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Empresa cresce, sociedade muda: por que a confiança entre sócios não substitui regras claras

Especialista explica como acordos societários, governança e organização empresarial ajudam a preservar relações saudáveis durante o crescimento dos negócios

Confiança é essencial entre sócios. Mas, quando a empresa cresce, organização, alinhamento e regras claras se tornam fundamentais para preservar relações e garantir a continuidade do negócio.
Confiança é essencial entre sócios. Mas, quando a empresa cresce, organização, alinhamento e regras claras se tornam fundamentais para preservar relações e garantir a continuidade do negócio. (Foto: imagem gerada Chatgpt/gazeta do povo)

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Muitas empresas nascem da confiança. Amigos que decidem empreender juntos, familiares que enxergam uma oportunidade de negócio ou profissionais que compartilham os mesmos objetivos costumam iniciar suas sociedades acreditando que qualquer desafio poderá ser resolvido por meio do diálogo. "A gente resolve tudo conversando."

Segundo Marcos Nunes, fundador do escritório Marcos Nunes Advocacia, Doutor em Direito Empresarial, professor, pesquisador e autor de obras voltadas ao ambiente jurídico e empresarial, a frase "a gente resolve tudo conversando" está entre as que ele mais escuta de empresários ao longo de sua atuação em Direito Empresarial e Societário. Para o especialista, a confiança é um dos pilares mais importantes de qualquer sociedade, mas não elimina a necessidade de organização, alinhamento e estruturas capazes de acompanhar a evolução do negócio.

"O crescimento de uma empresa exige mais do que confiança entre sócios. Exige estrutura capaz de preservar relações e garantir continuidade aos negócios", destaca Marcos Nunes, Doutor em Direito Empresarial."O crescimento de uma empresa exige mais do que confiança entre sócios. Exige estrutura capaz de preservar relações e garantir continuidade aos negócios", destaca Marcos Nunes, Doutor em Direito Empresarial. (Foto: Divulgação)

A percepção de que instrumentos formais só se tornam necessários quando a relação entre os sócios começa a apresentar desgastes ainda é bastante comum no ambiente empresarial. Enquanto tudo funciona bem, muitos empreendedores acreditam que determinadas conversas podem ser adiadas porque a parceria sempre deu certo ou porque nunca houve a necessidade de estabelecer regras mais detalhadas.

Gostando deste conteúdo? Acompanhe mais conteúdos sobre Direito Empresarial e Governança Corporativa no Instagram @marcosnunesadvocacia.

O desafio surge justamente quando a empresa começa a crescer.

À medida que o negócio se desenvolve, novas responsabilidades aparecem, o volume de decisões aumenta, a equipe se expande e os impactos de cada escolha passam a ser significativamente maiores. O que antes era resolvido de maneira simples pode exigir critérios mais claros, definições mais objetivas e processos mais estruturados.

Nesse contexto, a dinâmica entre os sócios também muda.

Questões relacionadas à distribuição de resultados, reinvestimentos, expansão da empresa, contratação de lideranças, sucessão patrimonial e direcionamento estratégico passam a fazer parte da rotina da organização. E quanto mais relevante se torna o negócio, maior costuma ser a necessidade de alinhamento entre aqueles que participam da sua construção.

Para Marcos Nunes, é justamente nesse momento que muitas empresas percebem que confiança e estrutura não são conceitos opostos. Pelo contrário: eles se complementam.

A organização societária não deve ser encarada como um mecanismo criado para momentos de crise ou para lidar com desentendimentos. Sua principal função é oferecer previsibilidade, segurança e clareza para que as relações empresariais continuem saudáveis mesmo diante das transformações naturais do crescimento.

Instrumentos como acordos de sócios, definição formal de responsabilidades, regras de governança e processos de tomada de decisão ajudam a estabelecer expectativas claras e reduzir riscos que podem surgir ao longo da trajetória empresarial.

1. Muitos empresários acreditam que formalizar acordos entre sócios pode demonstrar falta de confiança. Essa percepção está correta?

Marcos Nunes: Não. Na verdade, acontece exatamente o contrário. Quando os sócios estabelecem regras claras enquanto a relação está saudável, eles estão demonstrando respeito pela sociedade construída e preocupação com a continuidade do negócio. Estruturas como acordos societários e mecanismos de governança não existem porque há desconfiança, mas porque empresas crescem, cenários mudam e decisões se tornam mais complexas ao longo do tempo.

2. Qual é o principal risco de uma empresa que cresce sem acompanhar esse crescimento com uma estrutura societária adequada?

Marcos Nunes: O principal risco é que a empresa passe a operar com um nível de complexidade muito maior do que sua capacidade de organização. Quando não existem definições claras sobre responsabilidades, processos decisórios e expectativas dos sócios, situações que poderiam ser resolvidas com previsibilidade acabam gerando insegurança e desgaste. O crescimento é algo positivo, mas ele exige estruturas capazes de sustentar essa nova realidade com segurança e continuidade.

Para aprofundar o tema, o advogado Marcos Nunes destacou alguns pontos que ajudam empresários a compreender por que a confiança entre sócios deve caminhar ao lado de uma estrutura societária bem definida.

Mais do que prevenir problemas, essas estruturas contribuem para fortalecer a continuidade da empresa e preservar relacionamentos construídos ao longo de anos.

Afinal, toda organização passa por mudanças.

Empresas crescem, mercados evoluem, oportunidades surgem e novos desafios aparecem. E quando existem mecanismos previamente definidos, as decisões deixam de depender exclusivamente de interpretações individuais e passam a seguir critérios estabelecidos de forma conjunta.

Essa maturidade organizacional tem se tornado um diferencial cada vez mais importante para empresas que desejam crescer de maneira sustentável e construir bases sólidas para o futuro.

No entendimento de Marcos Nunes, uma das formas mais inteligentes de valorizar uma sociedade empresarial é criar estruturas capazes de proteger aquilo que permitiu seu nascimento: a confiança.

Porque relações empresariais saudáveis não sobrevivem apenas da boa intenção das partes. Elas também dependem de alinhamento, organização e da capacidade de se adaptar às transformações inevitáveis que acompanham o crescimento de qualquer negócio.

Segurança jurídica e crescimento caminham juntos

Empresários costumam dedicar atenção ao desenvolvimento comercial, à expansão de mercado e à gestão operacional. No entanto, a construção de estruturas societárias adequadas também faz parte do processo de amadurecimento de uma empresa.

Quando confiança e organização caminham juntas, o crescimento deixa de representar um fator de pressão e passa a ser uma oportunidade para fortalecer ainda mais a continuidade do negócio.

Saiba mais

Para empresários, gestores e profissionais interessados em governança corporativa, estrutura societária, planejamento empresarial e segurança jurídica nos negócios, Marcos Nunes compartilha artigos, análises e conteúdos especializados em seus canais oficiais.

O advogado também é autor da obra "A Ordem Invisível dos Conflitos — Constelação Sistêmica Aplicada ao Direito e às Organizações", livro que propõe uma reflexão sobre as relações humanas e organizacionais que influenciam os conflitos no ambiente empresarial.

Mais informações podem ser encontradas no site marcosnunes.adv.br e no Instagram @marcosnunesadvocacia. Linkedin marcosnunes

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