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Liderança vulnerável ganha espaço nas empresas ao transformar confiança em estratégia

Mais do que admitir erros, a vulnerabilidade na liderança pressupõe autenticidade, inteligência emocional e capacidade de construir ambientes de confiança, sem abrir mão da autoridade e da tomada de decisão

Alexandre Mariath, advogado, escritor, palestrante, especialista em liderança
Alexandre Mariath, advogado, escritor, palestrante, especialista em liderança (Foto: Divulgação)

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Durante décadas, a imagem do líder esteve associada à figura de alguém que precisava demonstrar força o tempo todo, ter respostas para qualquer problema e transmitir uma sensação permanente de controle. Esse modelo, porém, vem perdendo espaço para uma liderança mais humana, capaz de reconhecer limitações sem comprometer a autoridade.

Nesse contexto, a chamada liderança vulnerável desponta como uma competência estratégica para organizações que buscam equipes mais engajadas, colaborativas e preparadas para enfrentar um ambiente de mudanças constantes.

Além da infalibilidade

Para o advogado, escritor e palestrante Alexandre Mariath, especialista em liderança, vulnerabilidade não significa insegurança ou falta de preparo. Ao contrário, representa maturidade para reconhecer que ninguém detém sozinho todo o conhecimento necessário para conduzir pessoas e negócios. “O líder continua responsável por definir direções, tomar decisões e conduzir a equipe rumo aos resultados. A diferença é que faz isso de forma autêntica, sem sustentar a imagem irreal de alguém que nunca erra”.

Na avaliação do especialista, a figura do líder infalível já não responde às necessidades das organizações contemporâneas. Em mercados cada vez mais complexos, decisões de qualidade dependem da capacidade de ouvir diferentes perspectivas, aprender continuamente e aproveitar a inteligência coletiva das equipes. “O líder não precisa saber tudo. Precisa saber onde quer chegar, fazer as perguntas certas e reconhecer quando outras pessoas podem contribuir com soluções melhores”, observa.

Confiança e autenticidade

Mariath destaca que existe uma diferença importante entre vulnerabilidade e despreparo. Enquanto um líder despreparado demonstra dificuldades para definir prioridades, comunicar objetivos e conduzir pessoas, o líder vulnerável reúne essas competências, mas reconhece que também está em constante desenvolvimento. Segundo ele, admitir equívocos, aceitar feedbacks e rever decisões quando necessário fortalece, e não enfraquece, a credibilidade da liderança.

Outro aspecto central desse modelo é a autenticidade. Em cenários de incerteza, explica Mariath, as pessoas tendem a confiar em líderes coerentes, que agem de acordo com seus valores e não sustentam personagens. Quando os colaboradores percebem que estão diante de alguém genuíno, sentem-se mais seguros para compartilhar ideias, inovar, assumir responsabilidades e enfrentar desafios coletivamente. A confiança, nesse caso, deixa de ser apenas consequência das entregas e passa a ser construída também pela qualidade das relações.

A transparência, no entanto, exige discernimento. Para o especialista, comunicar-se de forma aberta não significa compartilhar indiscriminadamente questões pessoais ou informações estratégicas da empresa. A comunicação responsável pressupõe avaliar o que realmente contribui para gerar compreensão, alinhamento e engajamento. “O líder autêntico não é aquele que fala tudo o que pensa, mas aquele que comunica a verdade da forma adequada, no momento certo e com o propósito de fortalecer as pessoas e a organização”.

A figura do líder infalível já não responde às necessidades das organizações contemporâneasA figura do líder infalível já não responde às necessidades das organizações contemporâneas (Foto: Freepik / Divulgação)

O futuro da liderança

O fortalecimento desse modelo de liderança está diretamente relacionado às competências que deverão ganhar ainda mais importância nos próximos anos. Inteligência emocional, autoconhecimento, empatia, escuta ativa, adaptabilidade e comunicação eficaz tendem a se tornar diferenciais em um cenário no qual a tecnologia e a inteligência artificial assumirão cada vez mais tarefas operacionais. Justamente por isso, a capacidade de compreender pessoas, construir confiança e desenvolver talentos será um dos maiores ativos das lideranças do futuro.

 “A liderança será cada vez menos baseada na autoridade do cargo e cada vez mais na capacidade de gerar confiança. As pessoas não esperam líderes perfeitos, mas líderes competentes, éticos, humanos e autênticos, capazes de aprender continuamente e reconhecer que grandes resultados são construídos de forma coletiva”, conclui.

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