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A confiança vem ganhando protagonismo nas discussões sobre cultura organizacional e não por acaso. Mais do que um valor desejável, ela se consolida como um fator estruturante para o desempenho das empresas, influenciando desde o clima interno até os resultados financeiros.
Na prática, segundo a consultora organizacional Ketty Cipullo, facilitadora de treinamentos, palestrante e integrante do Conselho Consultivo da ABRH-PR, a confiança molda a forma como as equipes se relacionam e produzem. “Ela é a base das relações humanas. Nas organizações, isso se reflete diretamente na maneira como as pessoas colaboram e entregam resultados”, afirma.
Em ambientes onde esse elemento está presente, o impacto é perceptível no dia a dia. Profissionais passam a confiar não apenas na competência, mas também na intenção dos colegas. O resultado é uma dinâmica mais colaborativa e menos dependente de controles rígidos. “As interações se tornam mais fluidas, a tomada de decisão ganha agilidade e as equipes operam com mais eficiência e alinhamento”, explica.
Essa construção, no entanto, não ocorre de forma espontânea. Ketty destaca que a cultura de confiança precisa ser desenvolvida em todos os níveis da organização, embora comece, necessariamente, pela liderança. “Cabe às lideranças dar o tom e servir de exemplo no dia a dia”, diz.
Um diferencial competitivo
A relevância do tema também aparece em dados de mercado. O índice de confiança do Great Place to Work (GPTW) mostra que empresas com altos níveis de confiança apresentam desempenho superior, inclusive em retorno aos acionistas. Para a especialista, esse resultado está diretamente ligado à capacidade de formar equipes de alta performance. “A confiança é um elemento central para a sustentabilidade do negócio. Quando ela não existe, os impactos aparecem rapidamente”.
Completa que, entre os principais sinais estão o aumento do turnover, do absenteísmo e de falhas operacionais. “Isso compromete a agilidade, a inovação e a eficiência, afetando diretamente os resultados”. Nesse cenário, a confiança deixa de ser apenas um aspecto relacional e passa a ocupar um espaço estratégico dentro da cultura organizacional.
Menos controle, mais autonomia
A discussão sobre confiança também dialoga com a transformação dos modelos de gestão. Matérias veiculadas na mídia brasileira mostram que o tradicional formato de comando e controle perde espaço para estruturas mais horizontais, baseadas em autonomia e responsabilidade. De acordo com Ketty, essa mudança depende de relações mais transparentes entre líderes e equipes. “Em ambientes onde a confiança está presente, há abertura, clareza e responsabilidade compartilhada”.
O papel da liderança, novamente, é decisivo. Delegar com clareza, garantir recursos e manter diálogo constante são práticas que fortalecem esse ambiente. “Os líderes mais eficazes ajustam sua forma de conduzir conforme a maturidade da equipe e a complexidade das demandas”, explica. Quando esses elementos estão presentes, práticas como a microgestão tendem a desaparecer, deixando de ser necessárias em um ambiente onde há alinhamento, transparência e senso de responsabilidade.

Confiança à distância
Com a consolidação do trabalho híbrido, o tema ganhou ainda mais relevância. A distância física exige um esforço maior na construção de vínculos e na clareza das expectativas. Segundo a especialista, o sucesso desse modelo depende de acordos bem definidos. “A comunicação precisa ser intencional e cuidadosa. É fundamental garantir que prioridades e expectativas estejam bem compreendidas por todos”, ressalta.
Além disso, o equilíbrio entre cobrança e apoio se torna essencial. O cenário favorece o desenvolvimento da autonomia e da responsabilidade individual, fatores que sustentam a produtividade mesmo fora do ambiente presencial. “Quando há clareza, alinhamento e confiança, o trabalho híbrido tende a manter níveis elevados de engajamento”, acentua.
Custo da desconfiança
Em ambientes marcados pela desconfiança, profissionais tendem a adotar posturas mais defensivas, evitando conflitos e reduzindo a colaboração. “O processo fica mais lento e burocrático. O impacto aparece no comprometimento. Prazos deixam de ser cumpridos, a qualidade das entregas cai e o engajamento diminui”, reitera.
Mesmo empresas financeiramente estáveis podem sentir esses efeitos no médio e longo prazo, especialmente em contextos de alta competitividade. Por outro lado, pontua a especialista, culturas organizacionais que valorizam a confiança criam condições para que as pessoas se expressem com mais segurança e enfrentem problemas de forma aberta. “Isso acelera a tomada de decisão, fortalece o senso de responsabilidade e sustenta níveis mais elevados de desempenho”.

Construção diária
Mais do que uma diretriz formal, a confiança é resultado de práticas consistentes. Ketty destaca que não são ações pontuais que consolidam esse ambiente, mas a coerência no comportamento das lideranças. “Líderes que cumprem o que prometem e se mantêm disponíveis para apoiar suas equipes se tornam referência”, alega.
Por fim, ela avalia que, em um cenário de mudanças rápidas e exigências crescentes, a confiança se firma como um ativo silencioso e determinante para empresas que buscam crescer e sustentar resultados a longo do tempo. “Criar e manter uma cultura organizacional baseada em confiança é responsabilidade de todos na organização. E é um movimento que começa pelas lideranças”.
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