Pesquisa Beyond Borders 2020, realizada pelo Ebanx, buscou entender o impacto da Covid-19 no e-commerce da América Latina e seu potencial para o próximo ano
Pesquisa Beyond Borders 2020, realizada pelo Ebanx, buscou entender o impacto da Covid-19 no e-commerce da América Latina e seu potencial para o próximo ano| Foto: Mika Baumeister / Unsplash

Em meio à crise do novo coronavírus, o e-commerce na América Latina fez história. Com crescimento de 8,49% no ano e valor de mercado de US$ 200 bilhões, a região foi a segunda com crescimento mais rápido no setor no mundo, atrás apenas do Sudeste Asiático. Os dados são da pesquisa Beyond Borders 2020/2021, realizada pelo Ebanx e publicada nesta terça-feira (15), que teve como objetivo entender o impacto da Covid-19 no e-commerce da América Latina, bem como seu potencial para o próximo ano. Para isso, o estudo foca em quatro países: Brasil, México, Chile e Colômbia.

Esse crescimento acelerado – que, em condições normais, só seria atingido em 2022 – contou com 52 milhões de novos consumidores no comércio eletrônico durante a pandemia nos países latinos. Isso elevou o número de consumidores online em até 30% na região.

Só no Brasil, o crescimento foi de 8,5% em 2020, e a previsão para 2021 é um aumento de 19%. No Chile, país mais digitalizado da região, o aumento foi de 1,5% em 2020 e a previsão é de passar a 22% no próximo ano.

Para compor os dados da pesquisa, a metodologia contou com a parceria da Americas Market Intelligence (AMI), compilando dados internos e externos de empresas relacionadas ao mercado de e-commerce, pesquisas com 3.280 consumidores de países latinos e entrevistas com executivos de grandes concorrentes do setor, como World Bank, Cielo, Stone PayPal e Mercado Livre.

Além de um panorama da área nestes países, a pesquisa também elenca sete tendências para o e-commerce na América Latina (veja abaixo).

Digitalização e inclusão financeira

Na apresentação da pesquisa, realizada nesta terça-feira (15), a head de marketing internacional do Ebanx, Jaqueline Bartzen apontou o quanto o cenário é positivo na região.

“A primeira história muito clara que vemos no estudo é que existe uma nova América Latina nascendo no comércio como um todo, mas especialmente no e-commerce. E isso se deve a dois fatores: a inclusão financeira e a digitalização”, afirmou a executiva.

O auxílio emergencial concedido pelos países impulsionou a inclusão financeira em toda a América Latina. Um dos destaques é o Brasil: segundo dados do Banco Central, 9,8 milhões de brasileiros passaram a ter acesso a produtos financeiros entre março e setembro.

Além da inclusão financeira, a inclusão digital também fez diferença. Pela primeira vez, o número de usuários de 4G superou os de 3G e 2G, chegando a uma média de 51% de uso da tecnologia na América Latina, versus 32% e 17%, respectivamente.

Os dez sites mais acessados pelos brasileiros na pandemia

Com dados da SimilarWeb, a pesquisa também revela os sites mais acessados pelos países latino-americanos entre janeiro e julho de 2020. Com mais de 250 milhões de acessos em maio e julho, o Mercado Livre se mantém na liderança com folga. Suas versões locais também são líderes nos acessos colombianos e mexicanos, e vice-líder no Chile.

No Brasil, o Mercado Livre é seguido, respectivamente, pela Americanas, OLX, Amazon, Magazine Luiza, Casas Bahia, Aliexpress, Submarino, Mercado Livre.com (sem o .br) e Zoom.

Tendências do e-commerce na América Latina

Com base nos dados apresentados, a pesquisa elencou sete tendências que devem marcar o e-commerce na América Latina para o próximo ano.

Sete tendências do e-commerce para a América Latina em 2021

1. Pix: pagamentos instantâneos podem revolucionar e-commerce no Brasil

Lançado em novembro pelo Banco Central, o novo sistema brasileiro de pagamento instantâneo, Pix, promete ganhar grande adesão no país pela sua praticidade - o que vem ao encontro da inclusão financeira sendo promovida no país.

2. No México, pagamentos instantâneos ainda precisam decolar

Já no México, o sistema de pagamentos instantâneos lançado em 2019 - chamado CoDi, Cobro Digital - não atingiu as expectativas, prejudicado pelas medidas de isolamento social. Para o próximo ano, a expectativa é que novos modelos de negócios associados a e-commerces e o uso de mídias sociais possam ajudar a acelerar a adoção do novo meio.

3. Cartões de débito ainda são revolucionários no Brasil

Apesar de muito usado pelos brasileiros, o débito representa apenas cerca de 6% dos pagamentos de compras online no país. A integração entre bancos, fintechs e varejistas que aceitam o modelo de pagamento deve aumentar este dado para o próximo ano. Além disso, o dinheiro em espécie não morreu: 30% das vendas online no país ainda utilizam métodos de pagamento que incluem essa modalidade.

4. Fintechs estão na linha de frente da inovação colombiana

"Bancos tradicionais com linhas de crédito estranguladas pela Covid-19, PMEs sem acesso a empréstimos e serviços customizados e um ambiente de pagamento digital impulsionado por novas regulamentações: esses são alguns dos motivos que explicam as oportunidades de ascensão do ecossistema de fintechs colombiano", aponta a pesquisa. Novos negócios no país podem aproveitar o momento de adesão da população às fintechs, consumindo cada vez mais bens e serviços digitais.

5. Um novo horizonte no Chile com a abertura do mercado de aquisição

A aquisição e a operação dos meios de pagamento no Chile sofreu uma mudança regulatória benéfica que facilitou o processo antes burocrático. A novidade promete aumentar a concorrência e beneficiar milhões de consumidores com a inclusão financeira. Vale ficar atento neste mercado.

6. A logística é a chave para o crescimento

Uma estratégia de entregas eficiente em um país continental como o Brasil é fundamental para o sucesso de um negócio. No contexto da pandemia, o desenvolvimento de soluções logísticas foi acelerado no país. Fique de olho nelas.

7. Cada país tem suas particularidades

Apesar de seu grande potencial de crescimento como região, a América Latina é plural, composta por mercados diferentes entre si. Por isso, a estratégia de vendas centrada no usuário, focando em sua individualidade, é fundamental para o sucesso de um negócio - uma experiência massiva para todos provavelmente será ineficiente.

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