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Hotel construído no Canadá com a tecnologia offsite.
Hotel construído no Canadá com a tecnologia offsite.| Foto: Skystone/Saint Jones/ALT Hotel/Reprodução

O senso comum indica que obras costumam atrasar e imprevistos de custos sempre ocorrem em novos projetos. Problemas como estes prejudicam a indústria da construção civil. O sistema construtivo Offsite quebra esta barreira e mostra que é possível ter previsibilidade de custos e prazo aumentando a qualidade da edificação.

Para isso é necessário alterar a maneira de construir, tirando as atividades do canteiro de obras e trazendo-as para dentro de uma fábrica, passando desta maneira a industrializar parte da obra.

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Harvard Life Lab, em Boston, nos Estados Unidos, também usa a tecnologia.
Harvard Life Lab, em Boston, nos Estados Unidos, também usa a tecnologia. | Triumph Pagliuca/Reprodução

O termo “Offsite” remete às atividades que são executadas fora do canteiro de obra. Segundo o World Economic Forum (2016), a indústria de manufatura nos últimos 50 anos teve uma produtividade superior a 170% em comparação à indústria da construção civil.

É fato que boa parte destes imprevistos relacionados aos prazos e aos custos são devidos a improdutividade do mercado de construção, que possui um dos piores índices de produtividades entre todos os setores industriais. Portanto nada mais lógico do que industrializar parte da obra para conseguir virar o jogo.

Produção dos módulos no ambiente fabril.
Produção dos módulos no ambiente fabril.| OAK Offsite Construções/Divulgação

A construção Offsite pode ser caracterizada conforme o grau de industrialização da construção que se aplica em cada projeto, sendo que a construção modular é o sistema mais industrializado que se pode adotar atualmente entre os diferentes tipos de offsite. A construção modular utiliza múltiplos módulos volumétricos produzidos em ambiente fabril e controlado, adotando os mesmos materiais, códigos e padrões da construção tradicional.

O tamanho de cada módulo é limitado pela condição de transporte entre a fábrica e o canteiro de obra, sendo que é comum módulos com dimensões de 3 m de largura, 6 m de comprimento e 3,5 m de altura. Essas dimensões trazem conforto espacial muito superior aos contêineres marítimos adaptados à construção civil, que possuem dimensões menores, além da construção modular ser nativa da construção civil e o contêiner marítimo uma adaptação de uma ferramenta logística que possui sérios problemas de interface quando utilizados em uma obra.

Assista ao vídeo e saiba mais sobre o sistema!

O mercado está em ampla expansão e os principais segmentos de atuação da construção modular concentram-se em obras educacionais, hospitalares, comerciais, industriais e para o setor hoteleiro.

A construção modular possui uma série de vantagens sobre a construção tradicional, entre elas redução do prazo, aumento da qualidade da edificação e, principalmente, a liberdade de deslocar o prédio futuramente para outro terreno. Isso abre um leque de oportunidades em vários segmentos de negócios, como, por exemplo, uma rede de escolas de idiomas que resolve ampliar suas instalações em uma determinada unidade implantando novas salas de aulas modulares, mas com o passar do tempo ocorre uma redução de demanda nesta unidade e um acréscimo em outra unidade do mesmo grupo. Com a construção modular pode-se retirar uma sala de aula de uma escola e transportá-la para outra escola, economizando no longo prazo e reduzindo custos operacionais.

Enquanto o mercado continuar a executar obras da mesma maneira que se faz há décadas, não haverá espaço para melhorias significativas e o ponto de inflexão deste cenário é alterar radicalmente a maneira de edificar.

*Bruno Soares de Carvalho é engenheiro, PhD e sócio da Oak Offsite, uma construtech paranaense que atua como fabricante de construção modular.

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