Casos de depressão e ansiedade aumentaram mais de 25% no primeiro ano da pandemia.
Casos de depressão e ansiedade aumentaram mais de 25% no primeiro ano da pandemia.| Foto: Pixabay

Pesquisas da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que o trabalho é importante para a saúde mental. Porém, um ambiente profissional tóxico pode levar a problemas de saúde física e mental. Isso inclui diagnósticos variados, entre eles quadros como depressão e ansiedade. Essas doenças têm um impacto econômico significativo na economia mundial. Na prática, se fosse possível reverter em dinheiro o que é deixado de produzir por trabalhadores que precisam ser afastados ou que diminuem o rendimento diário, seria o equivalente a retirar aproximadamente de US$ 1 trilhão em circulação todos os anos.

É muito dinheiro! Só para se ter uma noção, é mais do que o valor de mercado da Apple, considerada hoje a empresa mais valiosa do mundo – e avaliada em US$ 947 bilhões.

É esse o tamanho do desperdício: uma Apple jogada fora todos os anos por profissionais desestimulados, desanimados, doentes. E é justamente por isso que empresas de todos os tamanhos e segmentos vêm investindo em temáticas como desenvolvimento humano, inteligência emocional, saúde laboral e outras questões que possam contribuir com a saúde mental de seus colaboradores. O objetivo vai muito além de aliviar a tensão das equipes durante o horário comercial.

No próximo dia 5 de agosto é o Dia Nacional da Saúde e, por uma série de razões – entre elas a pandemia de Covid-19 –, a saúde mental se tornou o foco de atenção prioritária da sociedade.

A intenção é envolver governos, instituições públicas e privadas para provocar e estimular uma nova forma de encarar o trabalho, o ritmo cotidiano e, muitas vezes, ajudar o cidadão a ressignificar a própria vida.

ENGAJAMENTO MUNDIAL

A questão é muito mais abrangente e não afeta apenas o mundo corporativo. Em junho deste ano, a Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou a maior revisão mundial sobre saúde mental desde a virada do século. Foi feito um trabalho detalhado que fornece um plano para governos, acadêmicos, profissionais de saúde e sociedade civil com o objetivo de apoiar o mundo na transformação da saúde mental.

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Ainda em 2019, antes da pandemia, a OMS estimava que quase 1 bilhão de pessoas apresentava algum tipo de transtorno mental. Deste total, 14% eram adolescentes. No primeiro ano da pandemia, em 2020, os casos de depressão e ansiedade aumentaram mais de 25%.

 <em>A psicóloga e diretora de Saúde Mental, Diversidade e Inclusão da Ambev é uma das professoras da especialização em Saúde Mental e Desenvolvimento Humano da PÓS PUCPR. | Divulgação</em>
A psicóloga e diretora de Saúde Mental, Diversidade e Inclusão da Ambev é uma das professoras da especialização em Saúde Mental e Desenvolvimento Humano da PÓS PUCPR. | Divulgação

SAÚDE X AUSÊNCIA DE DOENÇA

A neurocientista Suzana Herculano-Houzel, professora da Universidade de Vanderbilt (EUA) e da especialização em Saúde Mental e Desenvolvimento Humano da PÓS PUCPR, explica que saúde é muito mais do que a simples ausência de doença.

Suzana afirma que, de acordo com a neurociência do bem-estar, envolve a sensação de capacidade e controle de suas ações e decisões; a sensação de estar vivo, em boas condições físicas e mentais e ainda ser querido por outras pessoas. Por fim, a sensação de propósito: “o prazer está no ato da procura e não na conquista do objetivo”, afirma a pesquisadora, que aprofunda tópicos como estresse, angústia, ansiedade e a forma como o organismo reage diante de cada situação.

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O Plano de Ação Integral de Saúde Mental 2013–2030 da OMS, assinado por 194 Estados Membros da entidade – entre eles o Brasil – direciona as ações para a transformação da saúde mental, abordando os riscos e fortalecendo os sistemas de atenção. Entre os destaques estão os investimentos para o setor: dinheiro, recursos humanos, políticas públicas que visem reduzir as disparidades e promover a justiça social; Reorganização dos ambientes que influenciam a saúde mental: lares, comunidades, escolas, locais de trabalho, serviços de saúde, etc.; Reforço dos serviços e redes comunitárias que atendem a saúde mental.

 <em>OMS alerta que entre os adolescentes, 14% apresenta algum tipo de transtorno mental. | Pixabay</em>
OMS alerta que entre os adolescentes, 14% apresenta algum tipo de transtorno mental. | Pixabay

Pontualmente, no Brasil, a demanda por profissionais na área vem crescendo a cada ano. A explicação é simples, basta tomar por base os números do Ministério da Saúde. De acordo com o Datasus, o número de óbitos por lesões autoprovocadas passou de 7 mil para 14 mil nas últimas duas décadas.

Em toda a América Latina, o Brasil é o país que apresenta maior prevalência de casos de depressão, de acordo com a OMS, e é o país mais ansioso do mundo.

Já os Estados Unidos começaram a colocar a orientação da OMS em prática, com a criação de um telefone de emergência nacional para saúde mental. Uma espécie de 0800 preventivo para casos de suicídio e transtornos mentais, similar aos serviços de emergências médicas, mas focado na saúde mental. O governo norte-americano está investindo U$S 400 milhões no programa, a maior verba já destinada à saúde mental – em termos comparativos, no ano passado, os centros de apoio psicológico dos EUA receberam U$S 32 milhões.

A Linha Nacional de Prevenção ao Suicídio – ligação para o número 988 de qualquer telefone, fixo ou celular - foi inaugurada em julho deste ano e faz a conexão com mais de 200 centros de apoio psicológicos locais.

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