
Eneagrama avança nas empresas e redefine estratégias de liderança e gestão de pessoas
Eneagrama avança nas empresas e redefine estratégias de liderança e gestão de pessoas
13/07/2026 às 00:01

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O Eneagrama, sistema que descreve nove padrões de personalidade e suas motivações centrais, tem se consolidado como uma das ferramentas mais relevantes no desenvolvimento de lideranças e na gestão de pessoas nas empresas. Mais do que identificar comportamentos, o método aprofunda a compreensão sobre o que move cada indivíduo, um diferencial que tem impactado diretamente a dinâmica organizacional.
Membro do Conselho Deliberativo da ABRH-PR, Andréa Girotto, psicóloga e especialista em desenvolvimento de lideranças, afirma que o avanço do Eneagrama no mundo corporativo está diretamente ligado à sua capacidade de ir além da superfície. “Ele explica a motivação por trás do comportamento. E isso muda tudo na gestão de pessoas.
Segundo ela, quando líderes passam a compreender seus próprios padrões, tornam-se mais conscientes de seus pontos cegos, reações automáticas que influenciam a equipe. “Um líder pode ter características extremamente positivas, mas, sem percepção, essas mesmas características podem gerar efeitos negativos no time”, explica.

Essa leitura mais profunda também transforma a dinâmica coletiva. Diferenças de ritmo, comunicação e postura deixam de ser interpretadas como falhas individuais e passam a ser compreendidas como padrões estruturais de personalidade. “Isso reduz conflitos, aumenta a empatia e cria um ambiente onde as pessoas colaboram a partir das diferenças, e não apesar delas”, diz Andréa.
Dados de um estudo internacional conduzido com 72 organizações em mais de 20 países reforçam essa tendência: comunicação e liderança aparecem como as áreas onde o Eneagrama é mais aplicado, evidenciando seu impacto direto nos resultados coletivos.
Recrutamento mais estratégico e humano
No campo do recrutamento, o Eneagrama tem sido incorporado como ferramenta complementar às avaliações tradicionais. Enquanto processos seletivos convencionais medem competências técnicas e comportamentos observáveis, o método amplia o olhar para aspectos mais profundos.
“As avaliações tradicionais raramente capturam a motivação interna da pessoa, o que a move, como reage à adversidade, o que a faz se engajar ou se retrair. O Eneagrama entra exatamente nessa lacuna”, afirma Andréa.
A especialista destaca que a ferramenta permite identificar potenciais que podem passar despercebidos em entrevistas. “Um candidato pode parecer pouco comunicativo, quando na verdade possui alta capacidade analítica e autonomia intelectual, qualidades valiosas em funções estratégicas”. E faz uma ressalva importante: “O Eneagrama nunca deve ser usado para eliminar candidatos ou rotular pessoas. Ele é uma lente de compreensão, não um julgamento”.
Times mais equilibrados e produtivos
A formação de equipes diversas e complementares é outro desafio recorrente nas organizações, e um dos pontos em que o Eneagrama tem mostrado resultados consistentes. Ao mapear os diferentes perfis, empresas conseguem identificar forças coletivas e lacunas estruturais.
Andréa acentua que times de alta performance não são formados por pessoas iguais, mas por pessoas complementares que aprenderam a trabalhar juntas. O Eneagrama torna essa complementaridade visível e consciente.
Na prática, isso permite que equipes ajustem processos e relações de forma estratégica. “Quando o grupo entende seus pontos cegos, ele pode criar práticas para equilibrar essas fragilidades. O resultado é uma colaboração mais inteligente”.
Em períodos de transformação organizacional, a ferramenta também se destaca ao apoiar a comunicação interna. Diferentes perfis reagem de maneiras distintas à incerteza, e ignorar isso pode gerar resistência e desgaste.
“Mudança é o momento em que as diferenças de personalidade ficam mais evidentes”, explica Andréa. “Quando o líder comunica de um único jeito, tende a perder parte da equipe”.

O Eneagrama permite adaptar a comunicação sem perder coerência. Andréa explica que não se trata de ser inconsistente, mas de ser estratégico e humano. É isso que diferencia uma mudança que engaja de uma que gera resistência.
Impacto na cultura organizacional
Os ganhos para as empresas que adotam o Eneagrama se concentram em três pilares principais: autoconhecimento, qualidade das relações e fortalecimento da cultura. O autoconhecimento gera líderes mais conscientes, capazes de tomar decisões mais equilibradas e conduzir conversas mais honestas. “Isso se reflete diretamente na qualidade dos relacionamentos internos”, afirma Andréa.
Segundo a The Enneagram in Business, organização internacional fundada por Ginger Lapid-Bogda, uma das principais referências mundiais na aplicação do Eneagrama em empresas, a metodologia tem sido amplamente utilizada para desenvolver lideranças, fortalecer equipes e apoiar processos de transformação organizacional.”
Com o tempo, esse movimento impacta a cultura organizacional. “Cultura é o resultado dos comportamentos repetidos, especialmente das lideranças. Quando há mais consciência, a cultura se torna mais intencional e consistente”. Apesar dos benefícios, a especialista reforça que não se trata de uma solução imediata. O Eneagrama não é uma ferramenta mágica. Ele exige seriedade, ética e continuidade.
Os resultados, no entanto, tendem a ser consistentes. “Os primeiros ganhos aparecem em cerca de seis meses, mas a consolidação leva mais tempo. É como ir à academia: quanto mais prática, mais natural se torna”, conclui.
Saiba mais sobre a ABRH-PR no site.
