Comprou uma viagem pela internet? Conheça os direitos e cuidados jurídicos para evitar prejuízos
Contratos eletrônicos, cancelamentos, tarifas promocionais e proteção de dados exigem atenção de consumidores e empresas para evitar conflitos no setor de turismo.
04/08/2026 às 15:44

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Reservar passagens aéreas, contratar hospedagens e adquirir pacotes turísticos pela internet tornou-se parte da rotina de milhões de brasileiros. A praticidade, no entanto, também ampliou os desafios jurídicos nas relações de consumo, que envolvem diferentes fornecedores, contratos eletrônicos e regras específicas para cancelamentos, reembolsos e alterações de viagens.
Segundo o advogado Guylber Antônio Rodrigues, sócio do Arruda & Rodrigues Advogados Associados, compreender as responsabilidades de cada participante da cadeia de consumo é fundamental para reduzir conflitos e garantir maior segurança jurídica.
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"Uma viagem normalmente envolve diversos fornecedores, como agências de viagens, operadoras, companhias aéreas e meios de hospedagem. Por isso, é essencial que todas as informações sejam apresentadas de forma clara e que os contratos estabeleçam, com transparência, os direitos e deveres de cada parte."
Advogado Guylber Antônio Rodrigues - Sócio do Arruda & Rodrigues Advogados Associados
Mais do que formalizar uma contratação, contratos claros e bem elaborados funcionam como instrumentos de prevenção de conflitos. Ao estabelecerem de forma transparente as responsabilidades de cada fornecedor, as condições da contratação e os direitos do consumidor, eles proporcionam maior segurança jurídica para todas as partes e reduzem a ocorrência de litígios.
Transparência começa antes da compra
O Código de Defesa do Consumidor determina que o consumidor tenha acesso, antes da contratação, às informações essenciais sobre o serviço oferecido. Isso inclui regras para cancelamento, remarcação, reembolso, restrições das tarifas promocionais e demais condições que possam influenciar a decisão de compra.
Na avaliação do advogado, contratos objetivos e informações claras contribuem para reduzir litígios e fortalecem a relação de confiança entre empresas e consumidores. "A transparência não beneficia apenas o consumidor. Ela também oferece maior previsibilidade às empresas, reduzindo questionamentos e conflitos decorrentes da contratação."
Quem responde por problemas durante a viagem?
Uma dúvida recorrente surge quando ocorre algum problema durante a prestação do serviço. Como a viagem pode envolver diferentes empresas, nem sempre é simples identificar quem responde pelos prejuízos.
A definição da responsabilidade depende da participação de cada fornecedor na contratação, da natureza do problema ocorrido e da efetiva participação de cada empresa na eventual falha na prestação do serviço. Por isso, cada situação deve ser analisada de forma individual, considerando as obrigações assumidas por agências de viagens, operadoras, companhias aéreas, meios de hospedagem e demais prestadores envolvidos. A correta identificação da responsabilidade de cada integrante da cadeia de fornecimento contribui para decisões mais justas e para a redução de conflitos entre consumidores e empresas..
Decisões judiciais reforçam a importância de contratos bem elaborados
A relevância de contratos claros e da correta definição das responsabilidades de cada fornecedor também vem sendo reconhecida pelo Poder Judiciário. Conforme avalia o advogado Guylber Antônio Rodrigues, decisões recentes demonstram que a adequada delimitação das obrigações assumidas por cada empresa pode ser decisiva para a solução de conflitos envolvendo consumidores e prestadores de serviços turísticos.
Um exemplo citado pelo advogado envolve um julgamento do Tribunal de Justiça do Paraná em que foi afastada a responsabilidade de uma agência de turismo por problemas relacionados ao transporte aéreo. No entendimento adotado pelo Judiciário, a empresa havia atuado exclusivamente como intermediadora da venda das passagens, sem assumir a execução do contrato de transporte, cuja responsabilidade cabia à companhia aérea.
O caso evidencia que contratos objetivos, com cláusulas claras e informações transparentes sobre o papel de cada participante da cadeia de consumo, contribuem para aumentar a segurança jurídica tanto para consumidores quanto para empresas.
Tarifas promocionais exigem atenção
As passagens e pacotes promocionais costumam oferecer preços mais baixos, mas frequentemente possuem condições específicas para cancelamento, remarcação ou reembolso. Antes de concluir a compra, é importante verificar cuidadosamente todas as regras da tarifa contratada, evitando surpresas caso seja necessário alterar os planos da viagem.
Direito de arrependimento ainda gera discussões
Outro tema que desperta dúvidas é o direito de arrependimento nas compras realizadas pela internet.
Embora o Código de Defesa do Consumidor assegure o direito de arrependimento nas compras realizadas pela internet, a aplicação dessa garantia às passagens aéreas ainda gera controvérsia em razão das regras previstas na Resolução n.º 400 da ANAC.
Segundo Guylber, cada caso deve ser analisado à luz da legislação e das características da contratação. "Não existe uma resposta única para todas as situações. É necessário avaliar o contrato firmado, a regulamentação aplicável e as circunstâncias específicas da compra."
Contratos eletrônicos oferecem segurança jurídica
A transformação digital também modificou a forma como consumidores contratam serviços turísticos. Hoje, praticamente toda a negociação ocorre por plataformas digitais, aplicativos, e-mails ou assinaturas eletrônicas.
Esses contratos possuem validade jurídica quando observam os requisitos previstos em lei e permitem comprovar de forma segura a manifestação de vontade das partes, oferecendo segurança tanto para consumidores quanto para empresas.
Proteção de dados tornou-se parte da experiência do consumidor
Além das informações contratuais, as empresas do setor de turismo tratam diariamente um grande volume de dados pessoais dos clientes, como documentos, informações financeiras, contatos e preferências de consumo.
Nesse cenário, a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) estabelece regras para a coleta, utilização e armazenamento dessas informações, exigindo que as organizações adotem medidas para proteger a privacidade dos consumidores.
Para o advogado, a proteção dos dados deixou de ser apenas uma obrigação legal e passou a representar um diferencial de confiança nas relações de consumo.
"Empresas que adotam boas práticas de governança e proteção de dados demonstram maior compromisso com a segurança das informações e fortalecem a credibilidade junto aos seus clientes."
Segurança jurídica fortalece o setor de turismo
O crescimento das contratações digitais tornou as relações de consumo mais dinâmicas, mas também mais complexas. Conhecer os direitos previstos na legislação, compreender as responsabilidades de cada fornecedor e analisar atentamente as condições do contrato são medidas que ajudam a prevenir conflitos e proporcionam mais segurança para consumidores e empresas.
Nesse contexto, o Direito exerce um papel preventivo, contribuindo para relações comerciais mais transparentes, equilibradas e confiáveis em um dos setores que mais cresce na economia brasileira.
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