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Diretamente do stand do Sicredi, durante a Expoapras 2026, a Gazeta do Povo conversou com o presidente do Grupo Ítalo, Edi Dalberto, que apresentou uma leitura pragmática do varejo supermercadista: mesmo diante de juros elevados e instabilidade econômica, o crescimento segue sustentado por fatores regionais e pela capacidade de adaptação do setor.
Com 3.500 colaboradores e mais de 30 lojas, o grupo projeta a abertura de quatro novas unidades ainda em 2026, consolidando sua presença em regiões estratégicas de Curitiba e reforçando o posicionamento no segmento premium.
“Não é um ano fácil, mas é um ano de resiliência. O Brasil é um país de oportunidades e o setor supermercadista continua crescendo.”
Edi Dalberto, presidente do Grupo Ítalo
Paraná combina crescimento econômico e pleno emprego e impulsiona o varejo
Ao analisar o cenário atual, Dalberto destaca que, apesar das incertezas macroeconômicas, o Paraná se mantém como um ambiente favorável para expansão. O estado, segundo ele, reúne características que sustentam o consumo, como crescimento consistente e níveis elevados de emprego.
Esse contexto cria uma base sólida para o varejo supermercadista, permitindo que empresas continuem investindo mesmo em ciclos econômicos mais desafiadores. Para o Grupo Ítalo, esse ambiente tem sido determinante para sustentar o plano de crescimento e consolidação no mercado.
Expansão em regiões de alto potencial reforça posicionamento premium
A estratégia de crescimento do grupo está diretamente ligada à escolha de localizações com maior poder aquisitivo. As novas unidades previstas em Curitiba incluem bairros como Jardim das Américas, Alto da XV e a região do ParkShopping Barigui áreas que concentram consumidores mais exigentes e com maior ticket médio.
Esse movimento fortalece a bandeira Ítalo como um supermercado voltado ao público premium, ampliando sua presença em nichos de maior valor agregado e diferenciando sua atuação dentro do mercado.
Ao mesmo tempo, o grupo avança na consolidação de sua marca na capital paranaense, ocupando espaços estratégicos e ampliando sua relevância no varejo local.
Modelo multiformato amplia alcance e competitividade
Outro pilar da estratégia está na operação com duas bandeiras complementares. Enquanto o Superdia atua no modelo atacarejo, focado em volume e preço, o Ítalo Supermercados se posiciona como uma proposta mais sofisticada, voltada à experiência de compra.
Essa estrutura permite ao grupo atender diferentes perfis de consumo e capturar oportunidades em múltiplos segmentos, mantendo competitividade em um mercado cada vez mais dinâmico e fragmentado.
Atualmente, a rede já soma mais de 30 unidades, sendo mais de 20 sob a bandeira Superdia, o que evidencia a capilaridade e a força operacional do grupo.
Feira se consolida como hub de inovação e acelera chegada de produtos ao consumidor
A participação na Expoapras reforça o papel estratégico das feiras para o setor. Segundo Dalberto, o evento vai além da exposição de marcas e produtos, funcionando como um ponto de encontro entre diferentes elos da cadeia inclusive com presença internacional, como empresas da Argentina e do Paraguai.
Esse ambiente favorece a troca de experiências e, principalmente, acelera a incorporação de novidades no varejo. Produtos lançados durante a feira chegam às prateleiras em um curto intervalo, muitas vezes entre 15 e 40 dias, acompanhando a velocidade das mudanças no comportamento do consumidor.
Para o executivo, essa agilidade é essencial para manter a competitividade e responder às demandas de um cliente cada vez mais informado e exigente.
Resiliência do setor sustenta crescimento mesmo com juros elevados
Ao abordar o cenário econômico, Dalberto reconhece os impactos das altas taxas de juros sobre o setor, mas reforça que o varejo supermercadista tem como característica central a resiliência.
Na sua avaliação, o Brasil continua sendo um país de oportunidades, e o setor ainda possui espaço relevante para expansão. Esse entendimento sustenta a decisão do grupo de seguir investindo, mesmo em um ambiente de maior cautela.
A combinação entre leitura de mercado, estratégia de posicionamento e capacidade de adaptação aparece, assim, como o principal diferencial competitivo.
Ao final, a mensagem é clara: o crescimento no varejo supermercadista não depende apenas do cenário macroeconômico, mas da capacidade das empresas de identificar oportunidades, ajustar seu modelo de negócio e se posicionar de forma estratégica diante das transformações do consumo.