
O maior custo da sua empresa é a folha de pagamento? Entenda como a Reforma Tributária impacta o setor de serviços
A Reforma Tributária já está em curso e exige que empresas reavaliem seus custos e seu planejamento. Para o setor de serviços, cuja estrutura é baseada principalmente em mão de obra, compreender as novas regras pode fazer toda a diferença na adaptação ao novo sistema.
18/08/2026 às 10:07

Ouça este conteúdo
A Reforma Tributária já faz parte da realidade das empresas brasileiras. Embora a implementação do novo sistema ocorra de forma gradual, a regulamentação e o período de transição exigem que empresários comecem desde já a avaliar como as mudanças podem afetar seus negócios. Entre os segmentos que merecem atenção especial está o setor de serviços, cuja estrutura de custos difere significativamente da indústria e do comércio.
Acompanhe mais conteúdos e análises do Arruda & Rodrigues no Instagram.
Enquanto boa parte do debate público se concentra na simplificação do sistema e na substituição de tributos como PIS, Cofins, ICMS e ISS pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), especialistas alertam que os efeitos da reforma podem variar conforme a atividade econômica e a composição dos custos de cada empresa.
A lógica da Reforma Tributária
Inspirado no modelo de Imposto sobre Valor Agregado (IVA), o novo sistema busca tornar a tributação sobre o consumo mais simples, transparente e menos cumulativa. Na prática, empresas poderão aproveitar créditos tributários relacionados à aquisição de bens e serviços utilizados em suas atividades econômicas, reduzindo a incidência de impostos ao longo da cadeia produtiva.
O objetivo é tornar o ambiente de negócios mais eficiente e diminuir distorções existentes no sistema atual. Entretanto, a forma como esses créditos são gerados faz com que determinados setores tenham características próprias que precisam ser analisadas com atenção.
Por que o setor de serviços possui uma dinâmica diferente?
Ao contrário da indústria, que normalmente adquire matérias-primas, equipamentos e diversos insumos capazes de gerar créditos tributários, muitas empresas prestadoras de serviços concentram seus investimentos em pessoas.
Escritórios de advocacia, clínicas médicas, consultorias, empresas de tecnologia, agências de comunicação, escritórios de engenharia, empresas de arquitetura, segurança, limpeza e inúmeros outros segmentos têm como principal custo operacional a folha de pagamento e a contratação de profissionais especializados.
Essa característica faz com que essas empresas tenham uma dinâmica diferente na utilização dos créditos previstos pelo novo sistema, já que a folha de pagamento, em regra, não gera créditos de IBS e CBS.
Isso não significa, necessariamente, aumento da carga tributária para todas as empresas de serviços. Os impactos dependerão da atividade desenvolvida, da estrutura de custos, do regime tributário adotado e da forma como cada negócio está organizado.
Planejamento deixa de ser diferencial e passa a ser necessidade
Com a Reforma Tributária em andamento, decisões que antes eram tratadas apenas pelo setor fiscal passam a influenciar diretamente a estratégia empresarial.
A composição dos custos, a política de precificação, os contratos firmados com clientes e fornecedores, o regime tributário e até a organização societária podem precisar de reavaliação para que a empresa esteja preparada para o novo cenário.
Empresas que iniciam essa análise com antecedência conseguem identificar oportunidades de adequação, reduzir riscos e tomar decisões com maior previsibilidade durante a transição.
O debate precisa incluir quem vende conhecimento e mão de obra
Grande parte das discussões sobre a Reforma Tributária tem como foco a indústria e o comércio. No entanto, o setor de serviços representa uma parcela expressiva da economia brasileira e possui características próprias que não podem ser ignoradas.
Negócios baseados em conhecimento técnico, atendimento especializado e mão de obra qualificada tendem a enfrentar desafios distintos daqueles observados em empresas com cadeias produtivas intensivas em aquisição de bens.
Por isso, compreender como a nova legislação dialoga com a realidade de cada empresa será um dos principais desafios dos próximos anos.
Entrevista | Dra. Evelyn Fabricia de Arruda

Jornal Gazeta do Povo: A Reforma Tributária promete simplificar o sistema. Por que as empresas de serviços precisam olhar para ela com tanta atenção?
Dra. Evelyn Fabricia de Arruda: A simplificação é um dos grandes objetivos da Reforma Tributária, mas isso não significa que os impactos serão iguais para todos os setores. Nas empresas de serviços, normalmente o principal custo está concentrado na folha de pagamento e na mão de obra especializada. Como a sistemática de créditos do IBS e da CBS está vinculada, em regra, à aquisição de bens e serviços, empresas com poucos insumos geradores de crédito podem ter uma dinâmica diferente daquela observada na indústria ou no comércio. Por isso, é fundamental que cada empresa avalie sua realidade antes da consolidação do novo sistema.
Jornal Gazeta do Povo: Existe o risco de empresas de serviços pagarem mais impostos com a Reforma Tributária?
Dra. Evelyn Fabricia de Arruda: Não é possível fazer essa afirmação de forma genérica. Cada empresa possui uma estrutura de custos e uma realidade operacional diferentes. O impacto dependerá de fatores como a atividade exercida, o regime tributário, o potencial de aproveitamento dos créditos e a forma como o negócio está organizado. O mais importante é que o empresário compreenda essas mudanças e realize uma avaliação individualizada para tomar decisões estratégicas.
Jornal Gazeta do Povo: Qual é o principal conselho para os empresários neste momento?
Dra. Evelyn Fabricia de Arruda: A recomendação é não esperar a conclusão do período de transição para começar o planejamento. Este é o momento de revisar contratos, analisar a estrutura de custos, avaliar os impactos financeiros e acompanhar a regulamentação da Reforma Tributária. Quanto mais cedo a empresa entender como o novo sistema afeta sua operação, maiores serão as possibilidades de adaptação e de redução de riscos.
Preparação é sinônimo de segurança jurídica
Nesse cenário, o acompanhamento jurídico especializado torna-se um importante aliado para identificar oportunidades, prevenir riscos e construir estratégias compatíveis com o novo sistema tributário.
A Reforma Tributária representa uma transformação estrutural no ambiente empresarial brasileiro. Mais do que compreender as novas regras, empresas precisarão interpretar como elas impactam suas operações e quais medidas devem ser adotadas para manter a competitividade.
Conteúdo e informação para o ambiente empresarial
O Arruda & Rodrigues Advogados também mantém uma produção regular de conteúdos voltados ao ambiente empresarial, abordando temas relacionados ao Direito Empresarial, Direito Tributário e às transformações legislativas que impactam empresas e gestores.
Por meio de artigos, análises e entrevistas, o escritório compartilha informações sobre assuntos jurídicos atuais, contribuindo para ampliar o debate e facilitar a compreensão de mudanças que podem repercutir na rotina e nas decisões das empresas.
Para acompanhar os conteúdos produzidos pelo escritório sobre a Reforma Tributária e outros temas do universo empresarial, acesse https://arrudaerodrigues.adv.br Instagram: @arrudaerodrigues