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Indústria 4.0
As startups com soluções para a indústria 4.0 captaram cinco vezes mais em 2020, em comparação aos últimos oito anos.| Foto: Anamul/Unsplash

Startups que oferecem produtos e soluções para a inovação nos processos industriais fazem parte do setor de indústria 4.0, que registrou crescimento de 427% no valor recebido em investimentos no último ano. Os dados são da pesquisa Distrito Indústria 4.0 Report 2021, mapeamento inédito do segmento realizado pela  plataforma de inovação Distrito e divulgado com exclusividade pelo GazzConecta.

As startups com soluções para a indústria 4.0 levantaram no ano passado US$ 61,51 milhões em investimentos. Em 2019 o valor foi de US$ 11,66 milhões. O crescimento acelerado, segundo o estudo, se deve a necessidade de digitalização das indústrias e do aumento no número de startups do setor. Ao todo, foram mapeadas 447 startups da categoria no Brasil.

Mesmo com o salto, o segmento é tímido em número de representantes e investimentos se comparado com outras verticais, como as fintechs. Isso se deve por duas suposições principais: que as startups têm mais facilidade de vender o produto e se sustentar por conta própria ou encontram o investimento fora do capital de risco.

Segundo Gustavo Araújo, CEO do Distrito, a indústria brasileira vem sofrendo com pressões como concorrência internacional, baixo investimento em ciência, tecnologia e infraestrutura. As barreiras, quem poderiam prejudicar as startups, na contramão, alavancaram seu crescimento.

"Vivemos um momento de baixa histórica da participação industrial no PIB do Brasil. Nesse contexto, vemos o ecossistema de inovação aberta como um catalisador para a digitalização da indústria brasileira, recuperando a capacidade produtiva do país", diz Araújo.  

Este ano já registra os primeiros investimentos em startups da indústria 4.0, ao todo foram investidos US$ 6,5 milhões divididos em cinco rodadas. Entre as investidas estão as empresas Tractian, Pineal Tecnologias3D, Ecotrace Solutions, Agrisolus e Peerdustry, com a maior rodada registrada até agora no valor de US$ 554 mil.

Enquanto o volume de investimentos em capital de risco delas ainda é tímido, o cenário é próspero para fusões e aquisições. Foram 12 de 2017 para cá, envolvendo grandes empresas globais como a brasileira WEG e a alemã Siemens.

Na visão de Eduardo Bayer, Analista de Inteligência de Dados do Distrito Dataminer, investimento em tecnologia e pesquisa podem alavancar a vertical. "É preciso mais conexão com as indústrias, mais investimentos em pesquisa e tecnologia que podem acontecer a partir da inovação aberta e aquisições. Isso mostra tanto para os investidores privados quanto para os empreendedores que existe futuro no setor", explica.

Quem são e o que fazem as startups?

Entre as dez startups destaque do estudo, com base em número de funcionários, faturamento, métricas de redes sociais e investimentos estão Smart Breeder, Opentech, Radix, Sky.One, Grupo Siagri, Sematix, Gênica, Ativy, Intelie e Solinftec.

As startups atuam desde a implementação de Advanced Analytics que utilizam a ciência de dados aplicadas a etapas da produção industrial, possibilitando a gestão e manutenção preventiva de fábricas, até implementação de sistemas de Internet das Coisas (IoT), interação homem-máquina, manufatura avançada, manipulação da matéria-prima, operação logística e energia. Juntas as startups brasileiras do setor empregam 9 mil pessoas.

Ainda na visão de Bayer, as startups podem proporcionar agilidade, eficiência e a inovação aberta pode ser a chave, proporcionando conexão de um jeito mais eficiente, rápido e menos custoso.

"Normalmente a inovação industrial acontece dentro das próprias indústrias a partir de departamentos, mas isso pode ser muito caro. Quando a indústria implementa inovação de startups está trazendo para dentro soluções que já são testadas, validadas e com equipe qualificada. São menores as dores quando a indústria implementa inovação a partir das startups", defende o analista.

Tendências para o futuro

O levantamento vislumbra ainda as tendências da indústria 4.0 para o futuro. Entre as possibilidades apontadas estão desenvolvimento de tecnologias industriais a serviço da sustentabilidade e Governança Ambiental, Social e Corporativa (ESG), como iniciativas para diminuir a utilização de recursos fósseis e aumento de reservas de energias sustentáveis.

A tecnologia da quinta geração 5G também deve estar na indústria em um futuro próximo, permitindo taxas de transmissões de dados elevadas e grande confiabilidade na rede. A tecnologia pode permitir o desenvolvimento de lavouras robotizadas e até cirurgias à distância.

Entre as startups que segundo o estudo estão com crescimento acelerado e devem expandir suas atuações nos próximos anos estão Mondu Energy, Keepee, Solviano, Nexto, Aliger, Quattro Logística, Geo-X , Confiance Medical e Kajoo Smart Solutions.

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