
Ouça este conteúdo
Falta de mão de obra qualificada desafia a indústria no Paraná
A dificuldade para encontrar profissionais qualificados é hoje um dos principais desafios da indústria paranaense. Com a aceleração tecnológica, a automação dos processos e a necessidade de ganho constante de produtividade, empresas buscam cada vez mais trabalhadores que cheguem preparados para atuar desde o primeiro contato com ambiente de produção Nesse cenário, a educação profissional baseada na prática surge como uma estratégia decisiva para reduzir o chamado “apagão de mão de obra”.

Esse movimento já é percebido na prática por grandes indústrias instaladas no Paraná. Segundo o gerente sênior da fábrica do Grupo Boticário em São José dos Pinhais, Denis Mattos, a aproximação entre educação e indústria tem gerado ganhos concretos por meio de iniciativas como o Gran Prix de Inovaçao, que contribui tanto na formação dos alunos quanto na resolução de desafios reais dentro das empresas.
“O Grand Prix nasceu justamente dessa necessidade de aproximar o conhecimento técnico da realidade industrial. Para os alunos, é a oportunidade de vivenciar problemas reais da indústria; para nós, é uma troca extremamente valiosa, porque encontramos soluções inovadoras e, muitas vezes, com baixo custo, para desafios que consideramos complexos.”
Gerente sênior da fábrica do Grupo Boticário em São José dos Pinhais, Denis Mattos
De acordo com o executivo, ao longo das edições do projeto, tem sido possível observar uma evolução significativa na qualidade das soluções apresentadas, impulsionada inclusive pelo uso de novas tecnologias, como inteligência artificial e automação. “Os alunos chegam muito bem preparados pelo Senai Paraná e conseguem trazer uma visão prática, eficiente e inovadora para o nosso dia a dia”, destaca.
Além dos resultados técnicos, o comportamento dos estudantes também chama atenção. “É impressionante o nível de comprometimento. Mesmo com pouca experiência na indústria, eles demonstram maturidade, capacidade de resolver problemas e trabalhar sob pressão. Muitos acabam sendo incorporados à empresa ao longo do tempo”, explica.
Para Denis, a parceria com o Senai Paraná também está diretamente ligada ao desafio da escassez de mão de obra qualificada no setor industrial. “A indústria tem avançado rapidamente em automação e novas tecnologias, e isso exige profissionais cada vez mais preparados. O Senai tem um papel fundamental nesse processo, porque forma jovens com conhecimento técnico atualizado e uma base comportamental muito sólida. É, sem dúvida, uma das principais fontes de talentos para a indústria hoje”, conclui.

Formação prática do Senai aproxima alunos da realidade industrial
É nesse contexto que o Senai Paraná consolida um modelo de formação técnica focado no aprendizado “mão na massa”, na vivência real e na resolução de problemas concretos da indústria. Ao aproximar o ambiente educacional das demandas produtivas, o Senai contribui para reduzir o tempo de adaptação dos profissionais, aumentar a eficiência operacional das empresas e estimular a inovação dentro do setor industrial.

Pergunta Jornalista GPBC – Gazeta do Povo: Como o modelo de educação profissional do Senai contribui para reduzir a falta de mão de obra qualificada na indústria?
Coordenador Celso Wolski: O Senai atua diretamente no principal ponto do desafio: a distância entre a formação tradicional e a realidade ambiente de produção Nosso modelo de educação profissional é construído a partir das demandas reais da indústria, com currículos atualizados, infraestrutura tecnológica e forte carga prática. Isso permite formar profissionais que já compreendem processos produtivos, tecnologias industriais e padrões de qualidade, reduzindo o tempo de adaptação e ajudando a suprir a escassez de mão de obra qualificada.
Pergunta Jornalista GPBC – Gazeta do Povo: De que forma a formação prática prepara o aluno para chegar mais pronto ao mercado de trabalho?
Coordenador Celso Wolski: A formação prática coloca o aluno em contato direto com situações que ele vai enfrentar no ambiente industrial. Desde cedo, ele aprende a lidar com equipamentos, processos, normas de segurança e resolução de problemas reais. Essa vivência desenvolve não apenas a competência técnica, mas também a autonomia, a responsabilidade e a capacidade de tomada de decisão. Quando o aluno conclui o curso, ele já entende a lógica da indústria e consegue contribuir de forma efetiva desde o primeiro dia.
Pergunta Jornalista GPBC – Gazeta do Povo: Qual é o diferencial do Senai ao aproximar a sala de aula da realidade industrial?
Coordenador Celso Wolski: O grande diferencial do Senai é transformar a indústria em extensão da sala de aula. Trabalhamos com projetos, desafios reais e parcerias com empresas, como no caso do Grupo Boticário, para que o aprendizado aconteça a partir de problemas concretos. Isso cria uma formação muito mais conectada à prática, estimula a inovação e prepara profissionais alinhados às necessidades atuais e futuras do setor industrial, fortalecendo a competitividade das empresas e do próprio estado.
Estudos recentes sobre o mercado de trabalho indicam que o Paraná precisará qualificar centenas de milhares de profissionais até 2027 para atender às demandas industriais. A resposta passa, cada vez mais, por modelos educacionais conectados à realidade produtiva e construídos em parceria com as empresas.
Grand Prix de Inovação conecta educação técnica a problemas reais da indústria
Um exemplo prático dessa conexão é a parceria entre o Senai de São José dos Pinhais e o Grupo Boticário, por meio do Grand Prix de Inovação. A iniciativa desafia alunos dos cursos técnicos a desenvolver soluções reais para demandas da planta industrial, transformando a indústria em um espaço ativo de aprendizagem.

Durante o projeto, os estudantes atuam em equipes multidisciplinares, analisam processos produtivos, identificam gargalos e propõem melhorias com foco em eficiência, automação, segurança e inovação.
Pergunta Jornalista GPBC – Gazeta do Povo: Como funciona o Grand Prix de Inovação dentro da metodologia de ensino do Senai?
Técnica de Ensino Tayssa de Almeida Dominguez: O Grand Prix é estruturado como um desafio técnico aplicado. A indústria apresenta uma demanda real, e os alunos, organizados em equipes multidisciplinares, passam por etapas de diagnóstico, análise de dados, desenvolvimento de proposta e validação da solução. O projeto é acompanhado por docentes e profissionais da empresa, garantindo rigor técnico e aderência às necessidades produtivas.
Pergunta Jornalista GPBC – Gazeta do Povo: Quais competências técnicas e comportamentais os alunos desenvolvem ao participar do projeto?
Técnica de Ensino Tayssa de Almeida Dominguez: Do ponto de vista técnico, os estudantes aprofundam conhecimentos em automação, controle de processos, integração de sistemas e melhoria contínua. No campo comportamental, desenvolvem trabalho em equipe, comunicação técnica, gestão do tempo, pensamento crítico e capacidade de apresentar soluções de forma estruturada. Essa combinação é essencial para se obter um desempenho de sucesso no ambiente industrial.
Pergunta Jornalista GPBC – Gazeta do Povo: Como o aprendizado baseado em desafios reais contribui para a formação profissional dos estudantes?
Técnica de Ensino Tayssa de Almeida Dominguez: Quando o desafio é real, o nível de engajamento e responsabilidade aumenta. O aluno entende que sua proposta pode gerar impacto concreto em um processo produtivo. Isso amplia a maturidade profissional, fortalece a autonomia e desenvolve a capacidade de lidar com variáveis e imprevistos — elementos constantes na rotina industrial.
Produtividade, eficiência e inovação: os ganhos da formação “mão na massa”
Para a indústria, o modelo traz ganhos objetivos. Profissionais formados em ambientes práticos tendem a se adaptar mais rapidamente, demandar menos tempo de treinamento inicial e contribuir de forma mais efetiva para a melhoria contínua dos processos.
Para os alunos, a vivência prática amplia a compreensão sobre o funcionamento da indústria, fortalece a autonomia e contribui para uma escolha de carreira mais consciente.
Pergunta Jornalista GPBC – Gazeta do Povo: Como foi a experiência de participar do Grand Prix de Inovação?
Aluna Isabella Demko Marinho: Foi uma experiência desafiadora e muito enriquecedora. Tivemos a oportunidade de atuar em um problema real da indústria, o que trouxe um nível maior de responsabilidade e um aprendizado muito mais profundo do que atividades simuladas em sala. Também ampliou nossa visão sobre a área de mecatrônica, exigindo que explorássemos conhecimentos técnicos e integrássemos diferentes áreas importantes para o desenvolvimento do projeto.
Pergunta Jornalista GPBC – Gazeta do Povo: Qual foi o desafio proposto à equipe e como a solução foi desenvolvida?
Aluna Isabella Demko Marinho: Nossa equipe recebeu o desafio de analisar um processo produtivo e propor melhorias para aumentar a eficiência operacional. Iniciamos com levantamento de dados, mapeamento do fluxo e identificação de gargalos. A partir disso, desenvolvemos uma proposta técnica com ajustes de automação e reorganização do processo, sempre considerando a viabilidade, a segurança e o impacto ambiental, além da rotina dos profissionais envolvidos.
Pergunta Jornalista GPBC – Gazeta do Povo: De que forma a vivência prática no Senai contribuiu para sua formação e visão de carreira?
Aluna Isabella Demko Marinho: A vivência prática ampliou minha visão sobre a indústria e reforçou minha escolha pela área técnica. Participar de um projeto real me deu mais confiança e mostrou como podemos contribuir diretamente para a inovação e a melhoria contínua, além de fortalecer habilidades comportamentais importantes para o mercado.
Educação profissional se consolida como estratégia para competitividade industrial
Estruturado para atender empresas de todos os portes e diferentes segmentos, o modelo de educação profissional do Senai está alinhado a um ambiente de negócios cada vez mais exigente, em que a formação técnica deixa de ser apenas uma etapa inicial da carreira e passa a ser uma estratégia central para o desenvolvimento econômico. Ao integrar educação, inovação e indústria, o Senai contribui para a construção de um ecossistema mais preparado para enfrentar a escassez de mão de obra qualificada e sustentar o crescimento industrial no Paraná.