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Entre Elas discute saúde, sexualidade e exaustão feminina

Descubra como mulheres acima dos 40 estão transformando saúde, autocuidado e bem-estar em escolhas conscientes para a vida.

Mulheres reunidas no Entre Elas, evento da Gazeta do Povo promovido em 12/03/2026, para debater saúde, autocuidado e qualidade de vida na maturidade.
Mulheres reunidas no Entre Elas, evento da Gazeta do Povo promovido em 12/03/2026, para debater saúde, autocuidado e qualidade de vida na maturidade. (Foto: Divulgação)

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Um evento feito para mulheres, para falar sobre mulheres. O Entre Elas, promovido pela Gazeta do Povo com patrocínio da H2O Evolution e Maltta Nutrition, abordou temas como saúde, longevidade, emoções e mudanças na vida da mulher pós 40.

O Entre Elas reuniu diversas especialistas – médicas, nutricionista e psicóloga – para debater saúde, bem-estar e autocuidado feminino após os 40 anos.O Entre Elas reuniu diversas especialistas – médicas, nutricionista e psicóloga – para debater saúde, bem-estar e autocuidado feminino após os 40 anos. (Foto: Divulgação)

Um encontro pensado como homenagem ao Mês da Mulher, mas que entregou mais que isso: tornou-se um espaço livre para compartilhar conhecimentos e ouvir experiências de quem tem em comum uma vida de múltiplas funções, marcada por transformações físicas e psíquicas – mas que vê na maturidade um dos pontos-chave para fazer melhores escolhas.

Pamela Testa, gerente comercial da Gazeta do Povo, destaca a importância de criar espaços para reflexão e autocuidado feminino após os 40 anos.Pamela Testa, gerente comercial da Gazeta do Povo, destaca a importância de criar espaços para reflexão e autocuidado feminino após os 40 anos. (Foto: Divulgação)

“A gente sabe que muitas mulheres vivem diariamente o desafio de equilibrar múltiplos papeis, seja na vida profissional, na família, nos relacionamentos e na relação consigo mesmas. É por isso que esse em evento nasce como um convite para algo que muitas vezes fica em segundo plano: parar, refletir e cuidar de si.”

Pamela Testa - Gerente comercial da Gazeta do Povo

O bate-papo reuniu uma plateia de cerca de 70 mulheres e quatro especialistas - a médica oncologista Maria Cristina Figueroa Magalhães, a ginecologista e sexóloga Marina Beduschi, a nutricionista Camila Schreiner e a psicóloga Gislaine Lobo - para falar sobre os desafios e as transformações que atravessam a vida feminina após a curva dos 40 anos.

As especialistas explicaram conceitos como climatério, perimenopausa e menopausa e a forma como as mudanças hormonais e metabólicas nessa fase da vida mexem com as mulheres. Além disso, entraram na temática da sexualidade como uma construção que vai além do biológico, introduzindo conceitos como desejo responsivo e a importância da conexão afetiva para gerar a "faísca" do prazer, e analisaram a exaustão feminina provocada pela sobrecarga de ser multifuncional e pela dificuldade de estabelecer limites.

O encontro promoveu ainda uma reflexão sobre a maturidade e a longevidade, incentivando o autoconhecimento, a espiritualidade e a liberdade de fazer escolhas que privilegiem o autocuidado e o bem-estar.

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Menopausa e climatério: o que acontece com o corpo feminino

Um dos temas que mais levantou dúvidas e depoimentos da plateia foi a transição para a menopausa, uma das principais marcas da fase entre os 40 e 50 anos. Um período acompanhado por incertezas, que pode ter sintomas variados e gerar uma série de frustrações nas mulheres.

A oncologista Maria Cristina Figueroa esclareceu que começa com o climatério, um período amplo que normalmente se inicia por volta dos 40 anos, marcando a transição da fase reprodutiva até o término da menstruação.

A oncologista Maria Cristina Figueroa Magalhães explicou os impactos do climatério e da menopausa na saúde física e emocional das mulheres após os 40 anos.A oncologista Maria Cristina Figueroa Magalhães explicou os impactos do climatério e da menopausa na saúde física e emocional das mulheres após os 40 anos. (Foto: Divulgação)

A perimenopausa, nesse meio tempo, é caracterizada pela modificação dos ciclos menstruais, até que finalmente se chegue à menopausa, que possui um marco clínico específico: o período de 12 meses consecutivos de ausência de ciclo menstrual. “É um processo que pode durar anos, com sintomas muito variáveis de mulher para mulher”, explicou.

Os sintomas estão relacionados principalmente à queda do hormônio estrogênio. Fato que deve ser observado pelo médico, mas sempre dentro de um contexto – inclusive para a reposição hormonal, quando prescrita. Entre os sinais comuns da queda do estrogênio, as profissionais destacaram a irritabilidade, insônia, ressecamento vaginal e até a "névoa mental".

“Outra coisa que vemos muito é o olho seco nessa fase. É importante ter um relacionamento com nosso médico a tal ponto que mesmo sintomas menores, que achamos não ter nada a ver, sejam reportados. Porque muitas vezes a gente consegue realmente fazer com que essa transição seja um pouco mais calma”, esclareceu a médica.

Sexualidade depois dos 40 e a importância da conexão

Neste contexto entraram a desmistificação da sexualidade e da libido. A ginecologista e sexóloga Marina Beduschi utilizou uma metáfora para explicar o desejo: os hormônios (estrogênio e testosterona) são o combustível, mas a sexualidade precisa de uma faísca — carinho, intimidade e conexão.

Ela também introduziu o conceito de "neutralidade sexual", comum em relacionamentos longos, em que o desejo não é mais espontâneo, mas sim responsivo. “Eu posso, sim, entrar numa cena de toque, de beijo, de carícia, sem estar afim. Encare como ‘eu quero ter prazer, eu quero me conectar com o outro’. E vá, mesmo neutra”, disse. O desejo vem a partir daí.

Neste ponto, é fundamental que o parceiro entenda que a dinâmica precisa de estímulo e de um tempo para acontecer – daí a importância de conversas francas entre os casais para perceber a diferença entre o estado de excitação de um e de outro. “O maior órgão sexual está entre as duas orelhas, e não entre as duas pernas”, resumiu.

Corpo mais saudável e combate à inflamação

No campo da saúde alimentar, a nutricionista Camila Schreiner explicou que as alterações hormonais pós 40 mexem com o apetite e provocam mudanças na composição corporal, levando à perda de massa magra e ao ganho de gordura abdominal. “Elas impactam na saciedade, na ansiedade e a gente começa a descontar na comida. É comum ter também aquela vontade do doce”, esclareceu.

O resultado é que a gordura visceral que tende a se acumular nessa fase deixa o corpo inflamado e contribui negativamente para os sintomas climatéricos, aumentando o estresse e piorando os níveis de cortisol – uma verdadeira bola de neve, que trava o metabolismo. “Grande parte das mulheres chega ao consultório inflamada e, se a inflamação não for tratada antes de se pensar em emagrecer ou ganhar massa magra, o processo não funciona”, alertou.

Para melhorar a queima de gordura e ganhar energia, a nutricionista sugere mudanças práticas, como priorizar proteínas e gorduras boas no café da manhã, enriquecer o cardápio com nutrientes importantes e realizar caminhadas curtas de 15 a 20 minutos após as refeições. “Faz com que você produza melhor a insulina e reserve um pouco mais facilmente a glicose no tecido muscular, e não na barriga.”

Exaustão feminina: quando a sobrecarga cobra seu preço

Como um dos temas-chave do evento, a exaustão feminina foi abordada pela psicóloga Gislaine Lobo como temática crescente no consultório. Segundo ela, que é focada em pacientes com essa queixa, muitas mulheres chegam relatando ansiedade e tristeza, sem perceber que estão no limite do estresse crônico. “Nós fomos criadas para o cuidar e pouco para o merecer, para o desfrutar”, pontuou Gislaine.

Essa exaustão, segundo a psicóloga, é multifatorial, unindo quedas hormonais à sobrecarga de múltiplos papéis, como carreira, filhos, casa e relacionamentos. Como se existisse uma crença cultural de que mulheres sempre dão conta de tudo e de que o rótulo de “ser guerreira”, em vez de ser um elogio pelo dinamismo feminino, reforçasse o comportamento de não pedir ajuda, levando ao esgotamento.

“Recebo mulheres de sucesso no consultório, líderes, empreendedoras. Mulheres que estão cuidando de muitas coisas. Elas chegam vulneráveis, estão cansadas, fragilizadas. Mas em algum momento da história de vida essa mulher foi a boa filha, que não deu trabalho – e ela entendeu que não dar trabalho é bom”, elucidou.

É o momento de descobrir que equilíbrio não é sobre dar conta de tudo, mas sim de fazer escolhas e estabelecer prioridades – o que em cada mulher se desvenda de um jeito, como no cultivo da espiritualidade, do autoconhecimento, no exercício de fazer algo por si e na visão do tempo e da idade como pontos que devem ser valorizados.

“A maturidade traz autoconhecimento. Acho que é o segundo tempo da vida, quando você começa a se questionar. No primeiro tempo, você correu para fazer a sua carreira, para buscar um relacionamento. Até que chega um tempo de parar e rever padrões. Faz sentido correr tanto agora? Será que não dá para desfrutar um pouco? Faz sentido repetir tudo o que a minha família dizia, falava? A maturidade traz, finalmente, a liberdade de poder escolher”, finalizou a psicóloga.

A importância de ampliar o diálogo sobre autocuidado feminino

Além das reflexões trazidas pelas especialistas, iniciativas como o Entre Elas também têm o papel de ampliar o acesso à informação sobre temas que impactam diretamente a saúde e a qualidade de vida das mulheres. Para as marcas apoiadoras, abrir espaços de conversa é uma forma de incentivar o autoconhecimento e estimular hábitos mais saudáveis ao longo da vida.

Sandra Cantagalli, da H2O Evolution, destaca como o Entre Elas promove saúde, equilíbrio e bem-estar para mulheres após os 40 anos.Sandra Cantagalli, da H2O Evolution, destaca como o Entre Elas promove saúde, equilíbrio e bem-estar para mulheres após os 40 anos. (Foto: Divulgação)


Entre Elas e a prioridade do autocuidado feminino

Pergunta Gazeta do Povo: Como iniciativas como o Entre Elas contribuem para ampliar a conversa sobre saúde, autocuidado e qualidade de vida das mulheres, especialmente após os 40 anos?

Resposta – Sandra Cantagalli, H2O Evolution: “Iniciativas como o Entre Elas são fundamentais porque criam um espaço seguro e informativo para discutir temas que muitas vezes ainda são tratados com pouca abertura, como menopausa, sexualidade, saúde emocional e exaustão feminina. A partir dos 40 anos, as mulheres passam por mudanças importantes no corpo e na rotina, e ter acesso a informação de qualidade e ao diálogo com especialistas ajuda muito nesse processo de autoconhecimento e cuidado. Para a H2O Evolution, apoiar um evento como esse é uma forma de incentivar que cada vez mais mulheres se coloquem como prioridade e busquem mais equilíbrio, saúde e qualidade de vida no dia a dia.”

Marília Mattuella, da Maltta Nutrition, reforça a importância da informação e do autocuidado para mulheres após os 40 anos durante o Entre Elas.Marília Mattuella, da Maltta Nutrition, reforça a importância da informação e do autocuidado para mulheres após os 40 anos durante o Entre Elas. (Foto: Divulgação)

Entre Elas: informação e nutrição como aliados do autocuidado

Pergunta Gazeta do Povo: Como iniciativas como o Entre Elas contribuem para ampliar a conversa sobre saúde, autocuidado e qualidade de vida das mulheres, especialmente após os 40 anos?

Resposta – Marília Mattuella, Maltta Nutrition: “Iniciativas como o Entre Elas são muito importantes porque ajudam a ampliar o acesso à informação sobre temas que impactam diretamente a vida das mulheres, especialmente após os 40 anos. Quando abrimos espaço para falar sobre saúde, alimentação, mudanças hormonais e bem-estar emocional, contribuímos para que mais mulheres entendam o próprio corpo e façam escolhas mais conscientes no dia a dia. Para a Maltta Nutrition, apoiar esse tipo de conversa reforça a importância da nutrição e do autocuidado como aliados da qualidade de vida, mostrando que pequenas mudanças de hábito podem trazer grandes benefícios ao longo do tempo.

Sobre as profissionais

Maria Cristina Figueroa Magalhães

É médica oncologista especializada no Cuidado da Mulher, pesquisadora em câncer de mama e tumores ginecológicos. Perfil no Instagram: @dramariacristina.onco

Marina Beduschi

Médica ginecologista e sexóloga, especialista em Sexualidade Humana: @dramarinabeduschi

Camila Schreiner

É nutricionista funcional, especialista em Nutrição Esportiva, Endocrinologia e Metabolismo: @dra.camilanutricionista

Gislaine Lobo

Psicóloga de mulheres, especialista em Saúde Mental Feminina e Terapia Cognitivo-Comportamental: @gislainelobo.psicologa

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