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Conta de luz.
A tecnologia permite que o consumidor realize um cadastro no site e passe automaticamente a receber os descontos.| Foto: Divulgação/Metha Energia

Contas de luz muito caras mesmo em casas que não têm um interruptor aceso à toa. Esse foi o estopim para a fundação da Metha, startup de geração distribuída de energia elétrica, que reduz o valor de contas de luz em até 15%. Fundada em 2017 por Victor Soares e Diego Fraga, a empresa conecta pequenos produtores de energia sustentável — solar, biogás, eólica ou hídrica — a consumidores diretos, como comércios e residências.

O conceito de "geração distribuída" se refere a quando o produtor tem pequenos centros de geração de energia em sua própria propriedade. A energia produzida ali é vendida para residências e pequenos comércios, tendo como consequência um abatimento de até 15% no valor da conta de luz. Assim, é possível consumir energia limpa sem fazer investimentos com instalações de placas solares, por exemplo.

A solução foi premiada em 2018 pelo Seed, programa de aceleração de startups do governo de Minas Gerais, e foi destaque do levantamento do Distrito Minas Tech Report 2020.

"Desde 2015 a legislação estabeleceu o sistema de crédito de energia. Toda pessoa física ou jurídica pode fazer a instalação de uma plataforma de energia elétrica, biogás, ou uma pequena central hidrelétrica, contando que seja uma fonte de energia renovável e implantada de maneira privada. Quem faz este investimento recebe o crédito de energia para reduzir o valor pago por ele na fatura, que é distribuída entre os clientes da Metha”, explica o CEO da Metha, Victor Soares.

Apesar de ainda ser pouco utilizada, a energia renovável tem grande potencial de crescimento no Brasil. O presidente da Eletrobras, Wilson Ferreira Junior, estima que até 2030 o mercado livre de energia represente metade do consumo brasileiro.

Segundo Soares, apesar de apenas 230 mil residências no Brasil terem acesso ao tipo de crédito oferecido pela startup, os números mostram um crescimento neste tipo de adesão, registrando aumento de 320% no número de clientes desde o começo de 2020.

Atualmente, são 28 mil residências cadastradas na plataforma e 13 parceiros produtores de energia, todos no estado de Minas Gerais. Segundo os sócios, a expectativa é expandir a atuação para mais quatro regiões do Brasil nos próximos seis meses. O objetivo é atender 80 mil residências no país até março de 2021.

Para receber o benefício, os interessados devem realizar um cadastro no site da Metha. Também é necessário que produtores e consumidores estejam no raio de cobertura de uma única companhia de energia.

“O mundo inteiro evoluiu muito, mas a energia parou no tempo porque é um monopólio. Entendemos que além da economia o cliente precisa de uma experiência melhor com as companhias de energia. O cliente final ganha, a natureza ganha, e a pessoa que monta a infraestrutura ganha também”, comemora o CEO. 

 Victor Soares, CEO e co-fundador da Metha Energia. Foto: Divulgação
Victor Soares, CEO e co-fundador da Metha Energia. Foto: Divulgação

O crescimento no número de clientes corrobora com dados do Ministério de Minas e Energia, que mostram um crescimento de 92% no consumo de energia solar e 15,5% no consumo de energia eólica no país em relação a 2018. No cenário da pandemia, na contramão da média brasileira de consumo, enquanto as residências mostraram queda de 11% no consumo de energia após o início do isolamento social  — segundo dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) — a startup mineira registrou um crescimento de 15,27% no consumo de seus clientes em junho, se comparado ao mesmo mês do ano passado.

Sustentabilidade e economia

O Brasil ainda tem um longo caminho para a conscientização do consumo mais sustentável. A Metha Energia sente que as três justificativas mais usadas entre clientes para contratar a empresa são economia, atendimento e sustentabilidade. Para Soares, o acesso a produtos e recursos sustentáveis deve ser barateado para atingir uma maior parcela da população.

“A conscientização sobre o consumo vem se tornando algo cada vez mais relevante, mas ainda está muito longe do ideal. Quando a sustentabilidade vira uma possibilidade acaba gerando muito valor. Falta a sociedade conseguir criar maneiras de facilitar as escolhas mais sustentáveis para os clientes”, finaliza o CEO.

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