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Os desafios da sucessão em empresas familiares no Brasil e os caminhos mais adequados para conduzir esse processo foram tema do evento “Criação de valor, sucessão e M&A”, realizado na última sexta-feira (12), em Curitiba. Promovido pela Grafin Partners, em parceria com a Gazeta do Povo, o encontro reuniu cerca de 60 participantes, entre empresários, executivos, conselheiros e consultores.
O debate foi conduzido pelo sócio-fundador da Grafin Partners, Leandro Muniz, e contou com a participação de Alcides Troller Pinto, que já ocupou o cargo de vice-presidente de Vendas, Marketing e Operações da GVT e hoje atua como CEO e conselheiro de empresas familiares; Bianca Scarpellini, consultora de famílias empresárias e fundadora da BS Consultoria; e Bruno Frossard, CEO e acionista de segunda geração da Techduto.
De acordo com Leandro Muniz, o objetivo do encontro foi abordar questões de organização e planejamento da sucessão de empresas e, ao mesmo tempo, proteger o valor das organizações em transações societárias.
Governança e preparo das novas gerações

Consultora de famílias empresárias, Bianca Scarpellini afirmou que “cerca de 70% das empresas familiares não sobrevivem à passagem de geração”. As causas, disse ela, costumam estar relacionadas à falta de comunicação entre os sócios, ao pouco preparo das futuras gerações e ao desalinhamento de objetivos.
Bianca defendeu regras claras para a entrada de membros da família no negócio. “A família empresária precisa de uma política de empregabilidade. Ela define o fluxo de entrada, como medir prontidão e quais critérios valem para ocupar os cargos.” Para a especialista, a transição deve começar cedo e é essencial o apoio do fundador da organização. “A sucessão vai acontecer de qualquer forma. O que muda é como ela ocorre. Se o fundador não compra a ideia, o processo não acontece”, destacou.
Acordos societários e conselhos ativos
Com ampla experiência prática, Alcides Troller Pinto destacou o papel de documentos e fóruns de decisão nesse processo. “Um bom acordo de sócios facilita tudo. Ele precisa trazer regras de valuation, prazos e formas de pagamento.” O assunto, alertou, deve ser tratado em momentos de harmonia. “Acordo de sócios se faz quando a relação entre eles está bem.”
Alcides defendeu, ainda, estruturas formais de governança. “Conselho de sócios, conselho da família e conselho de administração ajudam a preservar relações e a prevenir conflitos.”
Sucessão na prática
CEO e sócio de segunda geração da Techtudo, Bruno Frossard relatou a sucessão na própria empresa, quando assumiu o comando em meio ao tratamento de saúde de seu pai, até então responsável por coordenar todo o trabalho à frente da organização. Às pressas, ele trocou a carreira executiva em multinacionais e, junto com os dois irmãos (André e Henrique), precisou reorganizar os negócios da família. “Tive uma carreira ascendente (como executivo), mas a prioridade sempre foi a família. Meu pai estimulou a união entre os filhos e esse é um valor do qual não abrimos mão”, comentou.
Leandro Muniz frisou a necessidade de regras objetivas, papéis definidos, avaliação de prontidão e comunicação permanente entre sócios e herdeiros para preservar o valor da organização, reduzir os litígios e acelerar a integração após a transação.
