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Voluntariado ganha força como diferencial na carreira

No Dia Nacional do Voluntário, celebrado em 28 de agosto, diretora de Voluntariado da ABRH-PR destaca que a experiência vai além da solidariedade e pode impulsionar liderança, networking e desenvolvimento profissional

Ana Carolina Kreutzer, diretora de Voluntariado da ABRH-PR, psicóloga, consultora de carreira e headhunter
Ana Carolina Kreutzer, diretora de Voluntariado da ABRH-PR, psicóloga, consultora de carreira e headhunter (Foto: Max Nougueira / Divulgação ABRH-PR)

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Durante muito tempo, o voluntariado foi associado apenas à solidariedade e ao desejo de contribuir com causas sociais. Mas essa percepção vem mudando. Cada vez mais, empresas e profissionais reconhecem que dedicar tempo e conhecimento a projetos voluntários também pode representar um importante investimento na carreira.

A data de 28 de agosto, quando é celebrado o Dia Nacional do Voluntário, reforça uma discussão que ganha espaço no ambiente corporativo. As experiências fora do currículo tradicional desenvolvem competências difíceis de adquirir apenas em cursos ou treinamentos formais.

Os números ajudam a explicar essa mudança de visão. De acordo com o Censo Brasileiro de Voluntariado Empresarial (CBVE), divulgado em 2025, 75% das empresas afirmam observar evolução profissional em colaboradores que participam de programas estruturados de voluntariado. Entre as habilidades mais percebidas estão trabalho em equipe, comunicação, liderança e melhoria no desempenho.

Para Ana Carolina Kreutzer, diretora de Voluntariado da ABRH-PR, psicóloga, consultora de carreira e headhunter, o mercado passou a enxergar essas experiências como parte da trajetória profissional. “Quando analiso um currículo, não observo apenas os cargos ocupados, mas toda a trajetória construída pelo profissional. O voluntariado revela competências que muitas vezes não aparecem na experiência formal, como capacidade de mobilizar pessoas, resolver problemas e liderar projetos”, afirma.

Muito além da boa vontade

Ao contrário da imagem de ações pontuais, os programas de voluntariado corporativo hoje costumam envolver planejamento, definição de metas, gestão de equipes e avaliação de resultados. Na prática, isso significa que o voluntário desenvolve competências bastante semelhantes às exigidas em posições de liderança dentro das empresas. Coordenar equipes sem relação hierárquica direta, organizar campanhas, administrar recursos, negociar soluções e lidar com públicos diversos fazem parte da rotina de muitos projetos sociais.

“Quem lidera uma iniciativa voluntária precisa influenciar pessoas, engajar equipes e administrar desafios reais. São experiências que fortalecem competências valorizadas pelo mercado e que podem fazer diferença em processos seletivos e oportunidades de crescimento”, explica Ana Carolina. Outro ganho é o networking. Diferentemente dos contatos estabelecidos em eventos profissionais, as conexões criadas durante ações voluntárias costumam surgir em torno de um propósito comum, aproximando profissionais de diferentes áreas e organizações.

Tendência cresce nas empresas

Uma das principais tendências do setor é o chamado skills-based volunteering, ou voluntariado baseado em competências. Nesse modelo, o profissional coloca sua experiência técnica a serviço de organizações da sociedade civil. Advogados prestam orientação jurídica, profissionais de marketing desenvolvem estratégias de comunicação, engenheiros ajudam a estruturar processos e especialistas em gestão apoiam projetos sociais. O resultado beneficia os dois lados. As instituições recebem conhecimento especializado e os profissionais ampliam seu repertório com projetos concretos, que podem inclusive enriquecer o currículo.

Realizar um trabalho voluntário ajuda no desenvolvimento de competências valorizadas pelo mercadoRealizar um trabalho voluntário ajuda no desenvolvimento de competências valorizadas pelo mercado (Foto: Freepik )

Segundo Ana Carolina, esse tipo de experiência se torna especialmente relevante em um mercado que valoriza cada vez mais habilidades comportamentais. “Muitas vezes o profissional possui excelente formação técnica, mas encontra dificuldade para demonstrar sua capacidade de liderança, gestão ou comunicação. O voluntariado oferece situações reais nas quais essas competências são exercitadas e podem ser apresentadas de forma consistente”.

Dimensão global

O fortalecimento do voluntariado também ocorre em escala internacional. A Organização das Nações Unidas (ONU) declarou 2026 como o Ano Internacional do Voluntariado para o Desenvolvimento Sustentável, iniciativa que reconhece a contribuição de milhões de pessoas para causas sociais e para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Segundo estimativas da própria ONU, cerca de 1 bilhão de pessoas realizam algum tipo de trabalho voluntário no mundo. No Brasil, são aproximadamente 57 milhões de voluntários. Mais do que ampliar o impacto social, especialistas acreditam que o movimento ajuda a transformar a forma como empresas identificam e desenvolvem talentos.

Para Ana Carolina, o principal retorno dessa experiência não aparece apenas no currículo. “O voluntariado transforma quem recebe, mas também quem participa. É um espaço onde o profissional desenvolve competências técnicas, inteligência emocional, empatia e propósito. São atributos cada vez mais valorizados nas organizações e que acompanham a pessoa ao longo de toda a carreira”.

“O voluntariado transforma quem recebe, mas também quem participa. É um espaço onde o profissional desenvolve competências técnicas, inteligência emocional, empatia e propósito”, Ana Carolina Kreutzer“O voluntariado transforma quem recebe, mas também quem participa. É um espaço onde o profissional desenvolve competências técnicas, inteligência emocional, empatia e propósito”, Ana Carolina Kreutzer (Foto: Divulgação ABRH-PR)

Informações e inscrições para o CONPARH no link.

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