. O cuidado para não abrir mensagens desconhecidas e a instalação de uma solução de segurança adequada podem ajudar na prevenção.

Roubo de Wi-Fi e sinal desprotegido

Normalmente as redes particulares de Wi-Fi apresentam níveis baixos de segurança e isso também pode expor os dados corporativos à ameaças. De acordo com Simoni, o roubo de Wi-Fi é uma possibilidade real em uma conexão desprotegida. A recomendação do especialista é ter sempre uma solução de segurança nos seus dispositivos para evitar que ameaças virtuais atinjam sua conexão: “Dentre os perigos mais comuns estão o roubo de dados pessoais, roubo de informações confidenciais, vazamentos de credenciais e senhas, golpes de phishing, alteração do roteador, infecção dos dispositivos conectados e sequestros da banda larga”, alerta o especialista.

A troca de senhas padrão, na maioria das vezes configurada a partir da própria instalação, é recomendada.

Videoconferência na mira dos criminosos

Talvez uma das ferramentas mais utilizadas por trabalhadores em regime home office, os aplicativos de videoconferência também se tornaram alvo preferencial dos criminosos. A mesma empresa especializada em segurança digital identificou uma série de apps falsos disponíveis para download. Um mapeamento realizado de janeiro até agora identificou 44 mil instalações indevidas desses mecanismos e a tendência é que com o trabalho remoto crescendo cada vez mais no país, esse número se torne ainda maior.

Aplicativos do Google, Zoom e Skype são algumas das empresas que já foram vítimas desse tipo de falsificação de seus produtos. O prejuízo para o usuário que instala uma dessas ferramentas por engano é enorme, podendo ir desde o vazamento de informações pessoais e corporativas, como logins e senhas, até o roubo e exposição de dados bancários de colaboradores, clientes e fornecedores. No pior dos cenários, as empresas podem ser vítimas do chamado ransomware, situação onde o criminoso invade e sequestra o dispositivo e exige o pagamento de altos valores para não divulgas os dados confidenciais.

Aposte nas redes VPN

A Virtual Private Network (VPN) - ou Rede Privada Virtual – talvez seja uma das melhores formas de se proteger contra o roubo de dados ao se trabalhar de casa. Esse tipo de tecnologia cria uma conexão segura entre seu computador e os servidores da internet, impedindo o acesso das informações que são compartilhadas por ela. Esse mecanismo é indicado principalmente para quem precisa acessar o computador da empresa diretamente de casa. Os planos pagos oferecem mais garantias e proteção do que os gratuitos.

Como proteger seus dispositivos no home office?

Para se proteger de situações como essa, o especialista orienta que as empresas disponibilizem nos computadores dos colaboradores uma solução contra vazamento de dados, além de antivírus.

Também é preciso ficar alerta na hora da pesquisa, sempre optando pelos sites oficiais dos aplicativos e verificando quem é o seu desenvolvedor. As avaliações dos usuários também são importantes. Sempre desconfie de números baixos de opiniões ou excessivamente negativas.

A criação de senhas diferentes para cada tipo de serviço que utilizar no seu computador pessoal ou corporativo também é imprescindível. O uso da mesma senha ou de caracteres fáceis ou frases prontas aumenta a chance de problemas futuros. Troque senhas antigas muito fracas ou crie novas utilizando vários dígitos e sempre mesclando letras, números e símbolos.

A ativação da autenticação em dois fatores, como Instagram, WhatsApp e outros aplicativos que permitem sua utilização também é recomendada. Com isso, fica mais difícil do cibercriminoso invadir dispositivos e ter acesso a informações confidenciais.

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