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Transformar valores corporativos em resultados concretos é um dos maiores desafios da gestão de pessoas nas organizações contemporâneas. Mais do que um discurso institucional, a cultura empresarial precisa se manifestar no cotidiano das equipes, influenciando decisões, relações de trabalho e a forma como cada profissional se conecta ao propósito da empresa. Para Charmoniks Heuer, vice-presidente do Conselho Deliberativo da ABRH-PR, quando esse alinhamento acontece de maneira genuína, o impacto no desempenho organizacional se torna evidente.
Segundo ela, a cultura corporativa ganha força quando deixa de ser apenas um conjunto de princípios expostos em quadros ou documentos internos e passa a orientar comportamentos no ambiente de trabalho. “Quando a gestão de pessoas consegue conectar os valores da empresa ao propósito de cada colaborador, o engajamento cresce naturalmente. Profissionais que se sentem respeitados, ouvidos e parte do negócio tendem a apresentar maior comprometimento e desempenho”, acentua.
Dados recentes reforçam essa percepção. Um estudo da Gartner aponta que empresas capazes de integrar a cultura organizacional às práticas e rituais diários registram aumento de até 34% no desempenho dos colaboradores. O resultado indica que a cultura, quando aplicada na prática, pode se transformar em um ativo estratégico para o negócio.
Ponto de partida
Para que a cultura organizacional se converta em vantagem competitiva, o papel da liderança é determinante. Na avaliação de Charmoniks, que também é Head de RH Grupo Zonta e coordenadora da Apras - Associação Paranaense de Supermercados, líderes são os principais agentes de tradução dos valores da empresa para a rotina das equipes. “A cultura precisa ser vivida no exemplo diário”, pontua.
Charmoniks pondera que além do comportamento da liderança, estratégias como diálogo constante, reconhecimento de boas práticas e investimento no desenvolvimento profissional fortalecem esse processo. “Empresas que valorizam atitudes alinhadas aos seus princípios e estimulam ambientes de confiança tendem a consolidar uma cultura mais sólida, fator que, cada vez mais, diferencia organizações no mercado”.

Centro da estratégia
De acordo com ela, outro eixo que vem ganhando espaço na gestão de pessoas é o cuidado com a saúde mental. “Mais do que uma pauta social, o tema passou a integrar a agenda estratégica das empresas. Promover ambientes de trabalho saudáveis representa um compromisso com o respeito às pessoas”.
A vice-presidente do Conselho Deliberativo da ABRH-PR, afirma que iniciativas que incentivam o equilíbrio entre vida pessoal e profissional e oferecem apoio em momentos de pressão contribuem para que os colaboradores trabalhem com mais tranquilidade e foco.
Estudos consolidados em 2026 indicam que investir em saúde mental também gera retorno financeiro: para cada R$ 1 investido em prevenção e cuidado, o retorno médio para as empresas pode chegar a R$ 4, resultado da redução do absenteísmo e do aumento da produtividade, inclusive entre profissionais que permanecem no trabalho, mas antes apresentavam queda de rendimento, fenômeno conhecido como “presenteísmo”.

Sustentabilidade humana
Nesse cenário, segundo ela, ganha força o conceito de sustentabilidade humana dentro das organizações. “A proposta amplia o olhar sobre a gestão de pessoas, integrando desenvolvimento profissional, bem-estar e equilíbrio nas relações de trabalho. Cuidar das pessoas deixa de ser apenas uma iniciativa de responsabilidade social e passa a ser entendido como estratégia de negócio. As áreas de gestão de pessoas vêm ampliando programas voltados à criação de ambientes mais saudáveis e oportunidades de crescimento profissional”, afirma.
Para Charmoniks, a tendência é que esse movimento se fortaleça ainda mais com a participação conjunta de empresas, poder público e instituições, estimulando políticas e iniciativas que valorizem o desenvolvimento humano no ambiente corporativo.
“Na prática, a sustentabilidade humana deixa de ser vista como um gesto de boa vontade empresarial. Cada vez mais, representa redução de passivos, aumento de eficiência e fortalecimento da cultura organizacional, fatores decisivos para a competitividade e longevidade das empresas”, finaliza.
Saiba mais sobre a ABRH-PR no site: https://abrh-pr.org.br/
