Como você se sentiu com essa matéria?

  • Carregando...
Cozinha assinada pela arquiteta Alessandra Gandolfi
Cozinha assinada pela arquiteta Alessandra Gandolfi.| Foto: Eduardo Macarios/Divulgação

Não existe fórmula mágica na hora de projetar ou reformar uma cozinha, já que o estilo de vida de cada família determina necessidades diferentes para cada residência. Mas alguns desejos para esse ambiente são praticamente universais: um espaço prático, bonito e agradável para cozinhar e reunir familiares e amigos.

Não é à toa que a cozinha é conhecida como o “coração da casa”. Além de ser o espaço onde são preparados os alimentos, ela tem se integrado cada vez mais ao resto da casa e se consolidado como um ambiente social tão valorizado quanto a sala de estar nos projetos arquitetônicos.

Na cozinha projetada pelo Estúdio Maré, a serralheria foi utilizada para a estante suspensa que contrastou com a leveza dos revestimentos.
Na cozinha projetada pelo Estúdio Maré, a serralheria foi utilizada para a estante suspensa que contrastou com a leveza dos revestimentos.| Luiz Franco/Divulgação

Pequena ou grande, integrada ou em um cômodo isolado, é possível ter a cozinha perfeita com um bom planejamento e ajuda profissional. Conversamos com a arquiteta Alessandra Gandolfi, que deu dez dicas para quem quer construir ou reformar uma cozinha linda e prática. Confira!

1. Iluminação adequada

Cozinha projetada por Alessandra Gandolfi equilibra iluminação geral, pontual e indireta.
Cozinha projetada por Alessandra Gandolfi equilibra iluminação geral, pontual e indireta.| Marcelo Stammer/Divulgação

Uma boa iluminação é essencial na hora de preparar e consumir refeições. Ela pode alterar a cor dos alimentos e influenciar diretamente no bem-estar de quem está no ambiente. Por isso, esse é um dos elementos mais importantes do projeto. Alessandra recomenda mesclar a iluminação geral, pontual e indireta. “A iluminação geral é necessária para cozinhar, preparar o alimento, lavar a louça. Isso pode ser feito com perfis de LED. Normalmente, eu projeto esses perfis paralelos com a linha de trabalho, para não fazer sombra nessa área”, explica Alessandra.

Já a iluminação pontual é feita para destacar e valorizar áreas específicas, como uma ilha ou bancada — spots com lâmpadas dicroicas são boas opções para isso. A iluminação indireta pode ser feita com fitas de LED, embutidas em nichos ou rasgos. “São luzes que vão deixar a cozinha mais aconchegante nos momentos em que você não precisa da luz geral acesa”, diz a profissional.

2. Cores pontuais

Neste projeto assinado por Alessandra Gandolfi, o azul ganha continuidade desde a parede da cozinha até outros ambientes da casa.
Neste projeto assinado por Alessandra Gandolfi, o azul ganha continuidade desde a parede da cozinha até outros ambientes da casa.| Eduardo Macarios/Divulgação

Para quem gosta de cores e faz questão de aplicá-las na cozinha, Alessandra recomenda trabalhar com detalhes pontuais, como um volume colorido que destaca uma parede. “Isso deve ser tratado de forma estratégica para não destoar do resto da casa, principalmente se a cozinha for estruturada em um conceito aberto” ressalta.

Neste projeto de Marina Carvalho, a marcenaria recebeu toque de cor.
Neste projeto de Marina Carvalho, a marcenaria recebeu toque de cor. | Evelyn Müller/Divulgação

Na hora de escolher a tonalidade, vale utilizar a psicologia das cores. “Nos meus projetos, busco usar cores que tragam tranquilidade, como tons neutros e terrosos, que são mais agradáveis e trazem bem-estar”, pontua Alessandra.

3. Praticidade

Marcenaria planejada é aliada na hora de projetar uma cozinha funcional. Na foto, projeto de Alessandra Gandolfi.
Marcenaria planejada é aliada na hora de projetar uma cozinha funcional. Na foto, projeto de Alessandra Gandolfi.| Marcelo Stammer/Divulgação

Cozinha boa é cozinha prática. Para facilitar a vida do chef da vez, tudo o que é essencial tem que estar à mão. Por isso, considere adquirir marcenarias planejadas com muitas gavetas. “Gavetas são mais práticas, já que você não precisa se esforçar para pegar itens no fundo de prateleiras”, diz Alessandra. Para facilitar a organização, vale aproveitar os diversos acessórios disponíveis no mercado, desde organizadores de temperos, talheres e panelas, até divisórias estratégicas, lixos embutidos e torres de fornos.

Projeto de Alessandra Gandolfi.
Projeto de Alessandra Gandolfi.| Marcelo Stammer/Divulgação

Um bom projeto de cozinha também é cuidadoso em relação à distribuição dos elementos. “Os espaços entre a geladeira, o fogão e a pia devem ser mais ou menos equidistantes, formando uma espécie de triângulo imaginário, para garantir uma boa circulação”, explica a arquiteta.

4. Integrar ou não integrar?

Projeto de Alessandra Gandolfi.
Projeto de Alessandra Gandolfi. | Eduardo Macarios/Divulgação

Cozinhas integradas a áreas sociais da casa, como sala de jantar e living, são cada vez mais comuns nos projetos contemporâneos. A solução é ideal para quem gosta de receber convidados no mesmo ambiente em que cozinha, deseja melhorar a circulação ou mesmo ampliar casas ou apartamentos com metragens reduzidas.

“Eu gosto de integrar porque você tem um conforto visual melhor, você pode fazer a comida e as pessoas estão juntas, então envolve uma questão de convívio, afeto, memórias. Quando você integra, acaba tirando muitas paredes, e isso também melhora a parte de iluminação, permite melhores aberturas e uma ventilação cruzada”, diz a arquiteta.

Mas esse tipo de cozinha nem sempre é a melhor opção. Quem cozinha em casa todos os dias — fato que se tornou ainda mais comum na pandemia —, pode se incomodar com os ruídos e cheiros de comida na área social, por exemplo. Por isso, antes de integrar ou não, é preciso avaliar o estilo de vida e os objetivos dos moradores.

5. Cozinha com ilha

Ilhas são perfeitas para refeições rápidas e socialização.
Ilhas são perfeitas para refeições rápidas e socialização.| Eduardo Macarios/Divulgação

Sejam em cozinhas integradas à área social ou separadas em um cômodo específico, as ilhas ou penínsulas são uma excelente opção para refeições rápidas e para que outras pessoas possam interagir com quem está cozinhando. “Com a ilha, você tem um espaço para sentar que já está integrado à cozinha. É mais prático para o dia a dia do que ficar levando tudo para uma mesa em uma sala de jantar”, afirma Alessandra. “A ilha também é um espaço de convívio. Você pode estar com seus filhos ou convidados e todos estão ali, ajudando, você reúne a família e os amigos”, complementa.

6. Eletrodomésticos na decoração

Nessa cozinha projetada por Alessandra Gandolfi,  os utensílios também são itens de decoração.
Nessa cozinha projetada por Alessandra Gandolfi, os utensílios também são itens de decoração.| Nenad Radovanovic/Divulgação

Além de facilitarem a rotina, eletrodomésticos e utensílios de cozinha também podem fazer parte da decoração. “Muita gente gosta de deixar os eletros à mostra hoje em dia. Você pode investir em produtos bacanas, com cores que conversem com o projeto da sua cozinha. Mas para isso é preciso espaços amplos, já que batedeira e liquidificador, por exemplo, são elementos grandes”, lembra Alessandra.

7. Piso

Projeto de Alessandra Gandolfi.
Projeto de Alessandra Gandolfi. | Marcelo Stammer/Divulgação

Para garantir a segurança, higiene e praticidade, é essencial que a cozinha tenha pisos não escorregadios e superfícies laváveis. “Hoje em dia, muita gente quer colocar o mesmo piso da sala, mas é importante que seja antiderrapante. Se for um porcelanato, escolha um fosco, que é uma opção menos lisa. Mármores não são indicados para o chão da cozinha, pois podem manchar”, diz a arquiteta, que também chama a atenção para o uso de pisos muito brancos na cozinha. “Isso faz com que qualquer sujeira fique aparente. Prefiro pisos mais cinzas ou com uma corzinha, porque essa é uma área que fica suja com frequência”.

8. Revestimento da parede

Cozinha assinada por Hellen Giacomitti, com destaque para os armários cinzas e a harmonia dos mobiliários com os outros elementos pretos e nudes.
Cozinha assinada por Hellen Giacomitti, com destaque para os armários cinzas e a harmonia dos mobiliários com os outros elementos pretos e nudes.| Deia Klink/Divulgação

Alessandra recomenda revestimentos como porcelanato ou pastilhas de vidro, cerâmica, pedra ou metálicas nas paredes. O importante é que o material seja lavável. “Atualmente existem muitos revestimentos 3D, mas na cozinha eles não são tão indicados porque têm muitas reentrâncias, o que dificulta a limpeza. O que eu gosto muito é utilizar o próprio revestimento do tampo subindo na parede. Isso dá uma continuidade e cria uma unidade visual, é mais contemporâneo”, sugere.

9. Tampos e bancadas

Na cozinha projetada por Nicolle R. Nogueira e Katherine Heim Weber, da NK Arquitetura, a pedra Dekton ganhou destaque devido a sua beleza e funcionalidade.
Na cozinha projetada por Nicolle R. Nogueira e Katherine Heim Weber, da NK Arquitetura, a pedra Dekton ganhou destaque devido a sua beleza e funcionalidade.| Eduardo Macarios/Divulgação

Os granitos já foram os revestimentos mais populares em tampos e bancadas por conta da resistência e por não mancharem. O material tem um bom custo-benefício, porém, ele possui uma estética característica que pode não harmonizar com o restante do projeto. Opções para além do granito se multiplicaram com o surgimento de materiais compostos à base de quartzo, que são duros, resistentes e estão disponíveis em várias cores, como o Dekton e o Laminatto. Além de não manchar, estes materiais sintéticos contam com tecnologia para suportar bem o calor, sendo extremamente duradouros.

Cozinha projetada por Laryssa Rocha recebeu bancada de pedra Silestone branca, com parte em madeira, que serve tanto para dividir os ambientes, como para refeições rápidas.
Cozinha projetada por Laryssa Rocha recebeu bancada de pedra Silestone branca, com parte em madeira, que serve tanto para dividir os ambientes, como para refeições rápidas.| Inez Sallum/Divulgação

Os Quartzos Caesarstone e Silestones são opções mais acessíveis que o Dekton, e também cumprem muito bem o desempenho esperado para as bancadas. Eles ainda oferecem diversas cores em tons lisos que facilitam a composição da décor.

Para quem deseja variedade, o porcelanato pode ser uma opção. Com diversos padrões, texturas e acabamentos, o material é prático na limpeza do dia a dia e muito durável. No entanto, a mão de obra para esse tipo de aplicação deve ser especializada para se garantir o resultado desejado.

Cozinha projetada por Alessandra Gandolfi é revestida em Mármore Branco Paraná.
Cozinha projetada por Alessandra Gandolfi é revestida em Mármore Branco Paraná. | Eduardo Macarios/Divulgação

Os mármores são os menos indicados para tampos e bancadas, com exceção do Mármore Branco Paraná. “Ele é o queridinho do momento. É uma rocha muito resistente e com um bom custo-benefício, além de ter a beleza de uma pedra natural”, comenta Alessandra. Esse mármore exige o cuidado de impermeabilização uma vez por ano.

10. A importância do profissional

Na cozinha assinada por Julia Lis, a arquiteta optou por vidro reflecta fumê e pedra com acabamento brilhante para garantir uma essência sóbria e elegante.
Na cozinha assinada por Julia Lis, a arquiteta optou por vidro reflecta fumê e pedra com acabamento brilhante para garantir uma essência sóbria e elegante.| Matheus Kaplun/Reprodução

Por último, mas não menos importante, é essencial contratar um arquiteto para transformar os desejos e as necessidades dos moradores em soluções funcionais e personalizadas. Com uma visão macro, esse profissional enxerga o todo, entregando melhores soluções técnicas, decorativas e operacionais. “Um bom projeto de cozinha leva em conta a iluminação, a escolha certa dos materiais, as cores, a distribuição, o layout, os revestimentos, a abertura das portas, então não é só pensar no mobiliário. Tem todo um contexto que é o profissional quem vai saber orientar e planejar. O arquiteto é a pessoa apta para tirar todas as dúvidas e pensar nas melhores soluções”, finaliza Alessandra.

Deixe sua opinião
Use este espaço apenas para a comunicação de erros
Máximo de 700 caracteres [0]