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Digitalização no Brasil precisa passar por melhoria na infraestrutura
| Foto: Unsplash

Empresas que planejavam se digitalizar e se modernizar ao longo dos próximos 20 anos estão sendo obrigadas a fazer isso em meses por falta de opção. Nesse cenário, como se adaptar a tempo de não perder competitividade em meio às novas realidades que o coronavírus tem criado?

As tendências de mercado em tempos de pandemia foi principal tópico discutido na quinta e última live promovida pelo Hack Pelo Futuro, hackaton online promovido pela Superintendência de Inovação do Governo do Paraná para fomentar iniciativas de combate à Covid-19.

A videoconferência contou com a participação de Michel Costa, da Founder Institute Brasil; a fundadora e CEO da startup TROC, Luana Toniolo; e Fabio Araujo, sócio da consultoria Brain Inteligência Estratégica. A mediação ficou por conta de Giancarlo Rocco, assessor de inovação na Celepar.

Segundo Araujo, o exercício constante que os empreendedores precisam fazer neste momento é olhar para as realidades de outros países para entender os próximos passos no Brasil, adaptando segundo seu próprio contexto. Para o especialista, se na Coreia do Sul e no Japão houve um isolamento completo durante dois meses para depois os cidadãos começarem a voltar à vida normal, no Brasil isso será diferente, com períodos de abertura do comércio intercalados a períodos fechados.

Com essa instabilidade, a digitalização se torna um imprescindível – apesar de não significar a salvação dos negócios. “O varejo já passava por uma crise tecnológica e agora tem um contexto ainda mais desafiador. Esta é a oportunidade de milhares de pequenas empresas passarem a oferecer seus produtos em marketplaces, mas, ao mesmo tempo, como a competição aumenta, não necessariamente elas vão ter preço para competir”, explica Araujo.

Preço, histórico da marca, descontos ou rapidez na entrega são algumas das estratégias que lojas podem oferecer para se destacar em meio à competição. “40% das compras online realizadas nos Estados Unidos foram de pessoas que nunca haviam comprado online. Antes, a regra era ser inovador e moderno. Hoje, o ideal é ser reconhecido, testado e comprovado. As pessoas estão apostando no que elas já confiam”, endossa Luana Toniolo.

Mudança de comportamento

Outro ponto abordado na conversa foram as mudanças de comportamento de consumo que serão consequência da crise. Giarcarlo pontuou que a compra pela internet via app cresceu 30% no Brasil, e que os grupos que mais cresceram estão pessoas com mais de 50 anos, seguidos das classes da C D e E – que representam mais da metade do poder de compra dos brasileiros.

No entanto, não é apenas a evolução da tecnologia que conta para acelerar a digitalização do consumo no Brasil. Segundo Michel, grande parte do problema ainda é estrutural.

“Por que o Brasil não tem uma Amazon que funciona com a agilidade do exterior? O problema é a logística, que no Brasil não funciona como nos Estados Unidos. Além disso, grande parte da população não é bancarizada. Dos 32 milhões de brasileiros precisam receber o auxílio emergencial, 20 milhões não têm conta no banco – e, por consequência, não tem cartão de crédito e não compra online”.

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